Licença-Paternidade: quem dera!


Vi hoje uma notícia sobre um servidor público do TRE de Santa Catarina que entrou na Justiça com um pedido de licença-paternidade de 180 dias. Ele e a esposa tiveram gêmeas, e ele se fundamentou na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) que prevê que um pai solteiro que adota uma criança tem direito a uma licença igual à da maternidade, com mesmo período de tempo (artigo 392-A, § 5o).

Para quem for ler a matéria já recomendo não ler os comentários. É o chorume padrão de grandes portais, onde o pessoa citada na reportagem é sempre tratada como a errada. Chegam a dizer que se ele fosse funcionário de empresa privada ao retornar ao trabalho seria demitido. Isso demonstra a (in)capacidade intelectual das pessoas e a falta de empatia para com o outro.

Eu tive sorte de trabalhar numa empresa que me dá certa flexibilidade, e pude ficar quase 30 dias ao lado da Mamãe ajudando-a. Fiquei duas semanas completamente fora da empresa, 100% do tempo dedicado à Mamãe e ao Biscoito, e depois mais duas semanas em home office. Mas posso dizer sem a menor sombra de dúvidas: 30 dias é pouco! Se não fosse Dona Sogra estar junto, ajudando, tenho certeza que a Mamãe teria tido um piripaque.

Um bebê exige praticamente 100% do tempo de quem está cuidando dele. Pode não vai sobrar tempo sequer para fazer um lanche, quiçá um almoço! Dormir? Só cochilos curtos. Banho é um luxo. Por isso é essencial ter alguém junto.

Sem contar o mais importante: o vínculo que será criado entre o pai e o filho. Hoje em dia muitos ainda têm aquela ideia de que pai é o provedor, é o que deve trazer a comida, dar o teto. Eu acredito que pai é aquele que cria, cuida, ama. Pai não está aí para ajudar a mãe, mas para fazer quase tudo que ela faz, junto.

Pai dá banho, troca fralda, escolhe roupinha, põe pra dormir, faz massagem, conversa, brinca, chora, ri, abraça, beija. Pai que não faz isso talvez ainda seja pai, mas não sabe o que está perdendo.