Toc toc toc


Com a chegada do Gael algumas coisas mudaram em casa. A primeira foi o quarto do Tom. Saiu a cômoda que tínhamos para entrar outra menor, um armário e uma cama. Armário porque precisamos guardar as roupas dos dois. Cômoda menor porque com a anterior não caberiam o armário e a cama. E a cama porque, afinal de contas, o berço ganhou um novo morador, e o morador anterior precisa de um lugar para dormir!

A nossa saga para colocar o Tomás para dormir sempre foi a mesma: dá a última mamadeira do dia, senta com ele na poltrona, espera ele dormir, e coloca no berço. Só que ao colocar no berço ele muitas vezes acordava. Ou então acordava alguns minutos depois. Nesses casos, de volta à poltrona. Várias vezes. Até dormir.

Só que o “até dormir” não era até acordar de manhã para tomar café num belo e novo dia. Era, com sorte, por um par de horas. Até acordar e termos que levá-lo para nossa cama. Não somos de ferro e precisamos dormir também, então não dá para ficar indo a cada hora no quarto para niná-lo e colocar de volta no berço.

Com a cama as coisas mudaram um pouco, até porque a poltrona saiu do quarto (falei que o quarto é pequeno?). O ritual é fazer a mamadeira, chamá-lo para deitar, dar a mamadeira com ele já deitado, e ficar com ele até pegar no sono. Esse ritual já estamos fazendo desde pouco antes do nascimento do Gael, então funciona. O Tom inclusive já vai sozinho para o quarto quando chamamos! Não é mais preciso pegá-lo e levar à força! O sonho é falar “Tom, vai dormir“, e ele ir sozinho. Mas sei que é apenas um sonho.

Só tem um pequeno problema: a cama é infantil, baixinha, então ele pode subir e descer dela sozinho. Esse é o objetivo, inclusive. E quando ele acorda, o que ele faz? Levanta da cama e vai nos procurar!!

Na primeira noite ele levantou, saiu do quarto e foi até a sala. A Mamãe viu e ficou toda preocupada, indo atrás dele e trazendo-o no colo. Em outra noite ele levantou, foi até a sala, e voltou até nosso quarto. Hoje em dia ele já vai direto pro nosso quarto, ficar ao lado da cama. E se em alguns poucos segundos ninguém o pega, ele reclama!

O melhor aconteceu numa noite em que, ao levantar e tentar abrir a porta do quarto dele (ela sempre fica encostada, para que possíveis barulhos da sala sejam abafados), sem querer ele a fechou! Só começamos a ouvir um toc toc toc, de alguém batendo numa porta. Ele não chorou, não gritou, não reclamou…simplesmente bateu com a mão fechada na porta, como todo mundo faz ao encontrar uma porta fechada e pedir para entrar.