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Despedidas


Quando se tem um bebê sempre há elementos que algum dia deixarão de ser usados. Uma calça que fica apertada, uma meia que marca o pé, uma chupeta que de tanto usar já mudou de cor.

Há outros que ficamos esperando ansiosamente para que sejam aposentados, como as fraldas. Não gastar mais dinheiro com cocô é um sonho. Ou as mamadeiras, terminando com o ritual de lavar e esterilizar – ou sair correndo porque o bebê está com fome e não tem nenhuma limpa.

Mudanças de brinquedos também entram na dança. Saem os brinquedos coloridos que fazem barulho para os brinquedos que fazem muito barulho e que podem não ser tão coloridos. E também entram os brinquedos com vida própria, implicando em manter um estoque de pilhas e um rombo na carteira ou tentar sociedade na Duracell.

Hoje damos adeus a uma companheira de longas jornadas, utilizada quase que ininterruptamente nestes últimos 2 anos e 7 meses. Ela que nos foi muito útil e necessária, permitindo que nossas bebês crescessem saudáveis sem nenhuma dor de barriga (exceto as causadas pelos dentes, mesmo com os médicos dizendo que não tem nada a ver), ela que era presença certa na nossa cozinha, quase sempre visível sobre o fogão. Ou às vezes até em viagens!

Um adeus caloroso, não muito saudoso, a você, panela de vidro, utilizada para esterilizar a água das mamadeiras. Muito obrigado pelos serviços prestados!

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Obrigado, panela!

Como o Gael já está mais desenvolvido e com sistema imunológico mais forte não há mais necessidade de esterilizar a água usada nas mamadeiras. Sem contar que ele já está comendo, inclusive frutas, então faz menos sentido ainda.

Agora a panela irá se juntar às outras panelas, no armário, para usos menos nobres, como fazer caldas, molhos…


Retroceder é preciso…às vezes


Quando o bebê vira o pescoço para procurar a origem do som é um alvoroço! A partir desse ponto todo mundo começa a conversar com ele para ver as expressões. Conversar com o Gael é uma delícia, pois ele responde de verdade! Sem contar que dá para ver na face dele a mudança de semblante, o franzir de sobrancelhas, e a risada bangela mais gostosa do mundo.

Ao engatinhar e andar eles passam a ir onde querem. Algumas vezes, com muita sorte e convecimento, é possível levá-los para onde deve ir. Nesse momento a vida já é deles. Não há mais nada que possa segurá-los! Obstáculos eles pulam. Se forem muito altos, não tem problema, ou contornam ou usam escadas. Subir no sofá já não é mais exercício, é ação automática.

Depois vem a comida, quando eles passam a comer o que querem e não o que damos. Claro que quando a fome é grande vai o que tiver pela frente, mas até aí muito choro e gritaria já aconteceu.

E finalmente o primeiro passo de total independência dos pais foi dado pelo Tom: ele começou a ir para a escolinha. Em janeiro ele começou a frequentá-la, mas ainda apenas como curso de férias, que duraram o mês de janeiro inteiro.

No começo de fevereiro começariam as aulas em si. Seria o fim de ir para a escola exclusivamente para brincar e o começo de ir para a escola tendo tarefas a cumprir. Só que uma gripe muito forte derrubou a casa toda. E essa gripe começou justamente com o próprio Tom. Foi uma semana de febre e muita, muita tosse. Ele não conseguia sequer tomar uma mamadeira que engasgava por causa da tosse. Como a febre não diminuía, tivemos que partir para o tão indesejado antibiótico.

Depois de 15 dias ele melhorou, e finalmente voltou a ir para a escola. Notamos que o comportamento dele havia mudado um pouco. Antes ele ia numa boa, chorava um pouco na despedida mas logo em seguida ia junto aos amiguinhos brincar. Ao final do dia, quando íamos buscá-lo, ele sempre vinha correndo sorrindo, com uma alegria contagiante lindo de ver, e queria nos levar para dentro para mostrar a sala e brincar junto. Mas após esse retorno, ir buscá-lo passou a ser duro, pois quando ele nos via começava a chorar. Vinha correndo, mas chorando. E não era um choro de não quero ir embora, era um choro de me leva embora logo.

Aí aconteceu de novo: no final do mês ele ficou doente outra vez. Novamente febre. E a tosse que ele pegou na gripe do começo do mês não havia passado.

Levamos no pronto socorro, e tanto lá quanto o pediatra disseram a mesma coisa: é preciso tomar cuidado não com ele, Tomás, mas com o Gael! Se o Gael pegar essa gripe que, novamente, o Tom pegou, o Gael precisaria ser internado pois não há remédio que se possa dar para um recém-nascido. E outra vez foi pro antibiótico.

A Mamãe e eu decidimos que o melhor para o Gael e para o Tomás neste momento seria retirar o Tom da escola. Invariavelmente ele ficaria doente com o contato com outras crianças. Isso é assim mesmo. Só que não podemos deixar os dois irmãos separados! Vira e mexe o Tom pede para pegar o Gael no colo, e agora cada vez mais o Tom interage com ele. Não seria justo com nenhum dos dois impedir ou limitar esse contato. Sem contar que não havia mais alegria no Tom para ir na escola.

Foi uma decisão complicada, pois isso implicaria em que a Mamãe teria que ficar com os dois em casa, e o tempo que o Tom ficaria na escolinha que poderia ser aproveitado de diversas formas, principalmente descansando, não mais existiria. Mas o bem estar dos pequenos vem em primeiro lugar.

Demos um passo para trás, com a certeza de termos feito a escolha correta.


A primeira fruta


O Gael está perto de completar 6 meses, então também chegou o momento do primeiro grande passo na vida dele: começar a comer!

Escolhemos o sábado, assim tanto eu quanto a Mamãe poderíamos acompanhar as primeiras mordidas dele (não que ele já tenha dentes para morder, é apenas figura de linguagem…apesar que já notamos que os dentinhos estão começando a aparecer). Fomos atrás das frutas torcendo para que não acontecesse o mesmo que rolou com o Tomás.

Tivemos mais sorte e deu para comprar várias frutas pro caso de alguma não estar boa pra ele. Mas a escolha mais óbvia, claro, foi a banana! Para deleite da Mamãe! Conseguimos comprar 4 bananas maduras, prontas para o consumo. E também mais algumas ainda um pouco verdes, para o resto da semana.

Ao chegar em casa eu fui provar uma das bananas para ver se estava boa. Passou no controle de qualidade. Deixei em cima da pia enquanto montávamos a cadeirinha, limpávamos o pratinho, em suma, preparávamos o ambiente. O Tomás viu a banana e só parou de gritar quando demos pra ele. Aquela que já estava aberta. Não aceitou uma nova.

Então lá fui eu pegar outra banana para dar ao Gael. Cortei um pedacinho para amassar, outro pedacinho para dar na mão dele…e o resto obviamente o Tomás pediu de novo e comeu.

A primeira colherada da banana amassada o Gael fez uma cara do tipo “o que é isso que vocês estão me dando? Eu quero tetê, não esse troço melado”! Na segunda colherada já não fez careta…e daí em diante foi comendo a banana. O pedacinho que separamos pra ele pegar era pequeno demais, então não conseguia segurar. Peguei outra banana para dar um pedaço maior pra ele. E obviamente o Tomás comeu o resto.

No domingo, após o almoço, demos melancia para o Tom, e a Mamãe acabou pegando um pedaço pequeno para dar ao Gael. Ele chupou sem muita empolgação no começo, mas depois até segurou sozinho e levou na boca!

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No final do dia, mais um pouco de banana. Dessa vez o pedacinho amassado foi todo comido, e o pedaço maior que era pra ele segurar acabou também sendo mordido! Ele deu várias bicadinhas em volta!! E quem comeu o resto da banana? Não, não foi o Tom! Foi o Papai mesmo!

Acho que começamos bem com a introdução alimentar do Gael!

Que venham o feijão e a costela!!


Mamadrugadas


Já comentei bastante que o Tomás sempre vai para nosso quarto durante a noite. Por enquanto o Gael dorme no moisés do carrinho, ao lado da nossa cama. O principal motivo para isso é o medo dele passar mal e também de acordar o Tomás quando começar a chorar pela mamadeira.

Normalmente o Gael, pouco antes de mamar, começa a se mexer, resmungar, e só chora quando a fome realmente aperta ou quando ele acha que ninguém está dando bola (leia-se ninguém o pega no colo). Mas à noite, conosco dormindo, quem é que ouve as reclamações? É só o choro mesmo!

As mamadas do Gael ainda não seguem um padrão bem determinado durante as noites. Já teve noite em que ele não acordou como teve noite que foi de 3 em 3 horas. O problema destas noites (em que ele acorda) é que às vezes demora para voltar a dormir.

Já o Tomás nunca teve uma rotina determinada durante as madrugadas, mas quase sempre teve pelo menos uma mamada. Agora com o Gael, como era de se esperar, a cada mamadeira pro Gael, vai uma pro Tomás também. A vantagem das mamadeiras pro Tom é que basta prepará-la e dar pra ele, que ele se mesmo segura, toma e devolve ao terminar. Sem contar que o menino é rápido! Às vezes não leva nem 1 minuto pra tomar 180ml. Já o Gael….chega fácil a uns 30 minutos o processo de mamar, arrotar e voltar a dormir.

Neste noite aconteceu algo diferente: o Tom não reclamou que queria mamar. Apenas apontou a mamadeira. Quando falei que ia preparar (pois as que estavam ali no quarto eram as do Gael), e achei que ele ia resmungar e gritar, apenas veio pro meu colo, como que dizendo vou junto. Fui na cozinha, peguei a mamadeira, enchi de água, esquentei e voltamos ao quarto pra colocar o leite. Aí deitei ele na cama, achando que agora sim ele abriria o berreiro, mas que nada. Aguardou pacientemente os 3 segundos até eu pegar a mamadeira, bebeu, virou pro lado e dormiu.


Esse…esse…buááá!


O Tomás, durante o curso de férias da escolinha, janta lá. Ou pelo menos dizem que sim, pois sempre que nós vamos jantar, se ele ainda está acordado, também quer comer. Considerando a energia que esse menino tem, até faz sentido ele ter dois ou três almoços e jantares por dia.

Ontem foi um desses dias em que sentamos para jantar e ele ainda estava acordado. Então se juntou a nós. A Mamãe, sábia, deu um sorvete pra ele. Assim poderíamos ter um pouco de paz durante o jantar. O menu do dia era hambúrguer. Então na mesa estavam os sanduíches de cada um, mostarda e catchup. Ele não pode ver o pote de catchup. Ele ama catchup, para nossa tristeza.

Ficou apontando até que colocamos um pouco no prato dele. Lembra do sorvete? Pois é, estava no prato também. Ele comeu um pouco de sorvete com catchup. Mas ficou pedindo cada vez mais, chorando, fazendo birra. E nesse meio tempo o Gael acordou pois era quase hora de mamar. Imagina a cena: Mamãe, Bisa e eu tentando comer, Tomás chorando porque queria catchup, Gael chorando no carrinho porque queria mamar.

Fizemos o possível: Mamãe pegou o Gael, eu engoli meu sanduíche e peguei o Tomás pra dar banho. Praticamente não conversei com ele. Dei o banho, coloquei o pijama nele, preparei a mamadeira e fomos para o quarto. Ele tomou o leite e deitou.

Normalmente eu fico deitado com ele, com a cabeça numa almofada e deixo ele deitar em cima do meu braço. Para brincar um pouco ele fica trocando a almofada que está embaixo da minha cabeça. Como estava bravo com ele (na verdade não estava assim tão bravo, mas tinha que demonstrar que sim), não deitei junto, ficando apenas sentado na cama. O safadinho pegou a almofada e colocou atrás da minha cabeça, por conta própria. Aí deitei, ele colocou a cabeça em cima do meu braço esticado, e dormiu.


Se meu berço chorasse


O Gael é um bebê calmo, muito calmo! Ele chora em alguns poucos casos.

Pode estar com fome, o que é fácil de saber: basta fazer as contas para saber o horário da mamada. Se estiver perto, coisa de 20 minutos mais ou menos, pode apostar que é dar a mamadeira que ele se acalma. E durante o dia raramente o intervalo entre mamadas passa das 3 horas! À noite já é relativamente comum ele espassar os intervalos.

Outro motivo de choro pode ser o desconforto, principalmente com a fralda. Ele faz muito, mas muito xixi!! Faz tanto que tivemos que trocar a marca da fralda porque a anterior não segurava à noite. Então se a fralda estiver cheia pode apostar que vai ter reclamação. E também odeia ficar com cocô. Mas até aí quem gosta, não é?

Sono. Este também é um grande motivo para choro do Gael. E junto a ele aparece um dos principais motivos de reclamação do pequeno: ficar no bercinho (que por enquanto não é exatamente o berço, mas o moisés do carrinho). Ele fica por algum tempo, mas tem que ter alguém junto! Sozinho nem pensar!

Para colocar ele pra dormir cada um tem sua tática em casa…a Mamãe dá um pouco de peito. Eu, na ausência desse equipamento, tenho que ficar com ele no colo. E o melhor: não posso ficar sentado! Assim que eu sento o altímetro dele dispara e junto vem o bico, o lábio tremendo, a lágrima dos olhinhos e o berreiro. Nessa exata ordem. Tenho que ficar andando com ele e chacoalhando. Ele vai dar uma resmungada e logo em seguida vai fechar os olhos. Claro que até resmungar podem se passar algumas horas.

No carro ele é exatamente como era o irmão: carro parado, choro constante. Carro andando, silêncio. E o velocímetro já funciona muito bem, obrigado. Assim que o carro começa a diminuir a velocidade e baixa dos 20Km/h, ele já começa a reclamar.

O melhor de tudo são as gargalhadas que ele dá! E também as altas conversas filosóficas com todos que se dispõem a dar atenção a ele! Se o Tomás não se cuidar, o Gael começa a falar antes que ele.


Doutor cheio de graça


Ontem foi dia de consulta no pediatra do Gael. Eu estava com um pouco de receio que ele dissesse que estava ficando acima do peso. Na medição ele está com 6.755 gramas. Mas pela curva peso/altura está perfeito! Não mudou de curva desde que nasceu e continua firme e forte nela.

Só que teve bronca. Pra mim! O motivo? Não fui na consulta! Como ela foi marcada para o começo da tarde, assim não seria necessário levar o Tom (pois estaria na escolinha), eu acabei não indo para não ter que sair cedo do trabalho. E ele disse que esgotei minha cota de faltas a consultas do ano. Detalhe: esta foi a primeira consulta de 2019.

Mas ele está certo. Como pai eu tenho a obrigação de acompanhar tudo sobre os filhos, de saber o que está acontecendo, como está o desenvolvimento, e estar junto sempre neste começo de vida.

De resto está tudo ótimo com nosso pequeno. Houve recomendação para evitar viagens a determinados locais que são focos de febre amarela e ele não pode ser vacinado ainda…além de ser muito difícil manter pernilongos afastados daquela gostosura!


Despedida matutina


Um dos primeiros desejos de todos os pais é, ao chegar em casa no final do dia de trabalho, o filho vir correndo (ou engatinhando) para receber um beijo e um abraço bem apertado.

Quando vamos pegar o Tom na escola é exatamente isso que acontece! Ele pode estar brincando, dançando, ou simplesmente andando pra lá e pra cá, que ao nos ver imediatamente abre um sorriso lindo e vem correndo.

Mas existe o outro lado da moeda. O momento da despedida. E nesta semana comecei a passar por isso ao sair para trabalhar. Como estamos tentando colocar um novo ritmo na casa, indo cedo para a cama e consequentemente acordando cedo também, todo mundo começa a despertar quando eu saio. Isso quer dizer que o Tomás me vê saindo, e ele não gosta!

Ontem cheguei atrasado no trabalho porque fiquei com ele no sofá um tempão vendo desenho na TV. Ele não queria me deixar sair, e foi um chororô danado. Hoje ele levantou correndo da cama e veio me pegar na sala, pedindo colo. Levei de volta pro quarto e dei uma mamadeira, aproveitando para sair enquanto ele tomava o leite. Segundo a Mamãe, quando ele percebeu que eu já não estava mais em casa, chorou um pouco.

O Gael ainda é muito pequeno para perceber essas coisas, mas que ao chegar em casa e dar oi pra ele, ele dá um sorrisão, ahhhh isso dá!


Gael: seja bem-vindo


Após todos os acontecimentos durante a gravidez, esperávamos por um parto tranquilo, já que tínhamos tudo decidido e encaminhado. Mas a vida, ahhhhh a vida…

A gravidez teve muitos altos e baixos, com vários problemas. No final dela a Mamãe estava se sentido muito cansada, com muitos picos de pressão alta, e com o bebê provocando como se fossem cãimbras por conta do tamanho. O Gael estava muito bem, obrigado. Segundo a obstetra ele poderia chegar tranquilamente às 40 semanas, e talvez até nascer de parto normal, que chegou a ser um desejo da Mamãe em alguns momentos. Mas como a Mamãe estava sofrendo muito, foi decidido que seria cesárea e que seria marcado para a sexta-feira ou para a segunda-feira seguinte.

Na sexta-feira a Mamãe não acordou bem, e conversando com a obstetra foi decidido, por volta das 10:30, que seria nesse mesmo dia. Ela deveria internar às 13:00 e o parto seria às 16:00. Minhas roupas e da Mamãe já estavam prontas? Claro que não! Foi uma correria danada, mas às 13:00 estávamos no hospital para internar.

Não sabíamos como seria o parto. Para o Tom havíamos visitado a maternidade e já sabíamos de todos os procedimentos. Ali não tivemos tempo de fazer isso, então tudo nos foi sendo explicado conforme acontecia. Sabíamos que o bebê sempre fica com a mãe no quarto, saindo apenas para alguns exames e para o primeiro banho.

Nesse hospital apenas o acompanhante pode ver o parto. Não há janelinha para ninguém de fora ver. A Mamãe foi levada para a preparação, e logo em seguida eu fui ficar com ela, já com a roupa esterilizada (que achei esquisito colocar por cima da roupa que estava). Nos separamos mais uma vez quando ela foi levada para a sala de cirurgia, mas poucos minutos depois já me chamaram. Quando entrei já haviam iniciado a cirurgia.

Quando o Gael ia nascer, assim que seria retirado do útero, a cortina que impede a nossa visão do que está acontecendo é abaixada, para que possamos vê-lo saindo. Não sabíamos que seria assim, mas depois a comadre nos contou que esse é o procedimento padrão da Poli. Assim que o Gael saiu, ela já o levou até a Mamãe para que ela desse um beijo nele, e depois para que eu desse um beijo. Ele ainda com o cordão umbilical. É um momento que não tem como explicar com palavras.

Ele foi levado para todo o processo de medição, pesagem, limpeza, e eu fui junto, ali no cantinho da sala de cirurgia, enquanto terminavam de fechar a Mamãe.

Depois de um tempo a pediatra levou o Gael, junto comigo, para mostrar ao pessoal que estava fora do centro cirúrgico, para que o vissem. Foi apenas nessa hora que o peguei no colo. Voltamos para a sala de cirurgia, e logo em seguida a Mamãe foi para a recuperação….comigo e com o Gael! Só nos separamos quando fomos para o quarto, pois eu fui seguindo o berço do Gael.

O nascimento de um filho, não importa se é o primeiro, segundo, terceiro ou décimo, é sempre um momento mágico e singular. O amor que cada um recebe não é dividido. É multiplicado.


A gravidez: montanha russa


Quando descobrimos a gravidez do Gael, depois da alegria inicial (ou desespero inicial, dependendo do ponto de vista), veio uma grande preocupação. Havíamos mudado de plano de saúde recentemente, então estávamos na carência para parto. Começamos a fazer as contas para ver quando seria o nascimento. Se o parto fosse com o tempo previsto para um parto normal, 40 semanas, estaríamos fora do período de carência. O Gael só não poderia querer nascer antes de 32 semanas.

Então veio a segunda preocupação: onde fazer o parto. Com a mudança de plano, e a ideia de esperar um pouco para ter o segundo filho, optamos por um plano mais básico para diminuir custos. E esse plano contava com apenas 6 maternidades na região metropolitana: 4 em São Paulo, 1 em Osasco e 1 em São Caetano do Sul.

O obstetra que fazia o pré-natal disse, ao ver a lista, que num deles ele poderia operar. Uma preocupação a menos. Mesmo com as referências que tínhamos do hospital não sendo boas, precisávamos conhecê-lo. O que acabou acontecendo numa noite em que a Mamãe teve uma crise de pressão alta e fomos para lá. O atendimento foi, por falta de palavra melhor, tenebroso. Decidimos que, definitivamente, nesse hospital o Gael não nasceria.

Nesse meio tempo mudamos de obstetra, pois houve uma quebra de confiança. A Mamãe teve uma crise alérgica muito forte, e pediu para marcar uma consulta com o obstetra, mas ele disse para que procurássemos um especialista. Mesmo que ele não soubesse o que fazer, deveria ter nos recebido para no mínimo nos acalmar.

Fomos na obstetra que fez o parto do nosso afilhado, que nos atendeu muito bem, nos deu muita confiança, mas tinha um problema: não atendia nosso convênio. Teríamos que fazer o resto do pré-natal e o parto no particular. Além do hospital, que não estávamos confiantes nas opções do plano.

Durante outra crise de pressão alta, acabamos indo para o hospital São Luiz, unidade Itaim, que era onde a obstetra atendia. Fomos no particular, na emergência. Foi solicitado que a Mamãe fosse internada, então começamos a buscar por uma opção de hospital. Demos a lista dos hospitais que o convênio cobria para o tesoureiro do São Luiz ajudar a buscar uma vaga (vale um agradecimento a ele: não tinha obrigação alguma de fazer isso. Nos ajudou muito!). Na lista estava o Hospital e Maternidade Sino Brasileiro, em Osasco, que não sabíamos que era da mesma rede do São Luiz. Conseguimos uma vaga para ela lá. Esse hospital se mostrou uma grata surpresa, com instalações boas e ótimo atendimento, e acreditamos que havíamos conseguido o hospital para o parto e que o convênio cobria. Faltava apenas ver se a obstetra poderia fazer o parto lá.

Conversamos com a obstetra, que pediu a lista de hospitais, e viu que havia ali um no qual ela havia trabalhado no início da carreira, e do qual ela gostava muito. Tínhamos mais uma opção! Nós acabamos indo nesse hospital numa crise de enxaqueca que a Mamãe teve, e a parte de emergência dele nos deu um pouco de medo, mas o andar da obstetrícia era um oásis. E decidimos que seria ali mesmo! Bastaria, claro, o Gael não nascer antes do tempo!