Quando a família cresce


Hora de contar como fiquei sabendo da vinda do Gael, e também de criar vergonha na cara e voltar a escrever por aqui. Principalmente porque daqui a alguns anos, quando eles descobrirem este espaço, e morrerem de vergonha, certamente ouvirei “por que só tem coisas dele?”, “não gosta de mim?”, “só por que não sou novidade?”, e por aí vai! 🙂

Nós pensávamos em ter um segundo filho, depois que estivéssemos bem estruturados e com o Tom na escolinha, principalmente. Por isso inclusive que a Mamãe tomava anticoncepcional. Assim que ela se sentiu pronta, resolveu voltar para o mercado de trabalho, até porque viviam atrás dela para retornar à empresa da qual tinha saído.

Então resolvemos procurar uma escolinha para o Tom e ela voltar ao batente. Para isso precisava fazer alguns exames médicos, ainda mais porque haviam vários atrasados que o ginecologista havia pedido há meses. Então lá foi ela fazer. Como eram exames de rotina, acabei não indo junto.

Ao final do dia, quando foi me buscar no trabalho, pediu para descermos até a garagem esperar um pouco porque não estava se sentindo muito bem. Ok, sem problemas. Depois de alguns minutos ela começa a chorar, e eu fiquei assustado pois devia ter alguma coisa nos exames que a preocupou. Ela disse que tinha. E disse “adivinha o que tem”, e eu desesperado “fala logo”! “Não adivinha?”…e comecei a rir, pois na hora me deu um estalo.

início do flashback

Antes de sabermos da gravidez do Tom, houve um dia em que fomos ao shopping, e a Mamãe ficou alucinada por sorvete. Comeu tanto que até passou mal. Alguns dias antes desses exames fomos ao interior visitar Dona Sogra, e num passeio no shopping ela quis sorvete de novo. Na hora fiquei com a pulga atrás da orelha, mas como estava com anticoncepcional, achei que era só coincidência e acabei nem comentando nada.

Detalhe: ela não gosta de sorvete.

fim do flashback

Ela confirmou que estava grávida. E aí me contou como foi na clínica.

Chegou para fazer o ultrassom, preencheu toda a papelada inclusive dizendo que não estava grávida (porque a princípio não estava mesmo), e foi pra sala do exame. Após um tempinho do início do exame, em que o médico nada falou e ficava mexendo pra lá, mexendo pra cá, a enfermeira que acompanhava perguntou ao médico se não era melhor ir para outra máquina, pois essa estava com problemas.

Aí a Mamãe já ficou preocupada, e foi pra outra sala. Lá a enfermeira pegou na mão dela, e esse foi o sinal para o início do desespero. Quando ela já estava chorando perguntando o que estava acontecendo, o médico disse que estava tudo bem, não haviam encontrado nenhum problema, não havia nada….só um saco gestacional.

Segundo a Mamãe, nesse momento ela desmaiou. Acho que há um pouco de dramatização aí, mas com certeza a pressão dela deve ter despencado!

Aí veio outra enfermeira com água, medidor de pressão, cadeira de rodas, já estavam quase chamando o SAMU. Ela foi para a área de espera, onde a Tia Pi estava esperando com o Tom, e como chegou lá amparada pela enfermeira, a Tia Pi já ficou desesperada, gritando “o que aconteceu? O que fizeram com ela?“, e aí explicaram.

Como encontraram apenas o saco gestacional, com uma idade aproximada de 2 semanas, não era possível afirmar categoricamente que estava grávida, então sugeriram comprar um teste de farmácia. No caminho entre a clínica e o meu trabalho, a Mamãe parou em todas e comprou testes de gravidez. Todos positivos.

Teríamos que fazer um novo exame 15 dias depois para confirmar a gravidez. Foram os 15 dias mais demorados de nossas vidas, pois não queríamos contar a ninguém para não alimentar falsas esperanças, mas também estava difícil segurar a novidade.

Após o novo exame, tudo confirmado: havia um feto com o coração já batendo firme e forte! Decidimos que contaríamos apenas com 3 meses de gestação, para passar a fase inicial complicada.

E com isso a volta ao trabalho da Mamãe foi adiada em mais um ano, pelo menos.