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Se meu berço chorasse


O Gael é um bebê calmo, muito calmo! Ele chora em alguns poucos casos.

Pode estar com fome, o que é fácil de saber: basta fazer as contas para saber o horário da mamada. Se estiver perto, coisa de 20 minutos mais ou menos, pode apostar que é dar a mamadeira que ele se acalma. E durante o dia raramente o intervalo entre mamadas passa das 3 horas! À noite já é relativamente comum ele espassar os intervalos.

Outro motivo de choro pode ser o desconforto, principalmente com a fralda. Ele faz muito, mas muito xixi!! Faz tanto que tivemos que trocar a marca da fralda porque a anterior não segurava à noite. Então se a fralda estiver cheia pode apostar que vai ter reclamação. E também odeia ficar com cocô. Mas até aí quem gosta, não é?

Sono. Este também é um grande motivo para choro do Gael. E junto a ele aparece um dos principais motivos de reclamação do pequeno: ficar no bercinho (que por enquanto não é exatamente o berço, mas o moisés do carrinho). Ele fica por algum tempo, mas tem que ter alguém junto! Sozinho nem pensar!

Para colocar ele pra dormir cada um tem sua tática em casa…a Mamãe dá um pouco de peito. Eu, na ausência desse equipamento, tenho que ficar com ele no colo. E o melhor: não posso ficar sentado! Assim que eu sento o altímetro dele dispara e junto vem o bico, o lábio tremendo, a lágrima dos olhinhos e o berreiro. Nessa exata ordem. Tenho que ficar andando com ele e chacoalhando. Ele vai dar uma resmungada e logo em seguida vai fechar os olhos. Claro que até resmungar podem se passar algumas horas.

No carro ele é exatamente como era o irmão: carro parado, choro constante. Carro andando, silêncio. E o velocímetro já funciona muito bem, obrigado. Assim que o carro começa a diminuir a velocidade e baixa dos 20Km/h, ele já começa a reclamar.

O melhor de tudo são as gargalhadas que ele dá! E também as altas conversas filosóficas com todos que se dispõem a dar atenção a ele! Se o Tomás não se cuidar, o Gael começa a falar antes que ele.


Dia 279 – Um Quase Acidente


Imaginávamos de várias formas o acontecimento, mas acho que nunca da forma como aconteceu. Tentamos a todo custo evitar, fazendo as coisas sempre da melhor forma possível, mais segura, mais tranquila.

Tudo começou quando chegamos em casa, e o Biscoito estava meio estressado. Acho que muita gente ficou olhando pra ele no shopping, ou o carrinho balançou demais durante o passeio pelos corredores, ou de repente a roupa não estava do agrado dele. Ou quem sabe o carro não estava na temperatura e velocidades corretas na volta pra casa. Não importa muito. Ao chegar resolvemos tirar a roupinha dele, já que estava calor.

E como já íamos preparar o banho, também resolvemos tirar a fralda. Como diriam alguns, big mistake.

Há um amigo que vive dizendo que acidentes aéreos acontecem por uma sequência de falhas que, isoladamente, não são perigosas, mas que juntas geram grandes problemas. Concordo com ele. E deixar o Biscoito como veio ao mundo foi o gran finale para uma sequência de ações.

Ele deu um sinal, um aviso, que não foi levado muito em consideração. Estava brincando com ele no tapete da sala, quando ele soltou um jato de xixi. Não deu nem tempo de pegá-lo e virá-lo para o piso. Quando terminei o movimento acho que ele se assustou e parou de urinar. Devia ter considerado o aviso com mais atenção.

Poucos minutos depois ele começou a se concentrar. Mais um sinal. Ignorado novamente. Só deu tempo de ver alguma coisa saindo das costas dele!

– Amor, deu ruim! – gritei.

Procurei alguma coisa para impedir que ele, o inominado, aquele que não deve ser mencionado, o Grande Cocô, atingisse o tapete. Não achei nada. Não restou alternativa. Taquei a mão para segurar o cocô enquanto a Mamãe pegava ele no colo para corrermos pro banheiro.

Nesse momento agradeci à Santa Marmita, ao Nosso Senhor do Bom Pasto e principalmente ao Dr. Atra por não ter deixado nenhuma restrição alimentar e agora todo o cocô do Biscoito ser bem sólido.

Sempre imaginávamos que nossa primeira experiência cara a cara com o Grande Cocô seria durante uma troca de fraldas. Nunca na sala de casa brincando.

No futuro não vou precisar dizer pra ele, naquele momento de fúria, “me respeita que eu troquei tua fralda”…vou poder dizer “me respeita que eu segurei tua m****”!


O que ninguém conta


Ao se pensar em bebês a primeira coisa que vêm à mente é a fofura. Não há como resistir àqueles olhinhos inocentes, aqueles bracinhos gorduchos, aquelas perninhas balançando como se estivessem numa aula de step. Aí então começam as brincadeiras sobre o cocô, o estoque de fraldas que teima em abarrotar o armário, e que no começo parece que nunca será usado, mas com o passar do tempo você descobre que pode ser pouca fralda.

Todo mundo avisa para aproveitar muito bem as noites de sono, pois elas serão raras após o nascimento. No começo você dá risada, mas depois de um tempo vai ficando chato ouvir isso. Esse é o problema: como todo mundo dá esse aviso os pais acabam cansando e começam a não prestar mais atenção achando que é mais uma brincadeira. Não é. Quando dizem que o bebê vai acordar de 3 em 3 horas para mamar, é porque ele vai acordar de 3 em 3 horas! Não interessa se são 10 da manhã, 3 da tarde ou 2 da madrugada. Ele está com fome, vai acordar e vai chorar. E chorar alto.

Não pense que são 3 horas após o final da mamada! Não é não!!! A cada 3 horas ele vai acordar, não interessa se a mamada levou 10 minutos ou 2 horas! O problema é seu se não teve tempo para dormir entre o início de uma e o início da próxima. Isso se você tiver sorte e conseguir saciar a fome do pequeno rebento. Ele pode acordar de 2 em 2 horas. E você sequer dormir!

E por fim chegam os detalhes sobre o qual ninguém fala, ninguém avisa, ninguém ensina. Não me lembro de ter ouvido sobre as toneladas de roupas para lavar. Parece óbvio, afinal o bebê não ficará pelado! Mas é uma obviedade que não enxergamos antes. Lembrando que essas toneladas de roupas consomem toneladas de sabão e de amaciante (é, você não vai querer colocar no seu bebê lindo uma roupa com cheiro ruim ou que fique pinicando ele). A cada 2 ou 3 dias a máquina de lavar é acionada para 2 ou 3 levas de roupas do Biscoito. E não é porque nós trocamos a roupa dele a todo momento porque gostamos de vê-lo vestido diferente toda hora…é porque o xixi vazou da fralda mal colocada (ou fez mais xixi do que a fralda consegue aguentar), o cocô sujou a roupa quando ele balançou aquelas pernas gostosas durante a troca querendo brincar, o leite saiu pelo canto da boca ou deu uma gorfadinha de nada, ou porque simplesmente tomou banho e não vai colocar a mesma roupa de volta.

Nossa máquina também seca. Mas roupa de bebê dizem que é melhor secar naturalmente, no varal. Então tome enchê-lo com a roupa dele. Pelo menos ela é pequena e não precisamos comprar mais um varal. Os dois que temos dão conta. E com sorte ela vai secar rápido!

Já comentei sobre as fraldas de boca? Aquelas usadas para secar a babinha ou recolher o leite que vazou, aquelas que nunca estão perto quando você as precisa e que adoram visitar o chão? Vai uma meia-dúzia por dia!

E aquela outra fralda, maior, usada para cobrir o trocador? Essa na qual ele adora fazer um xixi ou acaba sujando de cocô quando faz aquele serviço. Ou usa para limpar o bebê naquele momento em que a fralda de boca visitou o chão.

Falei sobre a roupa de cama que teve que lavar correndo porque a fralda não segurou o xixi? Sua roupa de cama, claro, pois ele estava dormindo com você!

Mas também tem aquilo que todo mundo conta: a primeira vez que ouve as batidas do coração no primeiro ultrassom quando ainda nem acredita muito na gravidez, o primeiro sorriso mesmo que seja um espasmo quando vai dormir, ou o primeiro sorriso de verdade que ele dá brincando com você e olhando nos seus olhos, o pum que ele solta enquanto está mamando e você acha lindo (agora, pois quando crescer vai levar tapa na bunda quando fizer), aqueles olhinhos vendo tudo com cara de descoberta e curiosidade.

Tudo isso que todo mundo conta, mas que não dá para explicar o sentimento que é ao ver seu filho fazer! E mesmo que alguém consiga palavras para explicar, jamais conseguirá transmitir a sensação de felicidade extrema que esses pequenos atos dão, e que fazem esquecer completamente tudo aquilo que ninguém conta.

E mesmo que não faça esquecer, faz valer a pena!