Puerpério


Este é um assuntos bem espinhoso. Em linhas gerais, o puerpério é o período após o parto em que o organismo da mulher vai voltando ao estado pré-gravidez. “Engraçado” que em vários lugares se lê ao estado normal. Oras, uma mulher engravidar não é algo normal?

Nesse período o corpo expele tudo que “sobrou” do parto, o útero retorna ao seu tamanho original, o local onde a placenta estava colada cicatriza e os hormônios vão voltando ao que eram. Após esse período de cerca de 30 a 40 dias (por isso a tal da quarentena em que atividades físicas são desaconselhadas) a mulher já estaria fisicamente pronta para engravidar novamente. Porém ainda pode não haver ovulação, devido ao aleitamento.

Mas além dessas alterações no corpo, há alterações psicológicas ainda maiores! Durante alguns meses a mulher viu seu corpo se alterar lentamente, com o ventre crescendo, a bacia se expandindo, os seios se preparando para produzir leite, os hormônios mudando, mas tudo de forma lenta e gradual. Já no puerpério tudo muda de uma vez só!

De uma hora pra outra a mulher tem seu corpo alterado. E junto a isso ainda tem um bebê que precisa de muitos cuidados. Por mais presente que seja o pai, infelizmente a maioria não consegue ficar alguns meses de licença para ficar mais tempo com a mulher e com o bebê, não tem como dar de mamar, e, sendo honesto, continua sendo homem! Homem no sentido de que muitas vezes não percebe a necessidade da mulher, não percebe que ela precisa de um carinho num momento, de paz em outro, de tranquilidade sempre.

As alterações são tão sérias e fortes que é nesse momento que surge a depressão pós-parto, que não é frescura.

É um momento que pode ser muito complicado para a mulher, no qual o maior auxílio que o companheiro pode dar é compreender, não julgar, e ajudar em tudo que puder. Não é momento de discussões. É uma hora em que toda a atenção tem que estar voltada para a mãe e para o bebê. Só que sem exageros! Nenhum deles está doente e não devem ser colocados numa redoma.

A Mamãe passou por isso, com momentos de muita tristeza, choros que apareciam do nada, e momentos de euforia também. Uma descrição desse momento que ela deu, que considerou a mais próxima da verdade, foi de morte. Mas não no sentido mais literal da palavra, de final da vida. Foi a morte de uma mulher para o nascimento de uma mãe.

Como pai e marido eu fiquei meio perdido, sem saber o que fazer. É complicado ver a mulher que se ama chorando, às vezes com motivo e às vezes sem, e não poder fazer nada efetivo para evitar. E para ajudar ainda mais no processo, Mamãe não estava produzindo leite suficiente para o Biscoito (espero que ninguém venha dizer que não existe isso de não ter leite suficiente, pois nós passamos por isso, e acontece sim!). Foi receitado inclusive um remédio para estimular a produção de leite, coincidentemente um antidepressivo. Difícil saber se o remédio ajudou a segurar a barra da Mamãe nos momentos mais críticos, mas provavelmente os médicos o receitam com dupla intenção.

Certamente a depressão pela qual a Mamãe passou não foi apenas por causa dos hormônios, mas pela situação toda! Privação de sono (acordar a cada 2 horas para dar de mamar não permite um bom descanso), nervosismo por não saber o que fazer quando o bebê chora, ficar em casa sem poder sair, receber muitas visitas (ainda pior no caso da Mamãe que adora receber pessoas em casa, e tendo que cuidar do Biscoito acaba se sobrecarregando mais ainda), preocupação em permitir que eu durma para poder ir trabalhar descansado no dia seguinte….uma série de coisas que somadas permitem dizer sem sombra de dúvidas que a Mamãe é uma mulher extremamente forte! Mas que como todo humano, tem seus momentos de fraqueza, e eu tenho que estar ali para segurá-la e reerguê-la quando necessário.

Esse período mais crítico já passou para nós. Mas os cuidados com a Mamãe, esse tem que continuar! Pela vida toda!