Retroceder é preciso…às vezes


Quando o bebê vira o pescoço para procurar a origem do som é um alvoroço! A partir desse ponto todo mundo começa a conversar com ele para ver as expressões. Conversar com o Gael é uma delícia, pois ele responde de verdade! Sem contar que dá para ver na face dele a mudança de semblante, o franzir de sobrancelhas, e a risada bangela mais gostosa do mundo.

Ao engatinhar e andar eles passam a ir onde querem. Algumas vezes, com muita sorte e convecimento, é possível levá-los para onde deve ir. Nesse momento a vida já é deles. Não há mais nada que possa segurá-los! Obstáculos eles pulam. Se forem muito altos, não tem problema, ou contornam ou usam escadas. Subir no sofá já não é mais exercício, é ação automática.

Depois vem a comida, quando eles passam a comer o que querem e não o que damos. Claro que quando a fome é grande vai o que tiver pela frente, mas até aí muito choro e gritaria já aconteceu.

E finalmente o primeiro passo de total independência dos pais foi dado pelo Tom: ele começou a ir para a escolinha. Em janeiro ele começou a frequentá-la, mas ainda apenas como curso de férias, que duraram o mês de janeiro inteiro.

No começo de fevereiro começariam as aulas em si. Seria o fim de ir para a escola exclusivamente para brincar e o começo de ir para a escola tendo tarefas a cumprir. Só que uma gripe muito forte derrubou a casa toda. E essa gripe começou justamente com o próprio Tom. Foi uma semana de febre e muita, muita tosse. Ele não conseguia sequer tomar uma mamadeira que engasgava por causa da tosse. Como a febre não diminuía, tivemos que partir para o tão indesejado antibiótico.

Depois de 15 dias ele melhorou, e finalmente voltou a ir para a escola. Notamos que o comportamento dele havia mudado um pouco. Antes ele ia numa boa, chorava um pouco na despedida mas logo em seguida ia junto aos amiguinhos brincar. Ao final do dia, quando íamos buscá-lo, ele sempre vinha correndo sorrindo, com uma alegria contagiante lindo de ver, e queria nos levar para dentro para mostrar a sala e brincar junto. Mas após esse retorno, ir buscá-lo passou a ser duro, pois quando ele nos via começava a chorar. Vinha correndo, mas chorando. E não era um choro de não quero ir embora, era um choro de me leva embora logo.

Aí aconteceu de novo: no final do mês ele ficou doente outra vez. Novamente febre. E a tosse que ele pegou na gripe do começo do mês não havia passado.

Levamos no pronto socorro, e tanto lá quanto o pediatra disseram a mesma coisa: é preciso tomar cuidado não com ele, Tomás, mas com o Gael! Se o Gael pegar essa gripe que, novamente, o Tom pegou, o Gael precisaria ser internado pois não há remédio que se possa dar para um recém-nascido. E outra vez foi pro antibiótico.

A Mamãe e eu decidimos que o melhor para o Gael e para o Tomás neste momento seria retirar o Tom da escola. Invariavelmente ele ficaria doente com o contato com outras crianças. Isso é assim mesmo. Só que não podemos deixar os dois irmãos separados! Vira e mexe o Tom pede para pegar o Gael no colo, e agora cada vez mais o Tom interage com ele. Não seria justo com nenhum dos dois impedir ou limitar esse contato. Sem contar que não havia mais alegria no Tom para ir na escola.

Foi uma decisão complicada, pois isso implicaria em que a Mamãe teria que ficar com os dois em casa, e o tempo que o Tom ficaria na escolinha que poderia ser aproveitado de diversas formas, principalmente descansando, não mais existiria. Mas o bem estar dos pequenos vem em primeiro lugar.

Demos um passo para trás, com a certeza de termos feito a escolha correta.