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A pior parte de ser pai


As pessoas dizem que há várias coisas ruins na paternidade. Um campeão talvez seja trocar as fraldas do filhote. Não é agradável pegar uma fralda com os restos de um caldo de feijão, sem dúvidas. Até porque as chances de sem querer enfiar a mão onde não deve são grandes, ou se a criança for um pouco serelepe jogar a fralda longe – ainda aberta – é um risco a ser considerado.

Não é gostoso levar a criança tomar uma injeção. Precisar ser segurado, levar uma picada, ter um líquido estranho colocado dentro do corpo, e depois ainda ficar com a perna dolorida não é algo que possamos chamar de um bom programa. Sem esquecer da quase certa febre depois de um tempo.

Quando começa a comer o desejo de todo pai é que use os talheres, e que tenha coordenação motora ótima para levar o garfo certinho até a boca, sem derrubar um único grão de arroz. Mas esse desejo apenas o Alladin pode conseguir, porque na vida real vai sujar a cadeirinha, a mesa, a roupa, o chão em volta, e aquele que o pegará depois da refeição para limpar.

Outro sonho é falar para a criança “vai dormir que está na hora”, e magicamente ela vai para a cama, se deita e dorme. Sem precisar preparar uma mamadeira, sem contar histórias, sem deitar junto, sem chorar nem resmungar, e dormir a noite inteira.

Só que eu penso que tudo isso faz parte da vida, do aprendizado, do crescimento. Uma fralda suja indica que a criança está comendo e bebendo líquidos, que o corpo está processando os alimentos e que ela está saudável. A sujeira que faz ao comer demonstra que a criança está explorando o ambiente, fazendo experimentos! Ao pegar a comida com a mão está sentindo a textura, ao expremer o gomo da tangerina está vendo de onde sai o suco que bebe ao colocá-lo na boca. Em última instância está se divertindo.

Justamente por ser criança e ter tantas coisas a aprender, a ver, sentir, é que não quer dormir. Para eles dormir é uma perda de tempo! São horas a menos de brincadeiras, de convívio com os pais. Não pensam que são horas de descanso e de recarga de energias para poder continuar brincando.

As injeções são para evitar doenças. E aqui chegamos no motivo deste texto, e naquilo que considero a pior parte da paternidade. Ver o seu filho doente, qualquer doença que seja, dói. Machuca. Ver o nariz escorrendo e tendo dificuldades de respirar, impedindo que ele gargalhe, é uma faca passando pelo peito. Pegar no colo porque está chorando e não saber o motivo, é desesperador (pode ser porque está com fome, mas nada o apetece, ou está como sono mas não consegue dormir, ou simplesmente porque está desconfortável e nada resolverá o problema).

Ver o filho doente, na verdade, não é a pior parte de ser pai. Existir uma pior parte significa que existem outras ruins. Tudo que coloquei acima não acho ruim, pois são coisas naturais. Doenças fazem parte da vida, mas não são algo pelo qual deveríamos passar. Então elas não são a pior parte de ser pai: elas são a única coisa ruim de ser pai.

 


Esse…esse…buááá!


O Tomás, durante o curso de férias da escolinha, janta lá. Ou pelo menos dizem que sim, pois sempre que nós vamos jantar, se ele ainda está acordado, também quer comer. Considerando a energia que esse menino tem, até faz sentido ele ter dois ou três almoços e jantares por dia.

Ontem foi um desses dias em que sentamos para jantar e ele ainda estava acordado. Então se juntou a nós. A Mamãe, sábia, deu um sorvete pra ele. Assim poderíamos ter um pouco de paz durante o jantar. O menu do dia era hambúrguer. Então na mesa estavam os sanduíches de cada um, mostarda e catchup. Ele não pode ver o pote de catchup. Ele ama catchup, para nossa tristeza.

Ficou apontando até que colocamos um pouco no prato dele. Lembra do sorvete? Pois é, estava no prato também. Ele comeu um pouco de sorvete com catchup. Mas ficou pedindo cada vez mais, chorando, fazendo birra. E nesse meio tempo o Gael acordou pois era quase hora de mamar. Imagina a cena: Mamãe, Bisa e eu tentando comer, Tomás chorando porque queria catchup, Gael chorando no carrinho porque queria mamar.

Fizemos o possível: Mamãe pegou o Gael, eu engoli meu sanduíche e peguei o Tomás pra dar banho. Praticamente não conversei com ele. Dei o banho, coloquei o pijama nele, preparei a mamadeira e fomos para o quarto. Ele tomou o leite e deitou.

Normalmente eu fico deitado com ele, com a cabeça numa almofada e deixo ele deitar em cima do meu braço. Para brincar um pouco ele fica trocando a almofada que está embaixo da minha cabeça. Como estava bravo com ele (na verdade não estava assim tão bravo, mas tinha que demonstrar que sim), não deitei junto, ficando apenas sentado na cama. O safadinho pegou a almofada e colocou atrás da minha cabeça, por conta própria. Aí deitei, ele colocou a cabeça em cima do meu braço esticado, e dormiu.


Despedida matutina


Um dos primeiros desejos de todos os pais é, ao chegar em casa no final do dia de trabalho, o filho vir correndo (ou engatinhando) para receber um beijo e um abraço bem apertado.

Quando vamos pegar o Tom na escola é exatamente isso que acontece! Ele pode estar brincando, dançando, ou simplesmente andando pra lá e pra cá, que ao nos ver imediatamente abre um sorriso lindo e vem correndo.

Mas existe o outro lado da moeda. O momento da despedida. E nesta semana comecei a passar por isso ao sair para trabalhar. Como estamos tentando colocar um novo ritmo na casa, indo cedo para a cama e consequentemente acordando cedo também, todo mundo começa a despertar quando eu saio. Isso quer dizer que o Tomás me vê saindo, e ele não gosta!

Ontem cheguei atrasado no trabalho porque fiquei com ele no sofá um tempão vendo desenho na TV. Ele não queria me deixar sair, e foi um chororô danado. Hoje ele levantou correndo da cama e veio me pegar na sala, pedindo colo. Levei de volta pro quarto e dei uma mamadeira, aproveitando para sair enquanto ele tomava o leite. Segundo a Mamãe, quando ele percebeu que eu já não estava mais em casa, chorou um pouco.

O Gael ainda é muito pequeno para perceber essas coisas, mas que ao chegar em casa e dar oi pra ele, ele dá um sorrisão, ahhhh isso dá!


Dia 327 – O Biscoito, o Cinema e o Restaurante: Uma Cólica Extraordinária


A Mamãe estava doida para ir no cinema assistir um filme, mas com o Biscoito fica meio difícil (a menos que alguém…cof cof Dona Sogra cof cof…fique com ele), pois ir no cinema com um bebê é, acima de tudo, extremamente desrespeitoso com as outras pessoas que estão na sessão! Ele vai chorar, vai ter fome, talvez fique impaciente e queira brincar, enfim um tormento para quem não tem filhos ou simplesmente quer um momento de paz numa sala de cinema.

Aí ela descobriu o CineMaterna. A ideia é simples: sessões de cinema especiais, em horários alternativos, onde mães podem levar seus bebês. E bebês mesmo!! Poucos ali já andavam! E eu falei mães??? Pais também! Eu diria inclusive que a esmagadora maioria dos bebês estava acompanhada de mãe e pai.

As sessões são em sua maioria durante a semana, no período da tarde, o que nos complica a vida já que eu tenho que trabalhar! Mas uma vez por mês fazem uma sessão aos sábados! E ela ocorreu neste sábado, no Shopping Vila Olímpia. Nunca vi um congestionamento tão grande de carrinhos de bebês. Fomos Mamãe, Biscoito, tio Kadu, tia Dedéia, priminho Ben e, claro, eu.

A organização do evento foi impecável ao meu ver. A sala em momento algum fica no escuro total, na área embaixo da tela, que tem um espaço relativamente grande, foram colocados dois trocadores para que ninguém precise sair da sala em caso de urgência, colocaram tapetes de EVA para os bebês brincarem, e montaram um estacionamento para os carrinhos do lado de fora da sala (isso inclusive explica perfeitamente o porquê das sessões serem em horários alternativos e não haver mais nenhuma sessão em nenhuma sala…seria complicado o trânsito de muitas pessoas por ali).

Durante o trailler, demos banana para o Biscoito, então vira e mexe ele dava uns gritos do tipo “acabou o pedaço que estava na minha boca, tem jeito de dar mais uma mordida ou tá difícil?“, que a princípio me deixaram um pouco encabulado pensando no que os outros iam falar. Só que aí lembrei (na verdade meus ouvidos me lembraram) que havia outras dezenas de bebês ali, e todos estavam fazendo a mesma coisa! Em alguns momentos durante o filme parecia haver uma sinfonia com tantos bebês chorando!

Pouco antes do filme começar ele ficou mais chatinho, aí lembramos que a chupeta poderia resolver o problema. Só que ela ficou no carrinho, estacionado lá fora da sala. Acabei indo com ele buscar a dita e voltamos. Ele ficou por cerca de 1/3 do filme pulando do meu colo para o colo da Mamãe, até que o sono começou a bater mais forte e eu desci com ele, para caminhar na parte de baixo da sala. Assim a Mamãe poderia continuar a ver o filme e ter um pouco de descanso.

Eu não era o único aliás. O corredor lateral da sala tinha bastante gente na mesma situação. Ele dormiu rapidinho e eu decidi ficar lá embaixo mesmo, assim não correria o risco dele acordar. Já perto do final voltei pro nosso lugar e, obviamente, ele acordou! Mas aí já estava mais tranquilo.

Ao final da sessão, fomos pra praça de alimentação dar o almoço pros bebês e pensar onde nós almoçaríamos. Decidimos ir num restaurante italiano, onde fomos muito bem recebidos pelo dono/chefe/maître/sócio/sei lá eu o que e fomos pra mesa. Chegou o couvert e começamos a comer. O couvert era pão e um prato com ervas e azeite.

O pão chegou quentinho na mesa, e a titia Dedéia deu um pedacinho pro Ben. Mamãe pensou um pouco, já que o brócolis e a banana que tínhamos levado já tinham sido devorados pelo Biscoito, perguntou o que eu achava, e concordamos em dar uma fatia pra ele.

Não preciso dizer que sequer migalhas ficaram pelo chão, né? Havia banana, brócolis, guardanapo, colher, garfo, mas pão? Nadinha!

Ele chupava o pão como se fosse uma lasanha (espera só ele provar uma de verdade…). Chegou a ficar com um pedaço em cada mão e outro na mesa. Mordia de uma mão, mordia da outra, pegava com a boca o pedaço da mesa, e assim foi até terminar.

Mas claro que tanta delícia cobra seu preço: à noite ele teve uma cólica forte, onde a barriguinha dele ficou até inchada e dura. Chorou bastante e só passou depois que demos remédio.

Mas tenho certeza que ele repetiria a dose mesmo sabendo o que passaria à noite! E nós? Com certeza!!!!!

Ahhhhh….qual era o filme? Já estava quase esquecendo! Foi Extraordinário. Belo filme! Valeu a pena!


Dia 240 – A Maçã e o Cansaço


Há noites que parecem dias com o Biscoito. Em todos os sentidos! Parecem dias porque ele fica um tempão acordado esquecendo que é de noite e que deveria dormir, e parecem dias porque duram uma eternidade. Nessas noites, se é durante a semana, a Mamãe dorme pouco, se é final de semana, nós dois dormimos pouco, pois mesmo eu cuidando dele, a Mamãe fica acordada.

Então chega uma hora em que você não sabe mais nem o caminho da cozinha, quanto mais o que foi fazer nela.

Teve uma noite especificamente que o Biscoito acordou quase que de hora em hora…isso nas poucas horas em que ele dormiu, pois ficou várias acordado. Então na noite seguinte estávamos os dois cansados. Durante a noite, numa das mamadas, eu só lembro de estar em pé na cozinha, na frente da fruteira, olhando pra ela e pensando se não tinha alguma outra coisa para comer na geladeira.

Eu jurava que a Mamãe tinha pedido algo pra comer. Olhei pra meia maçã que tinha sobrado da sobremesa do Biscoito, tirei o plástico, coloquei numa tigela, e levei pro quarto, deixando no criado-mudo ao lado da Mamãe.

Ela achou que eu tinha levado um copo de água.

No dia seguinte ela me perguntou porque eu levei a maçã. A resposta foi um simples e confuso “não faço a menor ideia“!

Quem sabe se daqui alguns anos, quando estiver fazendo uma sessão de regressão no psicólogo não descubra o que pensei nessa noite.


Cuidado com a TPM


Seu bebê começa a chorar do nada?

Pega no colo e continua chorando?

Põe chupeta e ela voa longe?

Troca a fralda e além dela estar limpa, leva um chute na barriga?

Leva dedadas no olho enquanto está com ele no colo?

Aquele brinquedo que ele adora quase abre um buraco na parede?

A música que ele ama faz os decibéis do choro dobrarem?

As lágrimas escorrem no rosto e molham a roupa mais que a baba?

Deixa ele sem roupas e agora além de chorar, treme de frio?

Ele já dormiu bastante e não está com sono?

O horário da mamada ainda não chegou?

Certeza que é TPM. Essa velha conhecida de todo mundo e causadora de atritos entre os casais, às vezes provocando até brigas! Ninguém pensa na mamadeira quando aparece a TPM….Tensão Pré Mamada!


Dia 121 – E o Biscoito começou a ter memória


Neste dia nós fomos ao pediatra levar a filha de um casal de amigos queridos, já que eles não podiam, e a levamos justamente ao Dr. Atra (o pediatra do Biscoito).

No dia anterior havíamos dados as vacinas dos 4 meses, que é o repeteco das vacinas tomadas aos 2. Se houve reação com aquelas, haveria reação com estas obviamente. Demos uma vacina na clínica e três no posto de saúde. A vacina na clínica foi com picada, doeu, mas ele se acalmou rápido. Acredito que tenha sido o susto da vacina com a dor do momento da picada, mas logo ele se acalmou e no carro já estava bem.

Mas no posto…primeiro que demoraram até encontrar a ficha dele. Custava anotar os dados dele e depois preencher a ficha? Aliás, cá entre nós, em pleno século 21 onde um celular é quase tão poderoso quanto um computador utilizar uma ficha em papel, e também um computador? Qual o problema de usar apenas o meio eletrônico? Apenas divago…

Depois de encontrar a ficha, às vacinas. A rotavírus é tranquila, já que é via oral. Claro que metade ele acaba cuspindo, mas a dose já é pensada para isso mesmo. Mas aí vêm as picadas, duas. Uma em cada perna. A mais dolorida, a pentavalente, foi dada sozinha numa perna. Ele chorou. E muito!

A reação não tardou a vir! No mesmo dia, à noite, ele já estava febril e amuado. Demos Tylenol, conforme o Dr. Atra havia receitado, e torcemos para que fizesse efeito.

No dia seguinte as pernas já não doíam e nem estavam inchadas. Mas a febre persistia. Como íamos levar a filha de nossos amigos ao médico, aproveitamos para levar o Biscoito (até porque ele não iria ficar sozinho em casa, não é mesmo?) para ele dar uma olhada, pois a febre não estava dando trégua.

No consultório enquanto Mamãe entrava com a priminha, eu fiquei na recepção tentando dar a mamadeira pro Biscoito. Tentando, pois ele só tomou depois que a esquentamos! Não curte muito mamadeira fria mesmo.

Após a consulta o Dr. Atra pediu para entrar com o Biscoito para ele medir a febre. Na hora que o colocamos na maca, ele não chorou, ele não gritou…ele berrou! Não era um berro de desconforto, mas um berro de medo! Esse som entrou nos nossos ouvidos e até hoje o escutamos. O Dr. Atra não fez nada que nós já não tenhamos feito (e fazemos), que é pegar o termômetro e colocar embaixo do braço dele. Mas temos certeza que o fato de colocá-lo na maca o fez se lembrar das injeções do dia anterior, e então ele ficou apavorado que fosse tomar mais picadas!

Só se acalmou depois que saímos do consultório. Foi algo que se eu e a Mamãe soubéssemos que iria acontecer (a lembrança da vacina) certamente não teríamos pedido para o Dr. Atra medir a temperatura dele na maca. Espero que isso não o tenha marcado, mas teremos que tomar muito cuidado com as próximas vacinas.


Choro, Colo e Carro


Dizem que quando um bebê nasce ele ainda não está formado, por isso o crânio ainda é mole, às vezes não tem cabelo (o Biscoito é mega cabeludo! Tem mais que o Papai!), tem cólicas pois o intestino ainda está em processo de amadurecimento, e por aí vai.

Só que há duas coisas que os bebês têm que saem de fábrica em pleno funcionamento.

Primeiro, é o altímetro. Mas não é um altímetro qualquer! Ele é muito específico, especializado, e não tem como enganá-lo! Não importa se você está no sub-solo de um prédio ou no 30o. andar, o altímetro vai disparar caso você esteja segurando o bebê no colo e não estiver de pé! Não o bebê, você!

Quando estamos com o Biscoito no colo, e ele está naquele momento chato pré-sono, se estivermos sentados não tem jeito: ele chora! Basta levantar que ele sossega. Isso se tiver sorte de não ter que ficar andando com ele (mas isso às vezes dá pra dar uma enganada chacoalhando um pouco). E se você estiver cansado, com o braço doendo e as costas moídas, o problema é seu! O bebê quer que você fique de pé. Ai dos seus ouvidos se não for assim.

E o segundo sensor que todo bebê carrega consigo é o velocímetro. Esse talvez tenha algumas variações, dependendo da fábrica, modelo, motor e combustível. Mas via de regra é entrar com o bebê no carro e começar a andar que o choro cessa. Claro que isso não vai funcionar em caso de dores ou fome. Esse sensor não tem a capacidade de anular os outros.

Com o Biscoito a regra é clara: o carro deve estar sempre a mais de 20 Km/h. Até atingir essa velocidade o choro é constante, e sempre que o carro começa a frear (trânsito, semáforo, esquina, etc.) e chega nessa velocidade pode esperar pelo início do choro.

Pelo menos os dois sensores não funcionam ao mesmo tempo. Já pensou ter que ficar com o Biscoito no colo andando a pelo menos 20 Km/h? Pelo menos seria um belo exercício.


O que ninguém conta


Ao se pensar em bebês a primeira coisa que vêm à mente é a fofura. Não há como resistir àqueles olhinhos inocentes, aqueles bracinhos gorduchos, aquelas perninhas balançando como se estivessem numa aula de step. Aí então começam as brincadeiras sobre o cocô, o estoque de fraldas que teima em abarrotar o armário, e que no começo parece que nunca será usado, mas com o passar do tempo você descobre que pode ser pouca fralda.

Todo mundo avisa para aproveitar muito bem as noites de sono, pois elas serão raras após o nascimento. No começo você dá risada, mas depois de um tempo vai ficando chato ouvir isso. Esse é o problema: como todo mundo dá esse aviso os pais acabam cansando e começam a não prestar mais atenção achando que é mais uma brincadeira. Não é. Quando dizem que o bebê vai acordar de 3 em 3 horas para mamar, é porque ele vai acordar de 3 em 3 horas! Não interessa se são 10 da manhã, 3 da tarde ou 2 da madrugada. Ele está com fome, vai acordar e vai chorar. E chorar alto.

Não pense que são 3 horas após o final da mamada! Não é não!!! A cada 3 horas ele vai acordar, não interessa se a mamada levou 10 minutos ou 2 horas! O problema é seu se não teve tempo para dormir entre o início de uma e o início da próxima. Isso se você tiver sorte e conseguir saciar a fome do pequeno rebento. Ele pode acordar de 2 em 2 horas. E você sequer dormir!

E por fim chegam os detalhes sobre o qual ninguém fala, ninguém avisa, ninguém ensina. Não me lembro de ter ouvido sobre as toneladas de roupas para lavar. Parece óbvio, afinal o bebê não ficará pelado! Mas é uma obviedade que não enxergamos antes. Lembrando que essas toneladas de roupas consomem toneladas de sabão e de amaciante (é, você não vai querer colocar no seu bebê lindo uma roupa com cheiro ruim ou que fique pinicando ele). A cada 2 ou 3 dias a máquina de lavar é acionada para 2 ou 3 levas de roupas do Biscoito. E não é porque nós trocamos a roupa dele a todo momento porque gostamos de vê-lo vestido diferente toda hora…é porque o xixi vazou da fralda mal colocada (ou fez mais xixi do que a fralda consegue aguentar), o cocô sujou a roupa quando ele balançou aquelas pernas gostosas durante a troca querendo brincar, o leite saiu pelo canto da boca ou deu uma gorfadinha de nada, ou porque simplesmente tomou banho e não vai colocar a mesma roupa de volta.

Nossa máquina também seca. Mas roupa de bebê dizem que é melhor secar naturalmente, no varal. Então tome enchê-lo com a roupa dele. Pelo menos ela é pequena e não precisamos comprar mais um varal. Os dois que temos dão conta. E com sorte ela vai secar rápido!

Já comentei sobre as fraldas de boca? Aquelas usadas para secar a babinha ou recolher o leite que vazou, aquelas que nunca estão perto quando você as precisa e que adoram visitar o chão? Vai uma meia-dúzia por dia!

E aquela outra fralda, maior, usada para cobrir o trocador? Essa na qual ele adora fazer um xixi ou acaba sujando de cocô quando faz aquele serviço. Ou usa para limpar o bebê naquele momento em que a fralda de boca visitou o chão.

Falei sobre a roupa de cama que teve que lavar correndo porque a fralda não segurou o xixi? Sua roupa de cama, claro, pois ele estava dormindo com você!

Mas também tem aquilo que todo mundo conta: a primeira vez que ouve as batidas do coração no primeiro ultrassom quando ainda nem acredita muito na gravidez, o primeiro sorriso mesmo que seja um espasmo quando vai dormir, ou o primeiro sorriso de verdade que ele dá brincando com você e olhando nos seus olhos, o pum que ele solta enquanto está mamando e você acha lindo (agora, pois quando crescer vai levar tapa na bunda quando fizer), aqueles olhinhos vendo tudo com cara de descoberta e curiosidade.

Tudo isso que todo mundo conta, mas que não dá para explicar o sentimento que é ao ver seu filho fazer! E mesmo que alguém consiga palavras para explicar, jamais conseguirá transmitir a sensação de felicidade extrema que esses pequenos atos dão, e que fazem esquecer completamente tudo aquilo que ninguém conta.

E mesmo que não faça esquecer, faz valer a pena!


Paciência, a maior virtude


A paciência. Ela é essencial agora e sempre. O seu filho vai te tirar do sério, cedo ou tarde. Pode ser cedo com aquele choro incessante sem causa aparente e que você não consegue fazer parar às 3 da manhã no momento em que você está caindo de sono e sequer lembra que está na sua própria casa, ou pode ser tarde quando ele fizer manha no supermercado porque você não quer comprar aquele pacote de bolacha que custa três real. Ou mais tarde ainda quando ele mentir que estava na escola quando na verdade estava passeando no shopping. Bem, neste caso talvez você agradeça que estava no shopping…podia estar num lugar muito, muito pior.

Quando a paciência se esgota você pode ter vontade de pegar o filho e chacoalhar perguntando “o que é que você tem?“, “o que você quer?“, “porque faz isso comigo?“, “o que te deu na cabeça?“. Ou talvez até dar umas palmadas na bunda para aí sim ter motivo para chorar. Acredito que ter vontade de fazer tudo isso é natural, normal, quando a paciência vai embora. E uma hora ela irá! Ah se irá! Não duvide nunca disso! Mas há uma grande, gigantesca, descomunal diferença entre ter vontade e fazer de fato. Mas a linha que separa a vontade das vias de fato é pequena, tênue, quase invisível. É uma linha que não deve ser cruzada, não porque não possa voltar depois. Pode. Mas porque após cruzá-la pode aparecer o arrependimento, o remorso, ou pior: a sensação de que pode voltar a cruzá-la de novo depois.

Quando um bebê chora pode ser por n motivos. Mas uma coisa é preciso ter sempre em mente: há um motivo. E ele (bebê) pode não ser o culpado. Uma criança mimada ficou assim porque os pais (ou parentes) a mimaram. Uma criança medrosa ficou assim porque os medos foram colocados nela por outras pessoas, ou porque os medos que ela tinha não tiveram a atenção devida dos pais. Um bebê é quase como um livro em branco, que os pais vão escrevendo. Cada pequena atitude deles refletirá lá na frente.

Antes de perder a paciência e partir para as vias de fato é necessário pensar que talvez ele esteja agindo assim por algum bom motivo ou mesmo por culpa dos pais. Por ação ou omissão. Perder a paciência vai acontecer. O próximo passo, depende de cada um.

O Biscoito nos tirou do sério umas noites atrás. Ele não parava de chorar. Pegávamos no colo, melhorava, dormia, deitava, acordava 5 minutos depois e voltava a chorar. Tanto a Mamãe quanto eu perdemos a paciência, mas não perdemos a linha pois sabíamos de uma coisa: ele não tinha culpa do que estava acontecendo. Com 2 meses não tem consciência do que está fazendo e muito menos pode nos dizer porque está assim! Nós é que temos que descobrir. Isso faz parte do processo de ser mãe e pai. Nossa obrigação é cuidar dele. Nós abrimos mão de nossas vidas ao decidir ter um filho. Ele passa a ser nossa prioridade número 1. E 2. E 3.

Todo dia uma descoberta. Todo dia uma novidade. Todo dia uma surpresa. E isso é maravilhoso!