Dia 1


A noite foi movimentada. Primeiro banho da Mamãe, com ajuda de duas enfermeiras (e ainda assim quase caiu no chuveiro), um lanche às 01:30 da manhã (inclusive pra mim, pois minha última refeição foi o almoço do dia anterior, assim como da Mamãe), e visita de enfermeiras a cada 1h30, mais ou menos. Então dormir que é bom…

Assim que chegou mais gente na maternidade, fui fazer a certidão de nascimento do Biscoito. Achei que seria um processo rápido, mas claro que me enganei, e com isso perdi a primeira vacina dada nele.

Engraçado como algo assim mexe. Eu me senti um pai desleixado por não estar junto do Biscoito e da Mamãe nesse momento, mesmo sabendo depois que ele se comportou extremamente bem, sem sequer chorar. Ao contrário da Mamãe.

O processo para fazer a certidão em si é rápido na verdade, o problema é que havia fila. Há uma dupla conferência de documentação (da mãe e do pai), conferir se os dados do bebê estão corretos, e pronto. É voltar no dia seguinte para pegar a certidão.

Neste dia também vimos como se deve dar banho, fazendo o famoso charutinho para o bebê ficar calmo, e vendo todas as etapas. A enfermeira dando banho nele fazia tudo parecer fácil e rápido. Até porque ele só chorou na hora de lavar as pernas e a barriga.

E foi o começo das tentativas de dar de mamar no peito. Estava difícil conseguir fazer ele pegar o seio como deveria. Mamãe até ficou preocupada, achando que não conseguiria dar de mamar. Mas segundo as enfermeiras estava saindo tudo como deveria.

Dia 0 – o nascimento


Chegou o grande dia, e quem disse que estava tudo pronto? Sempre falta algo, se esquece de algo…eu quase esqueci os óculos.

A chegada à maternidade foi tranquila, mas o processo de internação, esse sim deu trabalho. Era para a Mamãe subir ao quarto antes de ir para o centro cirúrgico, mas atrasaram tudo e ela foi direto.

Enquanto ela estava na triagem eu fiquei recebendo os familiares que veriam o parto pela “janela”. Não parava de chegar gente, e eu nem sabia o que fazer de tão nervoso que estava. Parecia uma barata tonta.

Mas o coração disparou mesmo quando ligaram no quarto para que eu descesse com a primeira troca de roupa do Biscoito e um documento meu. Já iria me trocar para acompanhar a Mamãe no centro cirúrgico.

Fiquei esperando me chamarem para subir à sala de cirurgia. Esses foram os minutos mais longos de minha vida até hoje. Aguardar um telefone dizendo “pode subir”.

Na sala de cirurgia eu apenas tentava acalmar a Mamãe, mas acho que sem muito sucesso. Se eu não sabia o que fazer, imagine ela deitada na maca, anestesiada sem poder se mexer.

Mas só há uma emoção comparável àquela sentida quando o médico diz “o Biscoito está chegando” e você vê a cabeça cheia de cabelos dele saindo do ventre de sua amada: quando escuta pela primeira vez as batidas do coração dele no ultrassom.

Acompanhar os primeiros minutos de vida do seu filho de tão perto, mas ainda não poder segurá-lo é ao mesmo tempo mágico e angustiante! Só depois de pesado, medido, pezinhos sujos (e depois limpos), pulseiras conferidas e colocadas, enrolado e com capuz é que posso tê-lo em meus braços. Admirá-lo de perto. Sentir seu cheiro. E levá-lo para conhecer o rosto da Mamãe…e a Mamãe conhecer o rosto dele.

Se passam longuíssimas uma hora e meia até que Mamãe e Biscoito chegam no quarto. O primeiro momento da nova família sozinha e junta. O primeiro momento em que você olha para aquela pequena pessoa e promete para si mesmo: nunca faltará nada pra você! Nunca te deixarei desamparado! Sempre vou te amar!