Mês: fevereiro 2019


Voa, passarinho!


Uma nova fase da vida do Tomás começou. Uma fase em que ele vai descobrir muitas coisas novas. Ele vai descobrir que pode viver sem o Papai e sem a Mamãe. Mas vai descobrir que sempre estaremos aqui esperando ele voltar. Ou sempre estaremos ali estendendo as mãos para ele.

Descobrirá com mais força o que é uma amizade. E o que é saudades. E provavelmente também descobrirá o que é inveja. Ciúmes ele já sabe o que é, mas de forma diferente, em relação ao Gael. É ele quem tem o sentimento, mas agora talvez ele seja o alvo.

Vai descobrir que a vida é muito mais que a casa em que ele mora e os lugares onde o levamos para passear. Vai descobrir que existe um mundo inteiro ali fora para ser explorado. E vai saber que sempre estaremos esperando ele voltar. Às vezes com o coração apertado de saudades, outras de preocupação. Mas sempre com os braços abertos para recebê-lo e acalentá-lo.

Espero que nesta nova fase que se inicia ele não perca tão cedo a inocência, que continue com o sorriso gostoso, a gargalhada contagiante, o olhar doce, continue fazendo o barulho do avião, brincando com o trem, imitando o dinassauro.

Que nesta nova fase ele aprenda, cresça, se desenvolva. E continue sendo uma criança.

E que volte para casa empolgado, contando com todos os detalhes o que viu, aprendeu, sentiu. Sempre estaremos aqui.

Boas aulas, meu pequeno!


A pior parte de ser pai


As pessoas dizem que há várias coisas ruins na paternidade. Um campeão talvez seja trocar as fraldas do filhote. Não é agradável pegar uma fralda com os restos de um caldo de feijão, sem dúvidas. Até porque as chances de sem querer enfiar a mão onde não deve são grandes, ou se a criança for um pouco serelepe jogar a fralda longe – ainda aberta – é um risco a ser considerado.

Não é gostoso levar a criança tomar uma injeção. Precisar ser segurado, levar uma picada, ter um líquido estranho colocado dentro do corpo, e depois ainda ficar com a perna dolorida não é algo que possamos chamar de um bom programa. Sem esquecer da quase certa febre depois de um tempo.

Quando começa a comer o desejo de todo pai é que use os talheres, e que tenha coordenação motora ótima para levar o garfo certinho até a boca, sem derrubar um único grão de arroz. Mas esse desejo apenas o Alladin pode conseguir, porque na vida real vai sujar a cadeirinha, a mesa, a roupa, o chão em volta, e aquele que o pegará depois da refeição para limpar.

Outro sonho é falar para a criança “vai dormir que está na hora”, e magicamente ela vai para a cama, se deita e dorme. Sem precisar preparar uma mamadeira, sem contar histórias, sem deitar junto, sem chorar nem resmungar, e dormir a noite inteira.

Só que eu penso que tudo isso faz parte da vida, do aprendizado, do crescimento. Uma fralda suja indica que a criança está comendo e bebendo líquidos, que o corpo está processando os alimentos e que ela está saudável. A sujeira que faz ao comer demonstra que a criança está explorando o ambiente, fazendo experimentos! Ao pegar a comida com a mão está sentindo a textura, ao expremer o gomo da tangerina está vendo de onde sai o suco que bebe ao colocá-lo na boca. Em última instância está se divertindo.

Justamente por ser criança e ter tantas coisas a aprender, a ver, sentir, é que não quer dormir. Para eles dormir é uma perda de tempo! São horas a menos de brincadeiras, de convívio com os pais. Não pensam que são horas de descanso e de recarga de energias para poder continuar brincando.

As injeções são para evitar doenças. E aqui chegamos no motivo deste texto, e naquilo que considero a pior parte da paternidade. Ver o seu filho doente, qualquer doença que seja, dói. Machuca. Ver o nariz escorrendo e tendo dificuldades de respirar, impedindo que ele gargalhe, é uma faca passando pelo peito. Pegar no colo porque está chorando e não saber o motivo, é desesperador (pode ser porque está com fome, mas nada o apetece, ou está como sono mas não consegue dormir, ou simplesmente porque está desconfortável e nada resolverá o problema).

Ver o filho doente, na verdade, não é a pior parte de ser pai. Existir uma pior parte significa que existem outras ruins. Tudo que coloquei acima não acho ruim, pois são coisas naturais. Doenças fazem parte da vida, mas não são algo pelo qual deveríamos passar. Então elas não são a pior parte de ser pai: elas são a única coisa ruim de ser pai.

 


Fazer o que quer ou o que deve?


Estava passeando pelo Twitter quando me deparei com isto aqui:

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Vivemos uma época em que tudo é problematizado, tudo vira mimimi, todos precisam ter um lado (querendo ou não). Hoje em dia o que mais se vê são jovens querendo ser socialistas vivendo no capitalismo. Como assim? Pois é! Querem ter celular top de linha, videogame com os últimos lançamentos, curtir a baladinha do momento, usar a última moda do gueto, mas não querem fazer nada para merecer isso. Nem digo trabalhar, porque esse é um conceito complexo demais que está caindo em desuso.

Aí me aparece um tweet desses aí de cima. O que causa ansiedade em crianças é ter pais ausentes, ambiente familiar ruim, maus exemplos, é deixar que façam tudo que querem quando querem onde querem. É, na prática, criar pessoas como do parágrafo anterior.

Não ensinar ao filho que muitas vezes ele terá que fazer coisas que não gosta, colocar ele numa bolha para que nada o incomode, sempre deixá-lo à vontade é o caminho correto para criar um reizinho. A vida possui regras. A sociedade possui regras. Não segui-las implica em ser enxotado. Na vida em sociedade você cumprimenta as pessoas, gostando delas ou não, querendo ou não. Se não fizer isso, em pouco tempo estará isolado pois ninguém irá querer estar ao lado de alguém que se acha superior. A vida é cruel, e nada nunca mudará isso.

No texto da reportagem diz que isso (forçar o beijo) deve ser evitado porque pode fazer a criança perder o conceito (ou não criá-lo) do que é um contato abusivo. Concordo com isso, sem dúvida. Jamais se deve forçar alguém (seja criança ou adulto) a fazer algo que não quer a menos que seja importante (ninguém gosta de tomar vacina, mas é importante, então tem que tomar querendo ou não). Mas não dizer à criança para dar um beijo em alguém, e insistir um pouquinho caso não queira, tenha paciência! Até porque nenhum responsável pedirá à criança que dê um beijo em alguém que não conhece. Pois aí deixa de ser responsável.

A cereja do bolo do texto está no seu final: os pais devem explicar à outra pessoa o que está acontecendo. Explicar por que meu filho não quer dar um beijo em alguém? Se um adulto precisa de uma explicação dessas é melhor ir procurar um psicanalista porque está com sérios problemas mentais ou de auto-estima. Ou talvez tenha sido criado num bolha…


Imaginação solta


Desde cedo o Tomás ganhou livros, que nós compramos ou que foram dados de presente. De vez em quando nós tentamos sentar com ele e ler algum, mas a vaca-louca não pára e não conseguimos, às vezes, sequer mudar de página.

Tem alguns que ele adora, principalmente os de colorir. Claro que ele pinta e rabisca totalmente o livro ao invés de colorir de fato. Mas se garranchos são considerados arte moderna, por que ele precisa fazer o que se espera?

Um grande amigo deu de presente pra ele a assinatura de um clube de livros, A Taba. Uma vez por mês é enviado um livro com temática infantil selecionado por eles. Todos os enviados até hoje foram muito bons e interessantes.

Nem todos possuem textos, mas são sempre cheios de imagens, então para crianças não alfabetizadas também é interessante. O livro de novembro de 2018 foi Bocejo. Bem interessante porque conta apenas com ilustrações, e cada uma delas possui diversos detalhes que fizeram eu e a Mamãe olhar cada uma das páginas detalhadamente, e rir com o que encontrávamos. O Tom ainda é pequeno demais para perceber esses detalhes…

Com o livro de dezembro, Ter um patinho é útil, o Tom fez algo que ninguém esperava: a sua primeira fortaleza!!

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Tomás e sua fortaleza

Ele já havia nos surpreendido outra vez, quando reuniu todos os seus “amiguinhos” para o almoço, que ele mesmo serviu. Pegou todos os bonecos de pelúcia, colocou no chão da sala aos pés do sofá, em fila, pegou a tijela na qual ele come, uma colher, e foi dar comida para cada um deles.