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Gael: seja bem-vindo


Após todos os acontecimentos durante a gravidez, esperávamos por um parto tranquilo, já que tínhamos tudo decidido e encaminhado. Mas a vida, ahhhhh a vida…

A gravidez teve muitos altos e baixos, com vários problemas. No final dela a Mamãe estava se sentido muito cansada, com muitos picos de pressão alta, e com o bebê provocando como se fossem cãimbras por conta do tamanho. O Gael estava muito bem, obrigado. Segundo a obstetra ele poderia chegar tranquilamente às 40 semanas, e talvez até nascer de parto normal, que chegou a ser um desejo da Mamãe em alguns momentos. Mas como a Mamãe estava sofrendo muito, foi decidido que seria cesárea e que seria marcado para a sexta-feira ou para a segunda-feira seguinte.

Na sexta-feira a Mamãe não acordou bem, e conversando com a obstetra foi decidido, por volta das 10:30, que seria nesse mesmo dia. Ela deveria internar às 13:00 e o parto seria às 16:00. Minhas roupas e da Mamãe já estavam prontas? Claro que não! Foi uma correria danada, mas às 13:00 estávamos no hospital para internar.

Não sabíamos como seria o parto. Para o Tom havíamos visitado a maternidade e já sabíamos de todos os procedimentos. Ali não tivemos tempo de fazer isso, então tudo nos foi sendo explicado conforme acontecia. Sabíamos que o bebê sempre fica com a mãe no quarto, saindo apenas para alguns exames e para o primeiro banho.

Nesse hospital apenas o acompanhante pode ver o parto. Não há janelinha para ninguém de fora ver. A Mamãe foi levada para a preparação, e logo em seguida eu fui ficar com ela, já com a roupa esterilizada (que achei esquisito colocar por cima da roupa que estava). Nos separamos mais uma vez quando ela foi levada para a sala de cirurgia, mas poucos minutos depois já me chamaram. Quando entrei já haviam iniciado a cirurgia.

Quando o Gael ia nascer, assim que seria retirado do útero, a cortina que impede a nossa visão do que está acontecendo é abaixada, para que possamos vê-lo saindo. Não sabíamos que seria assim, mas depois a comadre nos contou que esse é o procedimento padrão da Poli. Assim que o Gael saiu, ela já o levou até a Mamãe para que ela desse um beijo nele, e depois para que eu desse um beijo. Ele ainda com o cordão umbilical. É um momento que não tem como explicar com palavras.

Ele foi levado para todo o processo de medição, pesagem, limpeza, e eu fui junto, ali no cantinho da sala de cirurgia, enquanto terminavam de fechar a Mamãe.

Depois de um tempo a pediatra levou o Gael, junto comigo, para mostrar ao pessoal que estava fora do centro cirúrgico, para que o vissem. Foi apenas nessa hora que o peguei no colo. Voltamos para a sala de cirurgia, e logo em seguida a Mamãe foi para a recuperação….comigo e com o Gael! Só nos separamos quando fomos para o quarto, pois eu fui seguindo o berço do Gael.

O nascimento de um filho, não importa se é o primeiro, segundo, terceiro ou décimo, é sempre um momento mágico e singular. O amor que cada um recebe não é dividido. É multiplicado.


A gravidez: montanha russa


Quando descobrimos a gravidez do Gael, depois da alegria inicial (ou desespero inicial, dependendo do ponto de vista), veio uma grande preocupação. Havíamos mudado de plano de saúde recentemente, então estávamos na carência para parto. Começamos a fazer as contas para ver quando seria o nascimento. Se o parto fosse com o tempo previsto para um parto normal, 40 semanas, estaríamos fora do período de carência. O Gael só não poderia querer nascer antes de 32 semanas.

Então veio a segunda preocupação: onde fazer o parto. Com a mudança de plano, e a ideia de esperar um pouco para ter o segundo filho, optamos por um plano mais básico para diminuir custos. E esse plano contava com apenas 6 maternidades na região metropolitana: 4 em São Paulo, 1 em Osasco e 1 em São Caetano do Sul.

O obstetra que fazia o pré-natal disse, ao ver a lista, que num deles ele poderia operar. Uma preocupação a menos. Mesmo com as referências que tínhamos do hospital não sendo boas, precisávamos conhecê-lo. O que acabou acontecendo numa noite em que a Mamãe teve uma crise de pressão alta e fomos para lá. O atendimento foi, por falta de palavra melhor, tenebroso. Decidimos que, definitivamente, nesse hospital o Gael não nasceria.

Nesse meio tempo mudamos de obstetra, pois houve uma quebra de confiança. A Mamãe teve uma crise alérgica muito forte, e pediu para marcar uma consulta com o obstetra, mas ele disse para que procurássemos um especialista. Mesmo que ele não soubesse o que fazer, deveria ter nos recebido para no mínimo nos acalmar.

Fomos na obstetra que fez o parto do nosso afilhado, que nos atendeu muito bem, nos deu muita confiança, mas tinha um problema: não atendia nosso convênio. Teríamos que fazer o resto do pré-natal e o parto no particular. Além do hospital, que não estávamos confiantes nas opções do plano.

Durante outra crise de pressão alta, acabamos indo para o hospital São Luiz, unidade Itaim, que era onde a obstetra atendia. Fomos no particular, na emergência. Foi solicitado que a Mamãe fosse internada, então começamos a buscar por uma opção de hospital. Demos a lista dos hospitais que o convênio cobria para o tesoureiro do São Luiz ajudar a buscar uma vaga (vale um agradecimento a ele: não tinha obrigação alguma de fazer isso. Nos ajudou muito!). Na lista estava o Hospital e Maternidade Sino Brasileiro, em Osasco, que não sabíamos que era da mesma rede do São Luiz. Conseguimos uma vaga para ela lá. Esse hospital se mostrou uma grata surpresa, com instalações boas e ótimo atendimento, e acreditamos que havíamos conseguido o hospital para o parto e que o convênio cobria. Faltava apenas ver se a obstetra poderia fazer o parto lá.

Conversamos com a obstetra, que pediu a lista de hospitais, e viu que havia ali um no qual ela havia trabalhado no início da carreira, e do qual ela gostava muito. Tínhamos mais uma opção! Nós acabamos indo nesse hospital numa crise de enxaqueca que a Mamãe teve, e a parte de emergência dele nos deu um pouco de medo, mas o andar da obstetrícia era um oásis. E decidimos que seria ali mesmo! Bastaria, claro, o Gael não nascer antes do tempo!


Dia 0 – o nascimento


Chegou o grande dia, e quem disse que estava tudo pronto? Sempre falta algo, se esquece de algo…eu quase esqueci os óculos.

A chegada à maternidade foi tranquila, mas o processo de internação, esse sim deu trabalho. Era para a Mamãe subir ao quarto antes de ir para o centro cirúrgico, mas atrasaram tudo e ela foi direto.

Enquanto ela estava na triagem eu fiquei recebendo os familiares que veriam o parto pela “janela”. Não parava de chegar gente, e eu nem sabia o que fazer de tão nervoso que estava. Parecia uma barata tonta.

Mas o coração disparou mesmo quando ligaram no quarto para que eu descesse com a primeira troca de roupa do Biscoito e um documento meu. Já iria me trocar para acompanhar a Mamãe no centro cirúrgico.

Fiquei esperando me chamarem para subir à sala de cirurgia. Esses foram os minutos mais longos de minha vida até hoje. Aguardar um telefone dizendo “pode subir”.

Na sala de cirurgia eu apenas tentava acalmar a Mamãe, mas acho que sem muito sucesso. Se eu não sabia o que fazer, imagine ela deitada na maca, anestesiada sem poder se mexer.

Mas só há uma emoção comparável àquela sentida quando o médico diz “o Biscoito está chegando” e você vê a cabeça cheia de cabelos dele saindo do ventre de sua amada: quando escuta pela primeira vez as batidas do coração dele no ultrassom.

Acompanhar os primeiros minutos de vida do seu filho de tão perto, mas ainda não poder segurá-lo é ao mesmo tempo mágico e angustiante! Só depois de pesado, medido, pezinhos sujos (e depois limpos), pulseiras conferidas e colocadas, enrolado e com capuz é que posso tê-lo em meus braços. Admirá-lo de perto. Sentir seu cheiro. E levá-lo para conhecer o rosto da Mamãe…e a Mamãe conhecer o rosto dele.

Se passam longuíssimas uma hora e meia até que Mamãe e Biscoito chegam no quarto. O primeiro momento da nova família sozinha e junta. O primeiro momento em que você olha para aquela pequena pessoa e promete para si mesmo: nunca faltará nada pra você! Nunca te deixarei desamparado! Sempre vou te amar!