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Dia 110 – Aventuras no porta-malas


Nós saímos o dia inteiro neste domingo, e em dado momento eu fiquei com o Biscoito no carro, cuidando dele. Procurei um lugar calmo e com sombras para que o sol não ficasse na cara dele, estacionei o carro, e fiquei brincando e conversando com ele na parte de trás. Deu hora da mamadeira, preparei e comecei a dar. Percebi que ele estava fazendo força. Isso quer dizer cocô. Aí começou o barulho…a cada som que vinha da parte inferior do Biscoito o desespero aumentava dentro de mim.

Quando parou de mamar nem precisei colocar o nariz na bunda dele para sentir que realmente havia feito o serviço. Sem contar que nem mamou tudo! Ele não gosta de ficar sujo!

Ia precisar trocá-lo! Olhei pros bancos do carro, e ali seria impossível! Eles são inclinados. Olhei pro piso, no espaço entre o banco dianteiro e o traseiro…tem um bom espaço ali! Ele caberia! O problema é que eu não teria onde ficar, e seria bem ruim pois a porta não deixaria ter muita movimentação.

Estava perto de um shopping….e se fosse até lá pra trocar no banheiro? Poderia ser uma boa ideia. Só que era o shopping Tatuapé. Imagina um shopping cheio. Não, mais gente. Dobra. Então, ainda não chegou perto de como é aquele lugar! Não vou entrar num shopping cheio de gente com o Biscoito. E se procurar uma farmácia, pra pedir pra usar o banheiro? Minha cara de pau não chega a tanto….ainda.

Aí me deu um estalo! O porta-malas do carro é grande, bem grande! Basta tirar a casa que tá nele que vai ter bastante espaço pra trocar o Biscoito. Resolvido!! Só que não dá pra fazer isso na rua. Então fui pra um estacionamento….cheguei lá e o diálogo:

– Boa tarde! Eu posso ficar no carro aqui?

O rapaz fez uma cara meio esquisita, enquanto me dava o ticket.

– É que estou com meu filho e preciso trocá-lo! Vou ter que montar uma operação de guerra!

O cara riu…

– Pode, sem problemas!

Estacionei o carro, e lá fui eu tirar tudo do porta-malas pra abrir espaço. Forrei a tampa do estepe com meu agasalho, coloquei o trocador, e lá fui eu, todo feliz por ter achado uma solução e poder limpar o Biscoito. Até o momento em que tiro a calça dele.

Vejo que vazou um pouco do lado e sujou a calça. Ok, vou ter que trocar a roupa dele também. Na hora que eu abro a fralda…só não chorei porque tinha que parecer forte e que estava no controle pro Biscoito não se assustar. Não vou descrever a cena porque você, caro leitor, pode estar se alimentando. Mas posso dizer uma coisa: era terra arrasada! Se estivéssemos em casa era caso de banho completo!

Limpei o que deu com a fralda, e passei a usar os lenços umedecidos. Quando peguei o pacote dos lenços, e senti que estava fininho, gelei. Mas mantive a calma pensando que talvez houvesse outro fechado na bolsa. É….não tinha. Se não bastasse eu estar num estacionamento, com o porta-malas aberto, um bebê dentro dele sem as calças, ainda teria que otimizar o uso dos lenços! Já comecei a pensar qual peça de roupa minha usaria pra limpar tudo e depois jogar fora. Usei o primeiro lenço, e só deu pra dar uma passada.

O segundo consegui dar uma segunda passada. O terceiro também deu pra uma segunda. Reservei o quarto e último para uma emergência. Santa decisão! Na hora que olho a roupinha dele, nas costas, vi que vazou por ali também, e ele está sujo. Tirei a roupa toda, limpei as costas com o lenço que sobrou, e o vesti.

Saldo final: uma calça, um body e um trocador sujos, um bebê relativamente limpo e um pai feliz que agora já sabe que numa emergência dá pra usar o porta-malas do carro.

E o Biscoito mamou o resto da mamadeira e dormiu.


Choro, Colo e Carro


Dizem que quando um bebê nasce ele ainda não está formado, por isso o crânio ainda é mole, às vezes não tem cabelo (o Biscoito é mega cabeludo! Tem mais que o Papai!), tem cólicas pois o intestino ainda está em processo de amadurecimento, e por aí vai.

Só que há duas coisas que os bebês têm que saem de fábrica em pleno funcionamento.

Primeiro, é o altímetro. Mas não é um altímetro qualquer! Ele é muito específico, especializado, e não tem como enganá-lo! Não importa se você está no sub-solo de um prédio ou no 30o. andar, o altímetro vai disparar caso você esteja segurando o bebê no colo e não estiver de pé! Não o bebê, você!

Quando estamos com o Biscoito no colo, e ele está naquele momento chato pré-sono, se estivermos sentados não tem jeito: ele chora! Basta levantar que ele sossega. Isso se tiver sorte de não ter que ficar andando com ele (mas isso às vezes dá pra dar uma enganada chacoalhando um pouco). E se você estiver cansado, com o braço doendo e as costas moídas, o problema é seu! O bebê quer que você fique de pé. Ai dos seus ouvidos se não for assim.

E o segundo sensor que todo bebê carrega consigo é o velocímetro. Esse talvez tenha algumas variações, dependendo da fábrica, modelo, motor e combustível. Mas via de regra é entrar com o bebê no carro e começar a andar que o choro cessa. Claro que isso não vai funcionar em caso de dores ou fome. Esse sensor não tem a capacidade de anular os outros.

Com o Biscoito a regra é clara: o carro deve estar sempre a mais de 20 Km/h. Até atingir essa velocidade o choro é constante, e sempre que o carro começa a frear (trânsito, semáforo, esquina, etc.) e chega nessa velocidade pode esperar pelo início do choro.

Pelo menos os dois sensores não funcionam ao mesmo tempo. Já pensou ter que ficar com o Biscoito no colo andando a pelo menos 20 Km/h? Pelo menos seria um belo exercício.