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Dia 59 – Presente de Grego


Na quinta-feira o Biscoito completou 2 meses. É, eu sei! Não são 60 dias. Quem mandou nascer em fevereiro?

E foi o dia escolhido para dar as temidas vacinas. Escolhemos esse dia pois foi véspera de feriado prolongado, então posso ficar 100% do tempo com o Biscoito e com a Mamãe.

O Dr. Atra foi enfático: pode dar todas as vacinas no posto de saúde, exceto a pneumocócica, que protege contra pneumonia e meningite. Essa ele recomendou fortemente a dar em clínica particular, pois a da clínica protege contra uma quantidade maior de variações da bactéria.

Haveria outras duas vantagens em dar todas as vacinas na clínica: uma picada a menos (no posto são 3 e na clínica 2) e reação às vacinas (na clínica quase não há reação). Os problemas são o custo (apenas a pneumocócica custa em média R$ 300,00) e a falta de uma das vacinas! Ela está em falta quase que no mundo inteiro, segundo a pediatra da clínica (apenas em alguns lugares dos Estados Unidos e da França pode ser encontrada, segundo ela).

Então não tivemos muitas opções e fomos dar as vacinas no posto, exceto a pneumocócica.

Infelizmente, de novo, não pude estar junto à Mamãe e ao Biscoito na aplicação da vacina. Quando nos chamaram a moça disse que precisava da carteirinha do SUS do Biscoito. Então fui tirar a senha para o atendimento para fazê-la. E na hora que chamaram meu número foi a hora que começaram a dar as vacinas. Quase desisti de ir e pegar outra senha depois. O problema é que tínhamos que sair correndo do posto pra clínica dar a vacina que faltava, pois ela precisava ser dada no mesmo dia, ou então só no mês que vem!

Do balcão ouvia o choro do Biscoito, e a vac….atendente não me deixou ir até a sala de vacinação dizendo que precisava de algumas informações, as quais poderia ter perguntado depois ou esperado um pouco.

Voltei à sala e o Biscoito estava no colo da Mamãe, choroso, e a Mamãe com cara de assustada. Mas ela aguentou forte!

Na clínica chegamos um pouco antes de um casal com uma menina, que foram tomar a vacina contra a gripe. Mamãe falou para eles passarem à frente para a criança não se assustar com o choro do Biscoito ao tomar a vacina. Essa é a Mamãe! Mesmo com o coração apertado pelo sofrimento do Biscoito ainda pensa nos outros!

A noite foi longa. Houve um bolinho para comemorar os 2 meses do Biscoito feito pela Mamãe, delicioso! Mas o Biscoito ficou muito choroso, e só dormiu conosco, na nossa cama. Claro que ele ficou com metade da cama e a Mamãe e eu espremidos na outra metade.

Está febril, mas pelo menos sem muita dor na perna, aparentemente. Essa reação era esperada.

Dentro de um mês nova vacinação.


Crônica do Nascimento


Recebo tio, tia, avó, primo, sobrinho. Corredor cheio. Barulho dentro e fora do quarto. Pobres famílias que estão nos outros apartamentos tentando dormir. Daqui a pouco aparece um segurança mandando todo mundo entrar no quarto, penso.

Onde coloca essa mala? E essa caixa? Cabe no armário? Cadê a Mamãe que não subiu ainda?

Santa ajuda da prima para organizar as coisas no quarto.

Vou até a enfermagem perguntar se vai demorar muito pra Mamãe subir. Está marcado para as 20:00. Já são 19:40. A enfermeira olha o relógio e diz:

– Ainda tem tempo. Vai subir sim.

Volto pro quarto. Metade da família dentro conversando, metade fora, no corredor, conversando.

Toca o telefone.

– Acompanhante da Sra. Mamãe?

– Sim, sou eu!

– O senhor deve descer na triagem com um documento seu, a autorização para entrar no centro cirúrgico e a primeira muda de roupa do bebê.

O coração dispara, e ela continua:

– A sua esposa já trocou de roupa e o senhor deve pegar as roupas que ela estava vestindo. Ela já vai subir para o centro cirúrgico.

O coração já saiu correndo do hospital.

Falo pra todo mundo que ela vai direto pro centro cirúrgico, então todos devem subir ao 5o. andar para assistir o parto. Eu vou descer pegar as roupas dela. O que é que eu tinha que levar mesmo?

Encontro Mamãe sentada, com cara assustada, já trocada para a cirurgia. Provavelmente ela deve ter visto minha cara de pânico também!

Acompanhei ela até o 4o. andar, onde eu desceria para deixar as coisas dela no quarto e me trocar. Ela seguiu pro 5o., onde cruzou com toda a família no corredor. Abraços de mãe, avô, afilhada. Aplausos. E choro! Muito choro! Depois vi pelas fotos e soube pelos relatos que foi emocionante. Mas não pude estar com ela, segurando sua mão.

Entrei na área reservada, onde médicos, enfermeiros, assistentes e acompanhantes se trocam. Tiram toda a sua roupa e colocam a do hospital. Uma calça e uma blusa. E protetores no sapato. O sapato fica. Talvez para evitar mal cheiro, quem sabe. E uma touca. Meu documento é trocado por uma chave de armário. A guardiã das chaves diz que muita gente saía do centro cirúrgico e esquecia de deixá-la de volta, indo embora com ela.

Sento no banco aguardando ser chamado. Tem um outro pai ao lado. Como homens, trocamos meia dúzia de palavras. Imagino que se fossem duas mulheres teriam saído dali com zapzap uma da outra e já teriam combinado de tomar um café depois do nascimento. Talvez tenham se passado 10 minutos. Ou 20. Ou 30. Não sei.

A enfermeira entrega uma máscara e ensina a colocar. Amarra no pescoço e deixa a parte de cima solta. Na hora de entrar na sala de cirurgia amarra atrás da orelha. É que essa máscara esquenta ao se respirar.

Mais 10 minutos. 20. 30. Uma hora?

Toca o telefone da enfermeira.

– Acompanhante de Joana (nome fictício, imagina se vou lembrar o nome da outra mãe). Pode subir, sala 4 – diz a enfermeira.

– Boa sorte e bom nascimento – digo para o pai.

– Obrigado, bom nascimento para você também – responde ele.

Nenhum de nós dois sabia que o termo correto para esse momento é “boa hora“. Assim como para um ator que vai entrar em cena é “quebre a perna”. Por que “boa hora” é uma boa pergunta! Mas com certeza melhor que “quebre a perna”.

10 minutos. 20. 30. Três horas?

Chega para se trocar uma moça que vai acompanhar um parto. Ela estava branca. Penso que deve ter sido pega de surpresa. Se tivesse 20 anos era muito. Sinto um pouco de pena pelo pai da criança não estar lá. Mas talvez não estar lá seja algo bom. Vai saber.

A enfermeira ensina o ritual da máscara para ela.

10 minutos. 20. Uma eternidade!

Toca o telefone.

– Acompanhante de Mamãe, pode subir. Sala 5.

Sinto uma descarga de adrenalina. Batimentos a 300. Nossa, o coração voltou! Que bom!

Na mão está a troca do Biscoito e a autorização para entrar no centro cirúrgico. Tento colocar a máscara com uma mão só. Deve realmente ser a adrenalina. Óbvio que não consigo. Chego no andar e entrego a autorização. Paro na porta da sala de cirurgia, coloco a troca no meio das pernas e uso as duas mãos para colocar a máscara.

Devo esperar alguém abrir a porta ou já entro? Vou entrar. No pior dos casos me mandam sair e esperar.

Entrego a troca de roupas para uma médica…enfermeira….assistente….pediatra….sei lá, para alguém! E me dizem para sentar num banquinho na cabeceira da maca, ao lado da Mamãe. Dou a volta na maca e nem vejo o que os médicos estão fazendo. Quero ver logo como está a Mamãe! Um alívio por vê-la ali. E uma força nem sei de onde vem. Todo meu nervosismo vai embora. Alguém ali precisa estar calmo. Alguém além do médico, claro.

– E a Claudinha? – pergunta a Mamãe.

– Hein? – respondo eu, fazendo cara de “hein”.

Os médicos estão conversando. Perguntam se levei a Mamãe para comer churrasco no porto de Montevideo. Falei que ainda não fomos para lá. Tem uma música de fundo. Sempre tem música no centro cirúrgico. Não lembro o que estava tocando.

– Camada dois – diz o médico.

– São sete camadas de pele – diz o outro médico.

Bip. Bip. Bip. É o coração da Mamãe batendo.

Barulho de sugador. Mamãe olha assustada pra mim, e respondo:

– É o sugador! Ainda não nasceu!

Bip bip. Bip bip. Bip bip. Coração acelerado.

– Tá chegando – diz o médico – É cabeludo!

Ele solta os instrumentos e começa a usar a mão.

– Chegou? – pergunta aflita Mamãe.

– Ainda não – respondo.

– Um… – diz o médico.

Ele continua usando as mãos.

– Dois…

Só vejo os braços de branco se movendo.

– Três! Biscoito chegou!

Ouvimos choro pela sala. Da Mamãe. Meu. Do Biscoito.

Nasceu uma família.

 


Dia 47 – O Vizinho


O Biscoito não é de chorar muito, perto das histórias que ouvimos. Mas quando ele chora….ele chora!

Eu sempre tento não ficar perto de janelas, ou as deixo fechadas para evitar incomodar muito os vizinhos. Sei que isso pode ser muito chato! Principalmente se você quer dormir e não consegue.

Estava na porta de casa, me despedindo de amigos que tinham nos visitado, e a vizinha chegou. Cumprimentei, como reza a boa educação e ela perguntou quantos dias o bebê tinha, qual era o nome, e soltou a pérola:

– Ele tem um belo pulmão, né? Às vezes escutamos ele chorando aqui de casa.

Detalhe: ela mora no apartamento em frente! Não é “parede com parede”.

Só sorri, pedi desculpas naquelas de “foi mal, mas sabe que não tenho o que fazer, né”! Ela deu uma risada e respondeu “eu sei”. Pareceu sincera! Na verdade, se não foi sincera, também não temos muito o que fazer!

Dei boa noite, fechei a porta, e fui pegar o Biscoito no colo pra tentar acalmá-lo e parar de chorar.


O choro


Antes do Biscoito nascer eu brincava com a Mamãe imitando o choro dele, mesmo sem saber como seria. Acertei em cheio! Lamentavelmente.

O choro é a única forma de comunicação que o bebê tem. Fome? Chora. Sede? Chora. Fralda suja? Chora. Vontade de fazer cocô? Chora. Vontade de dormir? Chora. Calor? Chora. Frio? Treme a mandíbula…provavelmente está preocupado demais em se aquecer para chorar.

O que mais se ouve é que com o tempo os pais aprendem o que é cada choro. Verdade. Nós já aprendemos a identificar o choro resmungo, o choro alto e o berreiro. Mas acredito que ainda existam muitas variações a descobrir.

Para a maioria dos choros, o seio resolve! Afinal, quem é que vai recusar uma boquinha? E mamando fica difícil chorar.

Nestes últimos dias o Biscoito anda chorando mais que o normal. Na verdade ele só para em 3 ocasiões: mamando, no colo e nos raros momentos em que está dormindo. Pois é, resolveu ficar acordado durante o dia. E ai do ouvido de quem estiver por perto e não o pegar no colo!

Eu disse durante o dia? Ha, antes fosse. Durante a noite também. Antes ele ficava acordado (ou meio desperto) até por volta da meia-noite. Só que agora ele resolveu que ser notívago é legal, e só vai dormir depois da 1 da manhã. Claro que nesse horário ou a Mamãe ou eu já estamos dormindo. O outro provavelmente está andando pelo apartamento tentando convencê-lo de que dormir é legal.

Como comentei aqui, durante o passeio ele abriu o berreiro. O choro foi alto, forte, sofrido, e eu estava com dor de cabeça. Imagina como fiquei, né? Imaginou errado! Por mais estranho que pareça o choro não me deixou pior! Ao contrário, até diminuiu o desconforto. Acredito que tenha sido justamente pela preocupação com o Biscoito, pois chorar pode ser normal mas não é legal. Nós ficamos preocupados quando ele está desconfortável com algo.

E ele ainda não consegue nos dizer com o que, infelizmente.


Dia 42 – O primeiro passeio de verdade


Ou quase isso! Mamãe tinha que ir ao médico, e obviamente eu a levaria. Então o Biscoito foi conosco.

Durante o dia ele estava inquieto, meio irritado, sem dormir muito. Bastava colocar no berço e alguns minutos depois começava a resmungar e chorar. O médico foi no final da tarde, e estávamos com receio de que ele se estressasse muito.

O caminho de ida foi muito tranquilo. Como quase sempre acontece com a maioria dos bebês, foi só o carro começar a se mover que ele dormiu. Acordou quando chegamos no médico. Mamãe teve que dar um pouco de peito para acalmá-lo, pois ele já estava começando a resmungar enquanto esperávamos o atendimento.

Na volta paramos numa padaria para comermos algo, mas principalmente para dar a mamadeira pra ele, pois já estava no horário, e não ia dar pra chegar em casa, e tirar ele do bebê conforto com o carro em movimento é uma possibilidade que não existe. Ele foi tranquilo o caminho todo. Na padaria tomou a mamadeira quase inteira! E aí fomos para casa.

Horário de pico, muitos carros na rua, movimento, trânsito. Faltando pouco mais de 1 quilômetro pra chegar em casa, pegamos trânsito pesado, do tipo ficar vários minutos parados. Aí ele abriu o berreiro! Não estava com fome pois tinha tomado a mamadeira há pouco tempo, não estava com frio porque no carro estava quente. Talvez estivesse incomodado por estar preso no bebê conforto, mas ele não é de resmungar quando fica meio apertado (no berço, no colo…). Chorou, chorou, chorou, se esguelou tanto que a voz deixou até de sair!

Para tentar acalmá-lo Mamãe tirou a coberta que ele estava e as meias. Como que por milagre ele parou de chorar! Ou começou a ficar entretido por estar com os pés pra fora, ou o que eu acho o mais provável, estava com calor! Até porque estava suando bastante, só não soubemos se era de tanto chorar ou por causa do calor.

Algumas considerações sobre esse passeio: estávamos mais bem preparados, levando tudo que precisamos e sem acidentes (na segunda visita ao pediatra também levamos mamadeira, que estava mal fechada e acabou vazando a água toda), mas não dá para ficar muito tempo no carro por enquanto! Ele se estressa e começa a chorar. Eu não tenho problemas com o choro, mas obviamente não gosto pois indica que ele está incomodado com alguma coisa, e tudo que não quero é deixar meu filho incomodado.


Dia 28 – primeira lágrima


Não, não é uma lágrima de tristeza nem de dor. Quer dizer, depende do ponto de vista.

No dia em que o Biscoito fez um mês de vida (mesmo não sendo 30 dias depois), ele também soltou a primeira lágrima. Claro que sob determinado ponto de vista isso não é bom! Ele ter soltado uma lágrima significa que estava chorando, gritando, esperneando porque estava a-com fome; b-com sede; c-com a fralda suja; d-com sono mas não querendo dormir; e-todas as alternativas anteriores.

Isso não é motivo de preocupação, já que é comum os recém-nascidos não soltarem lágrimas até alguns meses de vida. O motivo ainda não é muito conhecido, mas é possível que seja porque os dutos lacrimais ainda não estão totalmente abertos, então mesmo que as glândulas estejam produzindo as lágrimas, elas não tem como chegar até o olho.

A nossa “preocupação” é com a precocidade do Biscoito! Ele já quase consegue firmar os pés e se empurra no trocador! Além de ele sozinho conseguir virar de lado ao dormir.

Sobre o choro encontrei um estudo interessante, feito em conjunto pela Queensland University of Technology (Austrália) e o Riverton Early Parenting Centre, onde 20% dos pais de primeira viagem e 30% dos pais já com experiência têm dúvidas sobre quando pegar o bebê que está chorando. E revelou que 25% dos pais iniciantes e 10% dos “veteranos” acreditam que pegar imediatamente o bebê quando chora pode mimá-lo.

Há um problema que os pais enfrentam, por serem bombardeados por informações de todos os lados, muitos dizendo que tem que deixar o bebê chorar um pouco para não criar um filho manhoso, e o instinto dos pais dizendo para pegar a criança imediatamente. A pesquisadora é taxativa: assim que o bebê chorar, pegue-o! Principalmente nos primeiros 3 meses de vida. Isso é essencial para o bom desenvolvimento emocional e neurológico.

Cada vez mais fico convencido de que o mais importante é sempre o instinto. Temos que esquecer às vezes que somos seres racionais, e parar de pensar um pouco com o cérebro e agir sim com o coração.

Observação: tentei achar links para o estudo em si, mas achei apenas referências em muitos blogs e sites de jornais. A única referência confiável foi a notícia no site da própria Universidade de Queensland. Se achar o estudo, atualizo o texto.