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Dia 279 – Um Quase Acidente


Imaginávamos de várias formas o acontecimento, mas acho que nunca da forma como aconteceu. Tentamos a todo custo evitar, fazendo as coisas sempre da melhor forma possível, mais segura, mais tranquila.

Tudo começou quando chegamos em casa, e o Biscoito estava meio estressado. Acho que muita gente ficou olhando pra ele no shopping, ou o carrinho balançou demais durante o passeio pelos corredores, ou de repente a roupa não estava do agrado dele. Ou quem sabe o carro não estava na temperatura e velocidades corretas na volta pra casa. Não importa muito. Ao chegar resolvemos tirar a roupinha dele, já que estava calor.

E como já íamos preparar o banho, também resolvemos tirar a fralda. Como diriam alguns, big mistake.

Há um amigo que vive dizendo que acidentes aéreos acontecem por uma sequência de falhas que, isoladamente, não são perigosas, mas que juntas geram grandes problemas. Concordo com ele. E deixar o Biscoito como veio ao mundo foi o gran finale para uma sequência de ações.

Ele deu um sinal, um aviso, que não foi levado muito em consideração. Estava brincando com ele no tapete da sala, quando ele soltou um jato de xixi. Não deu nem tempo de pegá-lo e virá-lo para o piso. Quando terminei o movimento acho que ele se assustou e parou de urinar. Devia ter considerado o aviso com mais atenção.

Poucos minutos depois ele começou a se concentrar. Mais um sinal. Ignorado novamente. Só deu tempo de ver alguma coisa saindo das costas dele!

– Amor, deu ruim! – gritei.

Procurei alguma coisa para impedir que ele, o inominado, aquele que não deve ser mencionado, o Grande Cocô, atingisse o tapete. Não achei nada. Não restou alternativa. Taquei a mão para segurar o cocô enquanto a Mamãe pegava ele no colo para corrermos pro banheiro.

Nesse momento agradeci à Santa Marmita, ao Nosso Senhor do Bom Pasto e principalmente ao Dr. Atra por não ter deixado nenhuma restrição alimentar e agora todo o cocô do Biscoito ser bem sólido.

Sempre imaginávamos que nossa primeira experiência cara a cara com o Grande Cocô seria durante uma troca de fraldas. Nunca na sala de casa brincando.

No futuro não vou precisar dizer pra ele, naquele momento de fúria, “me respeita que eu troquei tua fralda”…vou poder dizer “me respeita que eu segurei tua m****”!


Dia 110 – Aventuras no porta-malas


Nós saímos o dia inteiro neste domingo, e em dado momento eu fiquei com o Biscoito no carro, cuidando dele. Procurei um lugar calmo e com sombras para que o sol não ficasse na cara dele, estacionei o carro, e fiquei brincando e conversando com ele na parte de trás. Deu hora da mamadeira, preparei e comecei a dar. Percebi que ele estava fazendo força. Isso quer dizer cocô. Aí começou o barulho…a cada som que vinha da parte inferior do Biscoito o desespero aumentava dentro de mim.

Quando parou de mamar nem precisei colocar o nariz na bunda dele para sentir que realmente havia feito o serviço. Sem contar que nem mamou tudo! Ele não gosta de ficar sujo!

Ia precisar trocá-lo! Olhei pros bancos do carro, e ali seria impossível! Eles são inclinados. Olhei pro piso, no espaço entre o banco dianteiro e o traseiro…tem um bom espaço ali! Ele caberia! O problema é que eu não teria onde ficar, e seria bem ruim pois a porta não deixaria ter muita movimentação.

Estava perto de um shopping….e se fosse até lá pra trocar no banheiro? Poderia ser uma boa ideia. Só que era o shopping Tatuapé. Imagina um shopping cheio. Não, mais gente. Dobra. Então, ainda não chegou perto de como é aquele lugar! Não vou entrar num shopping cheio de gente com o Biscoito. E se procurar uma farmácia, pra pedir pra usar o banheiro? Minha cara de pau não chega a tanto….ainda.

Aí me deu um estalo! O porta-malas do carro é grande, bem grande! Basta tirar a casa que tá nele que vai ter bastante espaço pra trocar o Biscoito. Resolvido!! Só que não dá pra fazer isso na rua. Então fui pra um estacionamento….cheguei lá e o diálogo:

– Boa tarde! Eu posso ficar no carro aqui?

O rapaz fez uma cara meio esquisita, enquanto me dava o ticket.

– É que estou com meu filho e preciso trocá-lo! Vou ter que montar uma operação de guerra!

O cara riu…

– Pode, sem problemas!

Estacionei o carro, e lá fui eu tirar tudo do porta-malas pra abrir espaço. Forrei a tampa do estepe com meu agasalho, coloquei o trocador, e lá fui eu, todo feliz por ter achado uma solução e poder limpar o Biscoito. Até o momento em que tiro a calça dele.

Vejo que vazou um pouco do lado e sujou a calça. Ok, vou ter que trocar a roupa dele também. Na hora que eu abro a fralda…só não chorei porque tinha que parecer forte e que estava no controle pro Biscoito não se assustar. Não vou descrever a cena porque você, caro leitor, pode estar se alimentando. Mas posso dizer uma coisa: era terra arrasada! Se estivéssemos em casa era caso de banho completo!

Limpei o que deu com a fralda, e passei a usar os lenços umedecidos. Quando peguei o pacote dos lenços, e senti que estava fininho, gelei. Mas mantive a calma pensando que talvez houvesse outro fechado na bolsa. É….não tinha. Se não bastasse eu estar num estacionamento, com o porta-malas aberto, um bebê dentro dele sem as calças, ainda teria que otimizar o uso dos lenços! Já comecei a pensar qual peça de roupa minha usaria pra limpar tudo e depois jogar fora. Usei o primeiro lenço, e só deu pra dar uma passada.

O segundo consegui dar uma segunda passada. O terceiro também deu pra uma segunda. Reservei o quarto e último para uma emergência. Santa decisão! Na hora que olho a roupinha dele, nas costas, vi que vazou por ali também, e ele está sujo. Tirei a roupa toda, limpei as costas com o lenço que sobrou, e o vesti.

Saldo final: uma calça, um body e um trocador sujos, um bebê relativamente limpo e um pai feliz que agora já sabe que numa emergência dá pra usar o porta-malas do carro.

E o Biscoito mamou o resto da mamadeira e dormiu.


O que ninguém conta


Ao se pensar em bebês a primeira coisa que vêm à mente é a fofura. Não há como resistir àqueles olhinhos inocentes, aqueles bracinhos gorduchos, aquelas perninhas balançando como se estivessem numa aula de step. Aí então começam as brincadeiras sobre o cocô, o estoque de fraldas que teima em abarrotar o armário, e que no começo parece que nunca será usado, mas com o passar do tempo você descobre que pode ser pouca fralda.

Todo mundo avisa para aproveitar muito bem as noites de sono, pois elas serão raras após o nascimento. No começo você dá risada, mas depois de um tempo vai ficando chato ouvir isso. Esse é o problema: como todo mundo dá esse aviso os pais acabam cansando e começam a não prestar mais atenção achando que é mais uma brincadeira. Não é. Quando dizem que o bebê vai acordar de 3 em 3 horas para mamar, é porque ele vai acordar de 3 em 3 horas! Não interessa se são 10 da manhã, 3 da tarde ou 2 da madrugada. Ele está com fome, vai acordar e vai chorar. E chorar alto.

Não pense que são 3 horas após o final da mamada! Não é não!!! A cada 3 horas ele vai acordar, não interessa se a mamada levou 10 minutos ou 2 horas! O problema é seu se não teve tempo para dormir entre o início de uma e o início da próxima. Isso se você tiver sorte e conseguir saciar a fome do pequeno rebento. Ele pode acordar de 2 em 2 horas. E você sequer dormir!

E por fim chegam os detalhes sobre o qual ninguém fala, ninguém avisa, ninguém ensina. Não me lembro de ter ouvido sobre as toneladas de roupas para lavar. Parece óbvio, afinal o bebê não ficará pelado! Mas é uma obviedade que não enxergamos antes. Lembrando que essas toneladas de roupas consomem toneladas de sabão e de amaciante (é, você não vai querer colocar no seu bebê lindo uma roupa com cheiro ruim ou que fique pinicando ele). A cada 2 ou 3 dias a máquina de lavar é acionada para 2 ou 3 levas de roupas do Biscoito. E não é porque nós trocamos a roupa dele a todo momento porque gostamos de vê-lo vestido diferente toda hora…é porque o xixi vazou da fralda mal colocada (ou fez mais xixi do que a fralda consegue aguentar), o cocô sujou a roupa quando ele balançou aquelas pernas gostosas durante a troca querendo brincar, o leite saiu pelo canto da boca ou deu uma gorfadinha de nada, ou porque simplesmente tomou banho e não vai colocar a mesma roupa de volta.

Nossa máquina também seca. Mas roupa de bebê dizem que é melhor secar naturalmente, no varal. Então tome enchê-lo com a roupa dele. Pelo menos ela é pequena e não precisamos comprar mais um varal. Os dois que temos dão conta. E com sorte ela vai secar rápido!

Já comentei sobre as fraldas de boca? Aquelas usadas para secar a babinha ou recolher o leite que vazou, aquelas que nunca estão perto quando você as precisa e que adoram visitar o chão? Vai uma meia-dúzia por dia!

E aquela outra fralda, maior, usada para cobrir o trocador? Essa na qual ele adora fazer um xixi ou acaba sujando de cocô quando faz aquele serviço. Ou usa para limpar o bebê naquele momento em que a fralda de boca visitou o chão.

Falei sobre a roupa de cama que teve que lavar correndo porque a fralda não segurou o xixi? Sua roupa de cama, claro, pois ele estava dormindo com você!

Mas também tem aquilo que todo mundo conta: a primeira vez que ouve as batidas do coração no primeiro ultrassom quando ainda nem acredita muito na gravidez, o primeiro sorriso mesmo que seja um espasmo quando vai dormir, ou o primeiro sorriso de verdade que ele dá brincando com você e olhando nos seus olhos, o pum que ele solta enquanto está mamando e você acha lindo (agora, pois quando crescer vai levar tapa na bunda quando fizer), aqueles olhinhos vendo tudo com cara de descoberta e curiosidade.

Tudo isso que todo mundo conta, mas que não dá para explicar o sentimento que é ao ver seu filho fazer! E mesmo que alguém consiga palavras para explicar, jamais conseguirá transmitir a sensação de felicidade extrema que esses pequenos atos dão, e que fazem esquecer completamente tudo aquilo que ninguém conta.

E mesmo que não faça esquecer, faz valer a pena!