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A pior parte de ser pai


As pessoas dizem que há várias coisas ruins na paternidade. Um campeão talvez seja trocar as fraldas do filhote. Não é agradável pegar uma fralda com os restos de um caldo de feijão, sem dúvidas. Até porque as chances de sem querer enfiar a mão onde não deve são grandes, ou se a criança for um pouco serelepe jogar a fralda longe – ainda aberta – é um risco a ser considerado.

Não é gostoso levar a criança tomar uma injeção. Precisar ser segurado, levar uma picada, ter um líquido estranho colocado dentro do corpo, e depois ainda ficar com a perna dolorida não é algo que possamos chamar de um bom programa. Sem esquecer da quase certa febre depois de um tempo.

Quando começa a comer o desejo de todo pai é que use os talheres, e que tenha coordenação motora ótima para levar o garfo certinho até a boca, sem derrubar um único grão de arroz. Mas esse desejo apenas o Alladin pode conseguir, porque na vida real vai sujar a cadeirinha, a mesa, a roupa, o chão em volta, e aquele que o pegará depois da refeição para limpar.

Outro sonho é falar para a criança “vai dormir que está na hora”, e magicamente ela vai para a cama, se deita e dorme. Sem precisar preparar uma mamadeira, sem contar histórias, sem deitar junto, sem chorar nem resmungar, e dormir a noite inteira.

Só que eu penso que tudo isso faz parte da vida, do aprendizado, do crescimento. Uma fralda suja indica que a criança está comendo e bebendo líquidos, que o corpo está processando os alimentos e que ela está saudável. A sujeira que faz ao comer demonstra que a criança está explorando o ambiente, fazendo experimentos! Ao pegar a comida com a mão está sentindo a textura, ao expremer o gomo da tangerina está vendo de onde sai o suco que bebe ao colocá-lo na boca. Em última instância está se divertindo.

Justamente por ser criança e ter tantas coisas a aprender, a ver, sentir, é que não quer dormir. Para eles dormir é uma perda de tempo! São horas a menos de brincadeiras, de convívio com os pais. Não pensam que são horas de descanso e de recarga de energias para poder continuar brincando.

As injeções são para evitar doenças. E aqui chegamos no motivo deste texto, e naquilo que considero a pior parte da paternidade. Ver o seu filho doente, qualquer doença que seja, dói. Machuca. Ver o nariz escorrendo e tendo dificuldades de respirar, impedindo que ele gargalhe, é uma faca passando pelo peito. Pegar no colo porque está chorando e não saber o motivo, é desesperador (pode ser porque está com fome, mas nada o apetece, ou está como sono mas não consegue dormir, ou simplesmente porque está desconfortável e nada resolverá o problema).

Ver o filho doente, na verdade, não é a pior parte de ser pai. Existir uma pior parte significa que existem outras ruins. Tudo que coloquei acima não acho ruim, pois são coisas naturais. Doenças fazem parte da vida, mas não são algo pelo qual deveríamos passar. Então elas não são a pior parte de ser pai: elas são a única coisa ruim de ser pai.

 


Mamadrugadas


Já comentei bastante que o Tomás sempre vai para nosso quarto durante a noite. Por enquanto o Gael dorme no moisés do carrinho, ao lado da nossa cama. O principal motivo para isso é o medo dele passar mal e também de acordar o Tomás quando começar a chorar pela mamadeira.

Normalmente o Gael, pouco antes de mamar, começa a se mexer, resmungar, e só chora quando a fome realmente aperta ou quando ele acha que ninguém está dando bola (leia-se ninguém o pega no colo). Mas à noite, conosco dormindo, quem é que ouve as reclamações? É só o choro mesmo!

As mamadas do Gael ainda não seguem um padrão bem determinado durante as noites. Já teve noite em que ele não acordou como teve noite que foi de 3 em 3 horas. O problema destas noites (em que ele acorda) é que às vezes demora para voltar a dormir.

Já o Tomás nunca teve uma rotina determinada durante as madrugadas, mas quase sempre teve pelo menos uma mamada. Agora com o Gael, como era de se esperar, a cada mamadeira pro Gael, vai uma pro Tomás também. A vantagem das mamadeiras pro Tom é que basta prepará-la e dar pra ele, que ele se mesmo segura, toma e devolve ao terminar. Sem contar que o menino é rápido! Às vezes não leva nem 1 minuto pra tomar 180ml. Já o Gael….chega fácil a uns 30 minutos o processo de mamar, arrotar e voltar a dormir.

Neste noite aconteceu algo diferente: o Tom não reclamou que queria mamar. Apenas apontou a mamadeira. Quando falei que ia preparar (pois as que estavam ali no quarto eram as do Gael), e achei que ele ia resmungar e gritar, apenas veio pro meu colo, como que dizendo vou junto. Fui na cozinha, peguei a mamadeira, enchi de água, esquentei e voltamos ao quarto pra colocar o leite. Aí deitei ele na cama, achando que agora sim ele abriria o berreiro, mas que nada. Aguardou pacientemente os 3 segundos até eu pegar a mamadeira, bebeu, virou pro lado e dormiu.


Esse…esse…buááá!


O Tomás, durante o curso de férias da escolinha, janta lá. Ou pelo menos dizem que sim, pois sempre que nós vamos jantar, se ele ainda está acordado, também quer comer. Considerando a energia que esse menino tem, até faz sentido ele ter dois ou três almoços e jantares por dia.

Ontem foi um desses dias em que sentamos para jantar e ele ainda estava acordado. Então se juntou a nós. A Mamãe, sábia, deu um sorvete pra ele. Assim poderíamos ter um pouco de paz durante o jantar. O menu do dia era hambúrguer. Então na mesa estavam os sanduíches de cada um, mostarda e catchup. Ele não pode ver o pote de catchup. Ele ama catchup, para nossa tristeza.

Ficou apontando até que colocamos um pouco no prato dele. Lembra do sorvete? Pois é, estava no prato também. Ele comeu um pouco de sorvete com catchup. Mas ficou pedindo cada vez mais, chorando, fazendo birra. E nesse meio tempo o Gael acordou pois era quase hora de mamar. Imagina a cena: Mamãe, Bisa e eu tentando comer, Tomás chorando porque queria catchup, Gael chorando no carrinho porque queria mamar.

Fizemos o possível: Mamãe pegou o Gael, eu engoli meu sanduíche e peguei o Tomás pra dar banho. Praticamente não conversei com ele. Dei o banho, coloquei o pijama nele, preparei a mamadeira e fomos para o quarto. Ele tomou o leite e deitou.

Normalmente eu fico deitado com ele, com a cabeça numa almofada e deixo ele deitar em cima do meu braço. Para brincar um pouco ele fica trocando a almofada que está embaixo da minha cabeça. Como estava bravo com ele (na verdade não estava assim tão bravo, mas tinha que demonstrar que sim), não deitei junto, ficando apenas sentado na cama. O safadinho pegou a almofada e colocou atrás da minha cabeça, por conta própria. Aí deitei, ele colocou a cabeça em cima do meu braço esticado, e dormiu.


Se meu berço chorasse


O Gael é um bebê calmo, muito calmo! Ele chora em alguns poucos casos.

Pode estar com fome, o que é fácil de saber: basta fazer as contas para saber o horário da mamada. Se estiver perto, coisa de 20 minutos mais ou menos, pode apostar que é dar a mamadeira que ele se acalma. E durante o dia raramente o intervalo entre mamadas passa das 3 horas! À noite já é relativamente comum ele espassar os intervalos.

Outro motivo de choro pode ser o desconforto, principalmente com a fralda. Ele faz muito, mas muito xixi!! Faz tanto que tivemos que trocar a marca da fralda porque a anterior não segurava à noite. Então se a fralda estiver cheia pode apostar que vai ter reclamação. E também odeia ficar com cocô. Mas até aí quem gosta, não é?

Sono. Este também é um grande motivo para choro do Gael. E junto a ele aparece um dos principais motivos de reclamação do pequeno: ficar no bercinho (que por enquanto não é exatamente o berço, mas o moisés do carrinho). Ele fica por algum tempo, mas tem que ter alguém junto! Sozinho nem pensar!

Para colocar ele pra dormir cada um tem sua tática em casa…a Mamãe dá um pouco de peito. Eu, na ausência desse equipamento, tenho que ficar com ele no colo. E o melhor: não posso ficar sentado! Assim que eu sento o altímetro dele dispara e junto vem o bico, o lábio tremendo, a lágrima dos olhinhos e o berreiro. Nessa exata ordem. Tenho que ficar andando com ele e chacoalhando. Ele vai dar uma resmungada e logo em seguida vai fechar os olhos. Claro que até resmungar podem se passar algumas horas.

No carro ele é exatamente como era o irmão: carro parado, choro constante. Carro andando, silêncio. E o velocímetro já funciona muito bem, obrigado. Assim que o carro começa a diminuir a velocidade e baixa dos 20Km/h, ele já começa a reclamar.

O melhor de tudo são as gargalhadas que ele dá! E também as altas conversas filosóficas com todos que se dispõem a dar atenção a ele! Se o Tomás não se cuidar, o Gael começa a falar antes que ele.


Toc toc toc


Com a chegada do Gael algumas coisas mudaram em casa. A primeira foi o quarto do Tom. Saiu a cômoda que tínhamos para entrar outra menor, um armário e uma cama. Armário porque precisamos guardar as roupas dos dois. Cômoda menor porque com a anterior não caberiam o armário e a cama. E a cama porque, afinal de contas, o berço ganhou um novo morador, e o morador anterior precisa de um lugar para dormir!

A nossa saga para colocar o Tomás para dormir sempre foi a mesma: dá a última mamadeira do dia, senta com ele na poltrona, espera ele dormir, e coloca no berço. Só que ao colocar no berço ele muitas vezes acordava. Ou então acordava alguns minutos depois. Nesses casos, de volta à poltrona. Várias vezes. Até dormir.

Só que o “até dormir” não era até acordar de manhã para tomar café num belo e novo dia. Era, com sorte, por um par de horas. Até acordar e termos que levá-lo para nossa cama. Não somos de ferro e precisamos dormir também, então não dá para ficar indo a cada hora no quarto para niná-lo e colocar de volta no berço.

Com a cama as coisas mudaram um pouco, até porque a poltrona saiu do quarto (falei que o quarto é pequeno?). O ritual é fazer a mamadeira, chamá-lo para deitar, dar a mamadeira com ele já deitado, e ficar com ele até pegar no sono. Esse ritual já estamos fazendo desde pouco antes do nascimento do Gael, então funciona. O Tom inclusive já vai sozinho para o quarto quando chamamos! Não é mais preciso pegá-lo e levar à força! O sonho é falar “Tom, vai dormir“, e ele ir sozinho. Mas sei que é apenas um sonho.

Só tem um pequeno problema: a cama é infantil, baixinha, então ele pode subir e descer dela sozinho. Esse é o objetivo, inclusive. E quando ele acorda, o que ele faz? Levanta da cama e vai nos procurar!!

Na primeira noite ele levantou, saiu do quarto e foi até a sala. A Mamãe viu e ficou toda preocupada, indo atrás dele e trazendo-o no colo. Em outra noite ele levantou, foi até a sala, e voltou até nosso quarto. Hoje em dia ele já vai direto pro nosso quarto, ficar ao lado da cama. E se em alguns poucos segundos ninguém o pega, ele reclama!

O melhor aconteceu numa noite em que, ao levantar e tentar abrir a porta do quarto dele (ela sempre fica encostada, para que possíveis barulhos da sala sejam abafados), sem querer ele a fechou! Só começamos a ouvir um toc toc toc, de alguém batendo numa porta. Ele não chorou, não gritou, não reclamou…simplesmente bateu com a mão fechada na porta, como todo mundo faz ao encontrar uma porta fechada e pedir para entrar.


Dia 323 – Cuidado com o dedo!


Há mais ou menos um mês o Biscoito teve uma febre, do nada. Depois de algum tempo veio o cocô mole, quase líquido. Todos que já tiveram muito contato com criança disseram “é o dentinho saindo“. E todo pediatra sempre diz que não tem nada a ver. Só que o fato é esse: antes do dente sair quase sempre tem febre e diarréia.

Então achamos o que a sabedoria popular diz: o dentinho estava pra sair. A gengiva estava um pouco mais inchada, e ele começou a coçá-la passando a língua. Aliás, era uma cena hilária ele passando a língua!

Já tem alguns dias que ele não está dormindo direito, e ontem foi jogo duro! Durante a tarde a Mamãe ficou 2 horas tentando fazer ele dormir, o que só aconteceu quando eu cheguei e fiquei com ele um pouco no quarto dele. Dormiu por uma horinha, suficiente para acordar bem, com pilha recarregada e para comer sem muitas reclamações.

Durante o jantar demos dois talos de brócolis e dois palitos de cenoura pra ele ir beliscando entre as colheradas da comida. A Mamãe já havia notado, e eu também percebi que ele estava mastigando tudo de lado.

À noite para dormir foi triste. Fizemos todo o ritual: banho, mamadeira, ficar um pouco no colo na poltrona e berço. Isso começou às 21:30. Era meia noite e eu estava no quarto dele sentado na poltrona com ele dançando no meu colo, depois da Mamãe ter ficado mais de uma hora com ele se movendo pela nossa cama.

Hoje, durante o almoço, a Mamãe viu o porque de toda essa agitação: o dentinho apontou! Não é mais uma marca branca na gengiva, é uma ponta branca pra fora mesmo!

Portanto, a partir de agora, as mordidas dele passaram da fase “que gostosinho” para a “ai, mordeu forte”. Em breve chegará na fase “car****, deixou marca”, e por último a “p*** que p****, tá sangrando”.


Dia 240 – A Maçã e o Cansaço


Há noites que parecem dias com o Biscoito. Em todos os sentidos! Parecem dias porque ele fica um tempão acordado esquecendo que é de noite e que deveria dormir, e parecem dias porque duram uma eternidade. Nessas noites, se é durante a semana, a Mamãe dorme pouco, se é final de semana, nós dois dormimos pouco, pois mesmo eu cuidando dele, a Mamãe fica acordada.

Então chega uma hora em que você não sabe mais nem o caminho da cozinha, quanto mais o que foi fazer nela.

Teve uma noite especificamente que o Biscoito acordou quase que de hora em hora…isso nas poucas horas em que ele dormiu, pois ficou várias acordado. Então na noite seguinte estávamos os dois cansados. Durante a noite, numa das mamadas, eu só lembro de estar em pé na cozinha, na frente da fruteira, olhando pra ela e pensando se não tinha alguma outra coisa para comer na geladeira.

Eu jurava que a Mamãe tinha pedido algo pra comer. Olhei pra meia maçã que tinha sobrado da sobremesa do Biscoito, tirei o plástico, coloquei numa tigela, e levei pro quarto, deixando no criado-mudo ao lado da Mamãe.

Ela achou que eu tinha levado um copo de água.

No dia seguinte ela me perguntou porque eu levei a maçã. A resposta foi um simples e confuso “não faço a menor ideia“!

Quem sabe se daqui alguns anos, quando estiver fazendo uma sessão de regressão no psicólogo não descubra o que pensei nessa noite.


O “Um App”


Comentei aqui que há dois aplicativos que sempre usamos, e disse que o segundo merecia um texto especial.

O útero não é dos lugares mais silenciosos do mundo. Ao contrário, pode chegar até a uns 90dB (para efeito de comparação, uma conversação normal fica em cerca de 60dB, 90dB é o tráfego urbano e um show de rock fica por volta de 120dB). Então o bebê está acostumado ao barulho, até porque o som no útero não pára nunca, já que há o barulho da circulação sanguínea da mãe, das batidas do coração dela, movimentos estomacais e intestinais, e o próprio som ambiente que invade o corpo.

Quando estava chegando perto da vacina dos dois meses, recebi uma dica de um colega de trabalho que tinha acabado de passar por ela de que uma única coisa tinha conseguido acalmar a filha dele: um secador de cabelo! Pois é!! Apenas o barulho do secador ligado acalmou o bebê. Achei estranho, mas quando a Mamãe ligava o secador (e era praticamente todo dia), o Biscoito não surtava, não se assustava, e até ficava um pouco mais calmo na maioria das vezes.

Já tínhamos uma prova de que barulho ou música acalma o Biscoito. No carro, quando ele começa a chorar porque o velocímetro foi ativado, música geralmente consegue acalmá-lo. Há uma que sempre funciona, pelo menos até a segunda repetição: Trem Bala, da Ana Vilela. Há uma outra que, com muita alegria, descobri que ele também gosta: Lullabye, do Billy Joel (que aliás tem uma letra linda, assim como a música da Ana Vilela).

Uma vizinha do prédio deu uma dica de aplicativo, para simular o barulho do secador. Não levamos muita fé, mas a Mamãe resolveu dar uma colher de chá, e não é que funciona? Quando o Biscoito está muito nervoso, chorando ou se recusando a dormir basta abrir o Sleep Baby Sleep (esse também tem pra Android), selecionar o barulho de secador, colocar o celular perto dele, e pronto! Na hora ele sossega, e muitas vezes dorme. Além do secador também tem barulho de máquina de lavar, aspirador de pó, ventilador, torneira e, claro, útero.

Só que não adianta deixar o barulho meio longe! Outro dia coloquei o som nos falantes do carro, pensando que talvez ficasse melhor, mas não teve efeito nenhum. Só resolveu colocando o celular perto dele. Mas pelo menos resolveu!


Aplicativos…necessários?


Assim que o Biscoito nasceu começaram as dúvidas e esquecimentos sobre quando foi a última mamada, quando foi a última troca de fralda, quanto de xixi ele fez, se fez cocô também, quanto ele dormiu…na cabeça de alguém de TI como eu, nada melhor que um aplicativo para controlar tudo isso!

Fui atrás de alguns e acabei instalando dois, para ver qual se saía melhor. Após os testes, que duraram exatamente um dia, percebi que seria uma tremenda estupidez usar qualquer um deles para qualquer coisa relacionada ao Biscoito! Eles permitem guardar peso, altura, quantidade de leite que mamou, se foi mamadeira ou peito, quanto dormiu, etc., porém precisa que alguém coloque essa informação! E acha mesmo que íamos lembrar de abrir o aplicativo depois de tentar dar de mamar, o Biscoito se contorcer de dor por causa da cólica, correr para esquentar a bolsa térmica, tentar terminar de dar de mamar, trocar a fralda e ficar sei lá quanto tempo ninando ele até dormir? Depois dessa maratona, que se repetia a cada 3 horas, com mais ou menos surpresas, alguém ia lembrar de atualizar um app no celular?

Mas há aplicativos úteis! Há dois que tanto a Mamãe quanto eu usamos, e muito.

Assim que o Biscoito começou a dormir no berço, óbvio que precisávamos de uma babá eletrônica para poder vê-lo e ouví-lo. Eu tenho uma câmera IP, dessas comuns muito usadas para monitoramento (mais especificamente, esta). Comecei a procurar alguma forma de talvez fazê-la transmitir para a TV que temos no nosso quarto, e enquanto buscava algum aplicativo no celular que permitisse tal gambiarra (pois a TV é burrinha) encontrei o Baby Monitor (iOS apenas….acho que não existe para Android). Ele se conecta na câmera via roteador WiFi, permitindo controlá-la (movê-la, colocar em modo infra-vermelho, etc.).

Via compras dentro do aplicativo há a opção de habilitar a gravação de áudio e vídeo, controlar múltiplas câmeras e suporte ao Chromecast (US$ 1.99 para tudo isso). Mas o principal, que é uma outra compra separada (US$ 4.99), é o monitor de áudio: ele exibe um gráfico (que tem escala de últimos 2 minutos, 10 minutos, uma hora ou 6 horas), mostrando todos os momentos em que apareceu algum barulho (e sua intensidade), permitindo configurar um nível de barulho a partir do qual o app emite uma notificação.

Infelizmente não possui suporte às compras familiares, então cada aparelho precisa fazer a compra.

Sempre que colocamos o Biscoito no berço, um dos celulares está aberto nesse app para ficarmos de olho.

O outro aplicativo merece um texto separado, só para ele!


Dia 37 – O Primeiro Sorriso


Antes de dormir o Biscoito sempre tem um ritual, pelo menos quando faz isso no meu colo: bocejar (muito!), dar uma choradinha, virar a cabeça de lado e fechar os olhos. Nessa sequência. Eu sei que ele está quase dormindo porque dá uma risadinha de lado, com o canto da boca. Nós sabemos que essa risada é involuntária.

Só que neste 37o. dia de vida ele deu um sorriso porque quis! Ele sorriu para a Mamãe!

Ela me ligou por vídeo para tentar mostrar, para ver se ele sorria de novo, mas é claro que o Biscoito tem personalidade e só vai fazer as coisas que quer quando quer. Se eu fiquei emocionado quando vi a foto do sorriso, imagino como deve ter ficado a Mamãe ao ver ao vivo!

Ao mesmo tempo me bateu uma tristeza, por saber que muitos desses momentos eu vou perder por não estar com ele, perto dele. Talvez eu não esteja junto quando ele der o primeiro passo, ou falar a primeira palavra.

Mas neste mesmo dia ele me deu uma alegria imensa: me reconheceu! Ou pelo menos temos quase certeza disso. Estávamos trocando ele, e eu passei por trás da Mamãe, e mostrei só meu rosto falando com ele “cadê o bebê”, e ele olhou pra mim e fez cara de surpresa, como que dizendo “ohhhh….você”!!!

Não vejo a hora de chegar o dia de, ao voltar pra casa depois de um cansativo dia de trabalho, ele olhar pra mim e abrir o bocão com um sorriso lindo e esticar o braços para receber meu abraço!