Mês: janeiro 2019


Mamadrugadas


Já comentei bastante que o Tomás sempre vai para nosso quarto durante a noite. Por enquanto o Gael dorme no moisés do carrinho, ao lado da nossa cama. O principal motivo para isso é o medo dele passar mal e também de acordar o Tomás quando começar a chorar pela mamadeira.

Normalmente o Gael, pouco antes de mamar, começa a se mexer, resmungar, e só chora quando a fome realmente aperta ou quando ele acha que ninguém está dando bola (leia-se ninguém o pega no colo). Mas à noite, conosco dormindo, quem é que ouve as reclamações? É só o choro mesmo!

As mamadas do Gael ainda não seguem um padrão bem determinado durante as noites. Já teve noite em que ele não acordou como teve noite que foi de 3 em 3 horas. O problema destas noites (em que ele acorda) é que às vezes demora para voltar a dormir.

Já o Tomás nunca teve uma rotina determinada durante as madrugadas, mas quase sempre teve pelo menos uma mamada. Agora com o Gael, como era de se esperar, a cada mamadeira pro Gael, vai uma pro Tomás também. A vantagem das mamadeiras pro Tom é que basta prepará-la e dar pra ele, que ele se mesmo segura, toma e devolve ao terminar. Sem contar que o menino é rápido! Às vezes não leva nem 1 minuto pra tomar 180ml. Já o Gael….chega fácil a uns 30 minutos o processo de mamar, arrotar e voltar a dormir.

Neste noite aconteceu algo diferente: o Tom não reclamou que queria mamar. Apenas apontou a mamadeira. Quando falei que ia preparar (pois as que estavam ali no quarto eram as do Gael), e achei que ele ia resmungar e gritar, apenas veio pro meu colo, como que dizendo vou junto. Fui na cozinha, peguei a mamadeira, enchi de água, esquentei e voltamos ao quarto pra colocar o leite. Aí deitei ele na cama, achando que agora sim ele abriria o berreiro, mas que nada. Aguardou pacientemente os 3 segundos até eu pegar a mamadeira, bebeu, virou pro lado e dormiu.


Esse…esse…buááá!


O Tomás, durante o curso de férias da escolinha, janta lá. Ou pelo menos dizem que sim, pois sempre que nós vamos jantar, se ele ainda está acordado, também quer comer. Considerando a energia que esse menino tem, até faz sentido ele ter dois ou três almoços e jantares por dia.

Ontem foi um desses dias em que sentamos para jantar e ele ainda estava acordado. Então se juntou a nós. A Mamãe, sábia, deu um sorvete pra ele. Assim poderíamos ter um pouco de paz durante o jantar. O menu do dia era hambúrguer. Então na mesa estavam os sanduíches de cada um, mostarda e catchup. Ele não pode ver o pote de catchup. Ele ama catchup, para nossa tristeza.

Ficou apontando até que colocamos um pouco no prato dele. Lembra do sorvete? Pois é, estava no prato também. Ele comeu um pouco de sorvete com catchup. Mas ficou pedindo cada vez mais, chorando, fazendo birra. E nesse meio tempo o Gael acordou pois era quase hora de mamar. Imagina a cena: Mamãe, Bisa e eu tentando comer, Tomás chorando porque queria catchup, Gael chorando no carrinho porque queria mamar.

Fizemos o possível: Mamãe pegou o Gael, eu engoli meu sanduíche e peguei o Tomás pra dar banho. Praticamente não conversei com ele. Dei o banho, coloquei o pijama nele, preparei a mamadeira e fomos para o quarto. Ele tomou o leite e deitou.

Normalmente eu fico deitado com ele, com a cabeça numa almofada e deixo ele deitar em cima do meu braço. Para brincar um pouco ele fica trocando a almofada que está embaixo da minha cabeça. Como estava bravo com ele (na verdade não estava assim tão bravo, mas tinha que demonstrar que sim), não deitei junto, ficando apenas sentado na cama. O safadinho pegou a almofada e colocou atrás da minha cabeça, por conta própria. Aí deitei, ele colocou a cabeça em cima do meu braço esticado, e dormiu.


Se meu berço chorasse


O Gael é um bebê calmo, muito calmo! Ele chora em alguns poucos casos.

Pode estar com fome, o que é fácil de saber: basta fazer as contas para saber o horário da mamada. Se estiver perto, coisa de 20 minutos mais ou menos, pode apostar que é dar a mamadeira que ele se acalma. E durante o dia raramente o intervalo entre mamadas passa das 3 horas! À noite já é relativamente comum ele espassar os intervalos.

Outro motivo de choro pode ser o desconforto, principalmente com a fralda. Ele faz muito, mas muito xixi!! Faz tanto que tivemos que trocar a marca da fralda porque a anterior não segurava à noite. Então se a fralda estiver cheia pode apostar que vai ter reclamação. E também odeia ficar com cocô. Mas até aí quem gosta, não é?

Sono. Este também é um grande motivo para choro do Gael. E junto a ele aparece um dos principais motivos de reclamação do pequeno: ficar no bercinho (que por enquanto não é exatamente o berço, mas o moisés do carrinho). Ele fica por algum tempo, mas tem que ter alguém junto! Sozinho nem pensar!

Para colocar ele pra dormir cada um tem sua tática em casa…a Mamãe dá um pouco de peito. Eu, na ausência desse equipamento, tenho que ficar com ele no colo. E o melhor: não posso ficar sentado! Assim que eu sento o altímetro dele dispara e junto vem o bico, o lábio tremendo, a lágrima dos olhinhos e o berreiro. Nessa exata ordem. Tenho que ficar andando com ele e chacoalhando. Ele vai dar uma resmungada e logo em seguida vai fechar os olhos. Claro que até resmungar podem se passar algumas horas.

No carro ele é exatamente como era o irmão: carro parado, choro constante. Carro andando, silêncio. E o velocímetro já funciona muito bem, obrigado. Assim que o carro começa a diminuir a velocidade e baixa dos 20Km/h, ele já começa a reclamar.

O melhor de tudo são as gargalhadas que ele dá! E também as altas conversas filosóficas com todos que se dispõem a dar atenção a ele! Se o Tomás não se cuidar, o Gael começa a falar antes que ele.


Doutor cheio de graça


Ontem foi dia de consulta no pediatra do Gael. Eu estava com um pouco de receio que ele dissesse que estava ficando acima do peso. Na medição ele está com 6.755 gramas. Mas pela curva peso/altura está perfeito! Não mudou de curva desde que nasceu e continua firme e forte nela.

Só que teve bronca. Pra mim! O motivo? Não fui na consulta! Como ela foi marcada para o começo da tarde, assim não seria necessário levar o Tom (pois estaria na escolinha), eu acabei não indo para não ter que sair cedo do trabalho. E ele disse que esgotei minha cota de faltas a consultas do ano. Detalhe: esta foi a primeira consulta de 2019.

Mas ele está certo. Como pai eu tenho a obrigação de acompanhar tudo sobre os filhos, de saber o que está acontecendo, como está o desenvolvimento, e estar junto sempre neste começo de vida.

De resto está tudo ótimo com nosso pequeno. Houve recomendação para evitar viagens a determinados locais que são focos de febre amarela e ele não pode ser vacinado ainda…além de ser muito difícil manter pernilongos afastados daquela gostosura!


Despedida matutina


Um dos primeiros desejos de todos os pais é, ao chegar em casa no final do dia de trabalho, o filho vir correndo (ou engatinhando) para receber um beijo e um abraço bem apertado.

Quando vamos pegar o Tom na escola é exatamente isso que acontece! Ele pode estar brincando, dançando, ou simplesmente andando pra lá e pra cá, que ao nos ver imediatamente abre um sorriso lindo e vem correndo.

Mas existe o outro lado da moeda. O momento da despedida. E nesta semana comecei a passar por isso ao sair para trabalhar. Como estamos tentando colocar um novo ritmo na casa, indo cedo para a cama e consequentemente acordando cedo também, todo mundo começa a despertar quando eu saio. Isso quer dizer que o Tomás me vê saindo, e ele não gosta!

Ontem cheguei atrasado no trabalho porque fiquei com ele no sofá um tempão vendo desenho na TV. Ele não queria me deixar sair, e foi um chororô danado. Hoje ele levantou correndo da cama e veio me pegar na sala, pedindo colo. Levei de volta pro quarto e dei uma mamadeira, aproveitando para sair enquanto ele tomava o leite. Segundo a Mamãe, quando ele percebeu que eu já não estava mais em casa, chorou um pouco.

O Gael ainda é muito pequeno para perceber essas coisas, mas que ao chegar em casa e dar oi pra ele, ele dá um sorrisão, ahhhh isso dá!


Toc toc toc


Com a chegada do Gael algumas coisas mudaram em casa. A primeira foi o quarto do Tom. Saiu a cômoda que tínhamos para entrar outra menor, um armário e uma cama. Armário porque precisamos guardar as roupas dos dois. Cômoda menor porque com a anterior não caberiam o armário e a cama. E a cama porque, afinal de contas, o berço ganhou um novo morador, e o morador anterior precisa de um lugar para dormir!

A nossa saga para colocar o Tomás para dormir sempre foi a mesma: dá a última mamadeira do dia, senta com ele na poltrona, espera ele dormir, e coloca no berço. Só que ao colocar no berço ele muitas vezes acordava. Ou então acordava alguns minutos depois. Nesses casos, de volta à poltrona. Várias vezes. Até dormir.

Só que o “até dormir” não era até acordar de manhã para tomar café num belo e novo dia. Era, com sorte, por um par de horas. Até acordar e termos que levá-lo para nossa cama. Não somos de ferro e precisamos dormir também, então não dá para ficar indo a cada hora no quarto para niná-lo e colocar de volta no berço.

Com a cama as coisas mudaram um pouco, até porque a poltrona saiu do quarto (falei que o quarto é pequeno?). O ritual é fazer a mamadeira, chamá-lo para deitar, dar a mamadeira com ele já deitado, e ficar com ele até pegar no sono. Esse ritual já estamos fazendo desde pouco antes do nascimento do Gael, então funciona. O Tom inclusive já vai sozinho para o quarto quando chamamos! Não é mais preciso pegá-lo e levar à força! O sonho é falar “Tom, vai dormir“, e ele ir sozinho. Mas sei que é apenas um sonho.

Só tem um pequeno problema: a cama é infantil, baixinha, então ele pode subir e descer dela sozinho. Esse é o objetivo, inclusive. E quando ele acorda, o que ele faz? Levanta da cama e vai nos procurar!!

Na primeira noite ele levantou, saiu do quarto e foi até a sala. A Mamãe viu e ficou toda preocupada, indo atrás dele e trazendo-o no colo. Em outra noite ele levantou, foi até a sala, e voltou até nosso quarto. Hoje em dia ele já vai direto pro nosso quarto, ficar ao lado da cama. E se em alguns poucos segundos ninguém o pega, ele reclama!

O melhor aconteceu numa noite em que, ao levantar e tentar abrir a porta do quarto dele (ela sempre fica encostada, para que possíveis barulhos da sala sejam abafados), sem querer ele a fechou! Só começamos a ouvir um toc toc toc, de alguém batendo numa porta. Ele não chorou, não gritou, não reclamou…simplesmente bateu com a mão fechada na porta, como todo mundo faz ao encontrar uma porta fechada e pedir para entrar.


E começa a vida estudantil


Nós queríamos ter colocado o Tom na escolinha ainda no ano passado, antes do nascimento do Gael. Isso evitaria que ele achasse que estava sendo trocado pelo novo bebê, nos ajudaria – talvez – a controlar melhor a energia dele (ou falando no português correto, fazer ele gastar a energia de sobra que tem), e faria ele ter mais contato com outras crianças. Mas por uma série de fatores, não conseguimos.

Com a chegada do Gael ficou evidente que seria muito difícil ficar com os dois o dia inteiro em casa, e o Tom precisa sair, precisa brincar, se divertir, expandir os horizontes, ter novas experiências, e para isso a escola seria essencial.

No começo de 2018, antes da gravidez do Gael, chegamos a procurar escola para ele. Visitamos mais de 20. Algumas boas, outras ruins. Algumas caras, outras muito caras. Foi o suficiente para saber que não há escola perfeita, e que a escolha teria que ser um misto de afinidade, atendimento, distância de casa, extras oferecidos e, claro, valor.

Optamos por uma em que o atendimento foi espetacular. A escola não é grande e possui apenas o ensino infantil. Então em poucos anos ele sairá de lá. Mas nós gostamos dela! Matriculamos o Tom para já começar no curso de férias, assim a adaptação é mais fácil já que por enquanto é apenas brincar, e com poucos alunos.

Dia 02 foi o primeiro dia dele. A Mamãe e eu o levamos. Ele não chorou nada e já foi brincar. Na hora que fomos buscá-lo e ele nos viu, abriu um sorriso que é daqueles que espanta o mais triste pensamento e alegra o mais pesado coração!! E quis nos apresentar a sala dele…nos pegou pela mão e nos levou para dentro.

Ele já pintou, desenhou, cantou, fez amigos, ganhou apelido, só não conseguiu ir na piscina. Não, a escola não tem piscina, mas na sexta-feira eles iam montar uma para os pequenos. Só que como choveu e ventou muito, acabaram apenas molhando os pezinhos. Imagino que ele tenha reclamado um pouco ao sair…

Como está estudando à tarde, nós estamos tentando mudar um pouco os horários em casa. Ele sempre acabava indo pra cama por volta das 22:00, 23:00. Agora estamos tentando fazê-lo ir entre 20:00 e 21:00. É um horário possível, pois na escolinha ele não costuma dormir (até hoje dormiu apenas um dia), então chega em casa cansado. Às vezes é uma batalha para ele não dormir no carro, no trajeto de 5 minutos entre a escola e nossa casa. Mas estamos conseguindo, aos poucos.

Acredito que ele esteja gostando bastante, pois na hora de ir embora é sempre um sufoco colocá-lo no carro. E pelo fato dele ser extremamente curioso (o que eu particularmente acho espetacular), cada dia é um novo aprendizado.


Gael: seja bem-vindo


Após todos os acontecimentos durante a gravidez, esperávamos por um parto tranquilo, já que tínhamos tudo decidido e encaminhado. Mas a vida, ahhhhh a vida…

A gravidez teve muitos altos e baixos, com vários problemas. No final dela a Mamãe estava se sentido muito cansada, com muitos picos de pressão alta, e com o bebê provocando como se fossem cãimbras por conta do tamanho. O Gael estava muito bem, obrigado. Segundo a obstetra ele poderia chegar tranquilamente às 40 semanas, e talvez até nascer de parto normal, que chegou a ser um desejo da Mamãe em alguns momentos. Mas como a Mamãe estava sofrendo muito, foi decidido que seria cesárea e que seria marcado para a sexta-feira ou para a segunda-feira seguinte.

Na sexta-feira a Mamãe não acordou bem, e conversando com a obstetra foi decidido, por volta das 10:30, que seria nesse mesmo dia. Ela deveria internar às 13:00 e o parto seria às 16:00. Minhas roupas e da Mamãe já estavam prontas? Claro que não! Foi uma correria danada, mas às 13:00 estávamos no hospital para internar.

Não sabíamos como seria o parto. Para o Tom havíamos visitado a maternidade e já sabíamos de todos os procedimentos. Ali não tivemos tempo de fazer isso, então tudo nos foi sendo explicado conforme acontecia. Sabíamos que o bebê sempre fica com a mãe no quarto, saindo apenas para alguns exames e para o primeiro banho.

Nesse hospital apenas o acompanhante pode ver o parto. Não há janelinha para ninguém de fora ver. A Mamãe foi levada para a preparação, e logo em seguida eu fui ficar com ela, já com a roupa esterilizada (que achei esquisito colocar por cima da roupa que estava). Nos separamos mais uma vez quando ela foi levada para a sala de cirurgia, mas poucos minutos depois já me chamaram. Quando entrei já haviam iniciado a cirurgia.

Quando o Gael ia nascer, assim que seria retirado do útero, a cortina que impede a nossa visão do que está acontecendo é abaixada, para que possamos vê-lo saindo. Não sabíamos que seria assim, mas depois a comadre nos contou que esse é o procedimento padrão da Poli. Assim que o Gael saiu, ela já o levou até a Mamãe para que ela desse um beijo nele, e depois para que eu desse um beijo. Ele ainda com o cordão umbilical. É um momento que não tem como explicar com palavras.

Ele foi levado para todo o processo de medição, pesagem, limpeza, e eu fui junto, ali no cantinho da sala de cirurgia, enquanto terminavam de fechar a Mamãe.

Depois de um tempo a pediatra levou o Gael, junto comigo, para mostrar ao pessoal que estava fora do centro cirúrgico, para que o vissem. Foi apenas nessa hora que o peguei no colo. Voltamos para a sala de cirurgia, e logo em seguida a Mamãe foi para a recuperação….comigo e com o Gael! Só nos separamos quando fomos para o quarto, pois eu fui seguindo o berço do Gael.

O nascimento de um filho, não importa se é o primeiro, segundo, terceiro ou décimo, é sempre um momento mágico e singular. O amor que cada um recebe não é dividido. É multiplicado.


A gravidez: montanha russa


Quando descobrimos a gravidez do Gael, depois da alegria inicial (ou desespero inicial, dependendo do ponto de vista), veio uma grande preocupação. Havíamos mudado de plano de saúde recentemente, então estávamos na carência para parto. Começamos a fazer as contas para ver quando seria o nascimento. Se o parto fosse com o tempo previsto para um parto normal, 40 semanas, estaríamos fora do período de carência. O Gael só não poderia querer nascer antes de 32 semanas.

Então veio a segunda preocupação: onde fazer o parto. Com a mudança de plano, e a ideia de esperar um pouco para ter o segundo filho, optamos por um plano mais básico para diminuir custos. E esse plano contava com apenas 6 maternidades na região metropolitana: 4 em São Paulo, 1 em Osasco e 1 em São Caetano do Sul.

O obstetra que fazia o pré-natal disse, ao ver a lista, que num deles ele poderia operar. Uma preocupação a menos. Mesmo com as referências que tínhamos do hospital não sendo boas, precisávamos conhecê-lo. O que acabou acontecendo numa noite em que a Mamãe teve uma crise de pressão alta e fomos para lá. O atendimento foi, por falta de palavra melhor, tenebroso. Decidimos que, definitivamente, nesse hospital o Gael não nasceria.

Nesse meio tempo mudamos de obstetra, pois houve uma quebra de confiança. A Mamãe teve uma crise alérgica muito forte, e pediu para marcar uma consulta com o obstetra, mas ele disse para que procurássemos um especialista. Mesmo que ele não soubesse o que fazer, deveria ter nos recebido para no mínimo nos acalmar.

Fomos na obstetra que fez o parto do nosso afilhado, que nos atendeu muito bem, nos deu muita confiança, mas tinha um problema: não atendia nosso convênio. Teríamos que fazer o resto do pré-natal e o parto no particular. Além do hospital, que não estávamos confiantes nas opções do plano.

Durante outra crise de pressão alta, acabamos indo para o hospital São Luiz, unidade Itaim, que era onde a obstetra atendia. Fomos no particular, na emergência. Foi solicitado que a Mamãe fosse internada, então começamos a buscar por uma opção de hospital. Demos a lista dos hospitais que o convênio cobria para o tesoureiro do São Luiz ajudar a buscar uma vaga (vale um agradecimento a ele: não tinha obrigação alguma de fazer isso. Nos ajudou muito!). Na lista estava o Hospital e Maternidade Sino Brasileiro, em Osasco, que não sabíamos que era da mesma rede do São Luiz. Conseguimos uma vaga para ela lá. Esse hospital se mostrou uma grata surpresa, com instalações boas e ótimo atendimento, e acreditamos que havíamos conseguido o hospital para o parto e que o convênio cobria. Faltava apenas ver se a obstetra poderia fazer o parto lá.

Conversamos com a obstetra, que pediu a lista de hospitais, e viu que havia ali um no qual ela havia trabalhado no início da carreira, e do qual ela gostava muito. Tínhamos mais uma opção! Nós acabamos indo nesse hospital numa crise de enxaqueca que a Mamãe teve, e a parte de emergência dele nos deu um pouco de medo, mas o andar da obstetrícia era um oásis. E decidimos que seria ali mesmo! Bastaria, claro, o Gael não nascer antes do tempo!


Quando a família cresce


Hora de contar como fiquei sabendo da vinda do Gael, e também de criar vergonha na cara e voltar a escrever por aqui. Principalmente porque daqui a alguns anos, quando eles descobrirem este espaço, e morrerem de vergonha, certamente ouvirei “por que só tem coisas dele?”, “não gosta de mim?”, “só por que não sou novidade?”, e por aí vai! 🙂

Nós pensávamos em ter um segundo filho, depois que estivéssemos bem estruturados e com o Tom na escolinha, principalmente. Por isso inclusive que a Mamãe tomava anticoncepcional. Assim que ela se sentiu pronta, resolveu voltar para o mercado de trabalho, até porque viviam atrás dela para retornar à empresa da qual tinha saído.

Então resolvemos procurar uma escolinha para o Tom e ela voltar ao batente. Para isso precisava fazer alguns exames médicos, ainda mais porque haviam vários atrasados que o ginecologista havia pedido há meses. Então lá foi ela fazer. Como eram exames de rotina, acabei não indo junto.

Ao final do dia, quando foi me buscar no trabalho, pediu para descermos até a garagem esperar um pouco porque não estava se sentindo muito bem. Ok, sem problemas. Depois de alguns minutos ela começa a chorar, e eu fiquei assustado pois devia ter alguma coisa nos exames que a preocupou. Ela disse que tinha. E disse “adivinha o que tem”, e eu desesperado “fala logo”! “Não adivinha?”…e comecei a rir, pois na hora me deu um estalo.

início do flashback

Antes de sabermos da gravidez do Tom, houve um dia em que fomos ao shopping, e a Mamãe ficou alucinada por sorvete. Comeu tanto que até passou mal. Alguns dias antes desses exames fomos ao interior visitar Dona Sogra, e num passeio no shopping ela quis sorvete de novo. Na hora fiquei com a pulga atrás da orelha, mas como estava com anticoncepcional, achei que era só coincidência e acabei nem comentando nada.

Detalhe: ela não gosta de sorvete.

fim do flashback

Ela confirmou que estava grávida. E aí me contou como foi na clínica.

Chegou para fazer o ultrassom, preencheu toda a papelada inclusive dizendo que não estava grávida (porque a princípio não estava mesmo), e foi pra sala do exame. Após um tempinho do início do exame, em que o médico nada falou e ficava mexendo pra lá, mexendo pra cá, a enfermeira que acompanhava perguntou ao médico se não era melhor ir para outra máquina, pois essa estava com problemas.

Aí a Mamãe já ficou preocupada, e foi pra outra sala. Lá a enfermeira pegou na mão dela, e esse foi o sinal para o início do desespero. Quando ela já estava chorando perguntando o que estava acontecendo, o médico disse que estava tudo bem, não haviam encontrado nenhum problema, não havia nada….só um saco gestacional.

Segundo a Mamãe, nesse momento ela desmaiou. Acho que há um pouco de dramatização aí, mas com certeza a pressão dela deve ter despencado!

Aí veio outra enfermeira com água, medidor de pressão, cadeira de rodas, já estavam quase chamando o SAMU. Ela foi para a área de espera, onde a Tia Pi estava esperando com o Tom, e como chegou lá amparada pela enfermeira, a Tia Pi já ficou desesperada, gritando “o que aconteceu? O que fizeram com ela?“, e aí explicaram.

Como encontraram apenas o saco gestacional, com uma idade aproximada de 2 semanas, não era possível afirmar categoricamente que estava grávida, então sugeriram comprar um teste de farmácia. No caminho entre a clínica e o meu trabalho, a Mamãe parou em todas e comprou testes de gravidez. Todos positivos.

Teríamos que fazer um novo exame 15 dias depois para confirmar a gravidez. Foram os 15 dias mais demorados de nossas vidas, pois não queríamos contar a ninguém para não alimentar falsas esperanças, mas também estava difícil segurar a novidade.

Após o novo exame, tudo confirmado: havia um feto com o coração já batendo firme e forte! Decidimos que contaríamos apenas com 3 meses de gestação, para passar a fase inicial complicada.

E com isso a volta ao trabalho da Mamãe foi adiada em mais um ano, pelo menos.