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Despedidas


Quando se tem um bebê sempre há elementos que algum dia deixarão de ser usados. Uma calça que fica apertada, uma meia que marca o pé, uma chupeta que de tanto usar já mudou de cor.

Há outros que ficamos esperando ansiosamente para que sejam aposentados, como as fraldas. Não gastar mais dinheiro com cocô é um sonho. Ou as mamadeiras, terminando com o ritual de lavar e esterilizar – ou sair correndo porque o bebê está com fome e não tem nenhuma limpa.

Mudanças de brinquedos também entram na dança. Saem os brinquedos coloridos que fazem barulho para os brinquedos que fazem muito barulho e que podem não ser tão coloridos. E também entram os brinquedos com vida própria, implicando em manter um estoque de pilhas e um rombo na carteira ou tentar sociedade na Duracell.

Hoje damos adeus a uma companheira de longas jornadas, utilizada quase que ininterruptamente nestes últimos 2 anos e 7 meses. Ela que nos foi muito útil e necessária, permitindo que nossas bebês crescessem saudáveis sem nenhuma dor de barriga (exceto as causadas pelos dentes, mesmo com os médicos dizendo que não tem nada a ver), ela que era presença certa na nossa cozinha, quase sempre visível sobre o fogão. Ou às vezes até em viagens!

Um adeus caloroso, não muito saudoso, a você, panela de vidro, utilizada para esterilizar a água das mamadeiras. Muito obrigado pelos serviços prestados!

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Obrigado, panela!

Como o Gael já está mais desenvolvido e com sistema imunológico mais forte não há mais necessidade de esterilizar a água usada nas mamadeiras. Sem contar que ele já está comendo, inclusive frutas, então faz menos sentido ainda.

Agora a panela irá se juntar às outras panelas, no armário, para usos menos nobres, como fazer caldas, molhos…


Peito, copo ou mamadeira?


Enquanto estava grávida, Mamãe me perguntou por várias vezes o que eu acharia dela se ela não conseguisse amamentar, por qualquer que fosse o motivo. Poderia ser porque ela não gostasse (acontece da mulher não se sentir confortável ou mesmo criar ojeriza à amamentação), porque o Biscoito não iria querer mamar ou porque simplesmente poderia acontecer de não ter leite.

Sempre respondia que jamais acharia ela menos ou mais mãe por dar de mamar. Se por algum motivo, qualquer um, não fosse possível dar de mamar haveria alternativas, e jamais a julgaria por isso. Nem permitiria que alguém a julgasse.

O Biscoito saiu da maternidade mamando no peito. Mas não sabíamos quanto efetivamente ele mamava! O seio não é transparente para ver (aqui houve uma falha no projeto dos mamíferos, ou talvez não: quem sabe o bebê não conseguisse mamar se visse tudo que tem dentro do seio…). E ele não estava mamando o suficiente. Começou a emagrecer. E isso para um recém-nascido é perigo de morte.

Mamãe tentava a todo custo dar o peito, chegando a ficar com um dos seios tão machucado que bastava o Biscoito pegar para ela se contorcer e chorar de dor. Tenho certeza que ela não urrava de dor apenas para não assustar o Biscoito. Cada vez que ela ia dar esse peito eu segurava sua mão e colocava sua cabeça no meu ombro, para que ela pudesse apertar e gritar abafado.

Aí tivemos a consulta com o Dr. Atra, que mandou entrar com fórmula imediatamente. Foi quando eu disse à Mamãe para dar um descanso para aquele seio, para que ele se recuperasse e déssemos chance para o leite voltar.

É incrível a quantidade de pessoas que dizem “você está dando fórmula? Que horror”! Mas não entendem que para os pais isso é o último recurso. Para uma mãe então é quase o fim do mundo! Nem imagino o sofrimento que deve ser para uma mãe não conseguir alimentar o filho, mas vi o sofrimento que é tentar e não ser suficiente.

As pessoas dizem para continuar tentando dar o peito, que o leite uma hora vai sair. Só que não sabemos quanto tempo vai levar para o leite sair (se algum dia efetivamente sair!), e quando isso acontecer pode ser tarde demais para o bebê. Entre insistir em algo que não está dando certo e correr o risco de matar seu filho, e partir para a fórmula, não acho que exista escolha.

Partimos então para a fórmula, inicialmente no copinho, para evitar que o Biscoito se acostumasse à mamadeira e deixasse de mamar no seio. Mas no copinho além de demorar muito e desgastar o bebê (imagine você com muita sede e tomando água com conta-gotas), muito do leite era desperdiçado pois ia pra todo lugar, menos pra boca. Então decidimos partir para a mamadeira.

Já tínhamos comprado um conjunto de mamadeiras da Avent, para usar mais pra frente, e tentamos elas. Tinha visto que no bico delas havia um número 2, mas não me liguei muito no que isso significava. O Biscoito estava tomando, mas não estava indo muito bem. Era muito rápido e isso fazia com que ele tomasse muito, regurgitasse um tanto, e entrasse muito ar junto provocando desconfortos nele. Compramos uma mamadeira para recém-nascido. E no bico havia um número 1. Estávamos usando mamadeira errada. Ele se adaptou muito bem com a nova! E como ele precisa fazer um esforço maior para mamar, continua mamando no peito também, apesar de não ter muito leite.

Mas pouco leite materno é melhor que nenhum! Então ele mama no peito, e depois completamos com a fórmula na mamadeira.

Graças a isso ele está engordando, percebemos que está bem, está feliz.

Em todo lugar você lê que sempre se deve dar o leite materno, que essa deve ser a única fonte de alimentação do recém-nascido, que as mães devem insistir pois sempre vai ter leite, o corpo sempre vai produzir. Pois é….a vida real é diferente, e ninguém prepara a mãe e o pai para o que pode dar errado.