Mês: abril 2017


Dia 69 – Primeiro banho de chuveiro


Limpar o Biscoito quando ele faz o número 2 é sempre uma emoção. Pode ter um fiozinho na fralda, pode ter uma enxurrada, ou pode haver uma catástrofe ecológica. Com sorte não afeta a roupa.

Hoje aconteceu uma hecatombe intestinal. Foi tanto, mas tanto, que até o piupiu ficou sujo!

Em casos mais extremos a regra é clara: banho na pia do banheiro. O Biscoito é escoltado até o banheiro apenas com as roupas “superiores” e toda a região afetada é lavada com água morna e sabonete na pia do banheiro. Poderíamos usar lenços umedecidos, mas seriam uns 2 pacotes a cada limpada. Poderíamos também dar um banho nele, mas até encher a banheira ele já teria ficado impaciente e espalhado cocô por tudo quanto é canto.

Como ainda não tinha tomado banho, resolvemos aproveitar e encher a banheira para tal, enquanto limpávamos o estrago na pia mesmo. Não o colocamos direto na banheira porque ele está expelindo os rotavírus por causa da vacina, e eles saem justamente pelas fezes. O problema é a Mamãe ou eu nos contaminarmos. Sem contar que dar banho com cocô flutuando pela água não é das coisas mais higiênicas do mundo.

Terminado o banho na pia, tiramos a roupa dele e o colocamos na banheira. Do jeito que ele adora. Começamos a molhar o corpo dele, como ele ama. Aí vimos “fiapos” amarelos na água. Alerta amarelo! Xixi na piscina….quer dizer, cocô na banheira!

Teríamos que esvaziar a banheira, limpá-la e encher de novo. Ia demorar. Como o chuveiro já estava aberto para esquentar o banheiro, Mamãe sugeriu entrarmos os 3 para dar banho nele. Vamos lá então!

Mamãe tirou a roupa, eu tirei a roupa e lá fomos os 3 pra dentro do chuveiro. O Biscoito só reclamava quando ficava com o corpo fora do jato de água. Mamãe segurou ele enquanto eu passava shampoo e sabonete. Depois eu segurei ele pra Mamãe lavar o cabelo, sair, se secar e então pegar o Biscoito. Ele quase dormiu no meu colo.

Se o box do chuveiro fosse maior, dava pra fazer isso mais vezes. Se você tem condições (leia-se espaço e coragem) e seu bebê gosta de tomar banho, faça! É muito gostoso! Só não esqueça de pegar toalha pra todo mundo…


Dias 60, 61 e 62 – As Vacinas


Que uma vacina daria reação nós já sabíamos. Que elas são doloridas, já imaginávamos. Que o Biscoito poderia ficar ruim, era quase uma certeza.

A reação não foi assim tão forte. Ele teve febre, mas com a recomendação do Dr. Atra demos Tylenol assim que chegamos em casa, e seguindo a bula foi de 5 em 5 horas até que tivéssemos certeza de que ele não estava mais quente.

Ele tomou quatro vacinas: pentavalente, rotavírus, poliomielite e pneumocócica.

A rotavírus é a mais tranquila, pois é em gotas, mas é uma que exige um cuidado extra não no bebê, mas naqueles que cuidam dele, pois o vírus é expelido pelas fezes e pode contaminar quem tiver contato com elas (as fezes). A ordem é sempre lavar muito bem as mãos após as trocas de fraldas. O problema não é “recontaminar” o bebê, mas sim contaminar os pais e estes ficarem doentes! Ele provoca a popular dor de barriga: diarreia, vômitos e, consequentemente, desidratação. Esta vacina possui um versão mais abrangente aplicada em clínicas particulares, mas aí ao invés de duas doses (como no posto de saúde), são três.

A pneumocócica protege contra doenças provocadas pelo pneumococo, como pneumonia, meningite, otite, sinusite, entre outras. No posto é dada uma versão que protege contra 10 variantes da bactéria. Na rede particular a vacina protege contra 13. Esta vacina o pediatra disse para tomar na rede particular de qualquer jeito! Recomendam 3 doses e uma quarta de reforço (fonte). Ela é dada através de injeção no músculo lateral da coxa. Não costuma provocar reação, exceto a dor da picada, e não deixa a perna doendo (pelo menos no Biscoito a perna onde levou essa não ficou dolorida).

A poliomielite é a famosa vacina contra a paralisia infantil, que nos bebês é dada através de injeção no músculo lateral da coxa. São 3 doses e uma quarta de reforço. Na rede pública a partir de um ano de idade é sempre por gotas (fonte). Não causa reação nem dor, exceto, obviamente, a picada.

A pentavalente é a vacina problemática. Ela protege contra difteria, tétano, coqueluche, infecções provocadas pela bactéria Haemophilus influenzae tipo b (como meningite, pneumonia e outras) e contém a segunda dose contra a hepatite B (a primeira dose foi dada ainda na maternidade). Na rede particular inclui a vacina contra a polio, eliminando uma picada no bebê! O problema é que essa vacina está em falta. É muito difícil de achar (e segundo a pediatra que nos atendeu na clínica a falta é mundial). Outra diferença da rede particular para a pública é que na particular a vacina contém apenas fragmentos de células dos agentes, enquanto que na rede pública são células inteiras. Essa diferença é que faz com que a vacina da rede pública quase sempre provoque reação, que normalmente se restringe à febre por 1 ou 2 dias. E ela dói!! Não apenas na picada, mas durante alguns dias a perna do bebê fica inchada e dolorida.

A dor é tanta que ela é sempre dada sozinha numa das pernas (acredito ser padrão que seja na esquerda), enquanto as outras duas, no caso de não ser a vacina hexavalente (pentavalente + polio), são dadas na outra perna. O Biscoito ficou com a perna esquerda bem dolorida na quinta (quando tomou a vacina) e na sexta. No sábado ele ainda sentia um pouco, e no domingo já estava ótimo. Fizemos bastante compressa.

Aliás, a compressa é uma caso a parte: tanto no posto de saúde quanto na clínica em que demos a pneumocócica a ordem foi fazer bastante compressa com água em temperatura ambiente! Nada de água quente nem gelada. Pensando mais friamente, faz sentido. O local onde a vacina foi dada fica inchado e quente. Se fizer compressa de água quente não vai ajudar a aliviar a dor, já que vai deixar o local mais quente ainda. Água gelada vai causar um desconforto muito grande no bebê (se num adulto já não é lá muito agradável, imagine num bebê). Portanto o melhor é mesmo a temperatura ambiente.

As noites foram os piores momentos, pois o Biscoito não queria dormir sozinho nem no bercinho colocado ao lado da nossa cama. No colo ele até ficava um pouco quietinho e descansava, mas era colocá-lo no berço para começar o berreiro. Nossa noite foi bem longa….ainda mais com o nosso querido aspirador de pó, esse da imagem ao lado, ter começado a funcionar quase que embaixo dele por volta das 23:30, logo depois que conseguimos fazê-lo dormir um pouco! Minha vontade foi de jogar o aspirador na parede e triturar cada pedacinho de plástico dele. Só que aí lembrei que ele começou a funcionar porque estava com a hora errada, e estava com a hora errada porque eu não a arrumei. O coitado não tinha culpa. Mas o Biscoito só voltou a dormir pra lá das duas da manhã…

Durante esse período ele ficou bem choroso, manhoso, e querendo/exigindo bastante atenção. Ainda bem que tivemos a atitude correta de dar as vacinas no início de um feriado prolongado. Não teria dado certo fazer isso no meio da semana.


Dia 59 – Presente de Grego


Na quinta-feira o Biscoito completou 2 meses. É, eu sei! Não são 60 dias. Quem mandou nascer em fevereiro?

E foi o dia escolhido para dar as temidas vacinas. Escolhemos esse dia pois foi véspera de feriado prolongado, então posso ficar 100% do tempo com o Biscoito e com a Mamãe.

O Dr. Atra foi enfático: pode dar todas as vacinas no posto de saúde, exceto a pneumocócica, que protege contra pneumonia e meningite. Essa ele recomendou fortemente a dar em clínica particular, pois a da clínica protege contra uma quantidade maior de variações da bactéria.

Haveria outras duas vantagens em dar todas as vacinas na clínica: uma picada a menos (no posto são 3 e na clínica 2) e reação às vacinas (na clínica quase não há reação). Os problemas são o custo (apenas a pneumocócica custa em média R$ 300,00) e a falta de uma das vacinas! Ela está em falta quase que no mundo inteiro, segundo a pediatra da clínica (apenas em alguns lugares dos Estados Unidos e da França pode ser encontrada, segundo ela).

Então não tivemos muitas opções e fomos dar as vacinas no posto, exceto a pneumocócica.

Infelizmente, de novo, não pude estar junto à Mamãe e ao Biscoito na aplicação da vacina. Quando nos chamaram a moça disse que precisava da carteirinha do SUS do Biscoito. Então fui tirar a senha para o atendimento para fazê-la. E na hora que chamaram meu número foi a hora que começaram a dar as vacinas. Quase desisti de ir e pegar outra senha depois. O problema é que tínhamos que sair correndo do posto pra clínica dar a vacina que faltava, pois ela precisava ser dada no mesmo dia, ou então só no mês que vem!

Do balcão ouvia o choro do Biscoito, e a vac….atendente não me deixou ir até a sala de vacinação dizendo que precisava de algumas informações, as quais poderia ter perguntado depois ou esperado um pouco.

Voltei à sala e o Biscoito estava no colo da Mamãe, choroso, e a Mamãe com cara de assustada. Mas ela aguentou forte!

Na clínica chegamos um pouco antes de um casal com uma menina, que foram tomar a vacina contra a gripe. Mamãe falou para eles passarem à frente para a criança não se assustar com o choro do Biscoito ao tomar a vacina. Essa é a Mamãe! Mesmo com o coração apertado pelo sofrimento do Biscoito ainda pensa nos outros!

A noite foi longa. Houve um bolinho para comemorar os 2 meses do Biscoito feito pela Mamãe, delicioso! Mas o Biscoito ficou muito choroso, e só dormiu conosco, na nossa cama. Claro que ele ficou com metade da cama e a Mamãe e eu espremidos na outra metade.

Está febril, mas pelo menos sem muita dor na perna, aparentemente. Essa reação era esperada.

Dentro de um mês nova vacinação.


Crônica do Nascimento


Recebo tio, tia, avó, primo, sobrinho. Corredor cheio. Barulho dentro e fora do quarto. Pobres famílias que estão nos outros apartamentos tentando dormir. Daqui a pouco aparece um segurança mandando todo mundo entrar no quarto, penso.

Onde coloca essa mala? E essa caixa? Cabe no armário? Cadê a Mamãe que não subiu ainda?

Santa ajuda da prima para organizar as coisas no quarto.

Vou até a enfermagem perguntar se vai demorar muito pra Mamãe subir. Está marcado para as 20:00. Já são 19:40. A enfermeira olha o relógio e diz:

– Ainda tem tempo. Vai subir sim.

Volto pro quarto. Metade da família dentro conversando, metade fora, no corredor, conversando.

Toca o telefone.

– Acompanhante da Sra. Mamãe?

– Sim, sou eu!

– O senhor deve descer na triagem com um documento seu, a autorização para entrar no centro cirúrgico e a primeira muda de roupa do bebê.

O coração dispara, e ela continua:

– A sua esposa já trocou de roupa e o senhor deve pegar as roupas que ela estava vestindo. Ela já vai subir para o centro cirúrgico.

O coração já saiu correndo do hospital.

Falo pra todo mundo que ela vai direto pro centro cirúrgico, então todos devem subir ao 5o. andar para assistir o parto. Eu vou descer pegar as roupas dela. O que é que eu tinha que levar mesmo?

Encontro Mamãe sentada, com cara assustada, já trocada para a cirurgia. Provavelmente ela deve ter visto minha cara de pânico também!

Acompanhei ela até o 4o. andar, onde eu desceria para deixar as coisas dela no quarto e me trocar. Ela seguiu pro 5o., onde cruzou com toda a família no corredor. Abraços de mãe, avô, afilhada. Aplausos. E choro! Muito choro! Depois vi pelas fotos e soube pelos relatos que foi emocionante. Mas não pude estar com ela, segurando sua mão.

Entrei na área reservada, onde médicos, enfermeiros, assistentes e acompanhantes se trocam. Tiram toda a sua roupa e colocam a do hospital. Uma calça e uma blusa. E protetores no sapato. O sapato fica. Talvez para evitar mal cheiro, quem sabe. E uma touca. Meu documento é trocado por uma chave de armário. A guardiã das chaves diz que muita gente saía do centro cirúrgico e esquecia de deixá-la de volta, indo embora com ela.

Sento no banco aguardando ser chamado. Tem um outro pai ao lado. Como homens, trocamos meia dúzia de palavras. Imagino que se fossem duas mulheres teriam saído dali com zapzap uma da outra e já teriam combinado de tomar um café depois do nascimento. Talvez tenham se passado 10 minutos. Ou 20. Ou 30. Não sei.

A enfermeira entrega uma máscara e ensina a colocar. Amarra no pescoço e deixa a parte de cima solta. Na hora de entrar na sala de cirurgia amarra atrás da orelha. É que essa máscara esquenta ao se respirar.

Mais 10 minutos. 20. 30. Uma hora?

Toca o telefone da enfermeira.

– Acompanhante de Joana (nome fictício, imagina se vou lembrar o nome da outra mãe). Pode subir, sala 4 – diz a enfermeira.

– Boa sorte e bom nascimento – digo para o pai.

– Obrigado, bom nascimento para você também – responde ele.

Nenhum de nós dois sabia que o termo correto para esse momento é “boa hora“. Assim como para um ator que vai entrar em cena é “quebre a perna”. Por que “boa hora” é uma boa pergunta! Mas com certeza melhor que “quebre a perna”.

10 minutos. 20. 30. Três horas?

Chega para se trocar uma moça que vai acompanhar um parto. Ela estava branca. Penso que deve ter sido pega de surpresa. Se tivesse 20 anos era muito. Sinto um pouco de pena pelo pai da criança não estar lá. Mas talvez não estar lá seja algo bom. Vai saber.

A enfermeira ensina o ritual da máscara para ela.

10 minutos. 20. Uma eternidade!

Toca o telefone.

– Acompanhante de Mamãe, pode subir. Sala 5.

Sinto uma descarga de adrenalina. Batimentos a 300. Nossa, o coração voltou! Que bom!

Na mão está a troca do Biscoito e a autorização para entrar no centro cirúrgico. Tento colocar a máscara com uma mão só. Deve realmente ser a adrenalina. Óbvio que não consigo. Chego no andar e entrego a autorização. Paro na porta da sala de cirurgia, coloco a troca no meio das pernas e uso as duas mãos para colocar a máscara.

Devo esperar alguém abrir a porta ou já entro? Vou entrar. No pior dos casos me mandam sair e esperar.

Entrego a troca de roupas para uma médica…enfermeira….assistente….pediatra….sei lá, para alguém! E me dizem para sentar num banquinho na cabeceira da maca, ao lado da Mamãe. Dou a volta na maca e nem vejo o que os médicos estão fazendo. Quero ver logo como está a Mamãe! Um alívio por vê-la ali. E uma força nem sei de onde vem. Todo meu nervosismo vai embora. Alguém ali precisa estar calmo. Alguém além do médico, claro.

– E a Claudinha? – pergunta a Mamãe.

– Hein? – respondo eu, fazendo cara de “hein”.

Os médicos estão conversando. Perguntam se levei a Mamãe para comer churrasco no porto de Montevideo. Falei que ainda não fomos para lá. Tem uma música de fundo. Sempre tem música no centro cirúrgico. Não lembro o que estava tocando.

– Camada dois – diz o médico.

– São sete camadas de pele – diz o outro médico.

Bip. Bip. Bip. É o coração da Mamãe batendo.

Barulho de sugador. Mamãe olha assustada pra mim, e respondo:

– É o sugador! Ainda não nasceu!

Bip bip. Bip bip. Bip bip. Coração acelerado.

– Tá chegando – diz o médico – É cabeludo!

Ele solta os instrumentos e começa a usar a mão.

– Chegou? – pergunta aflita Mamãe.

– Ainda não – respondo.

– Um… – diz o médico.

Ele continua usando as mãos.

– Dois…

Só vejo os braços de branco se movendo.

– Três! Biscoito chegou!

Ouvimos choro pela sala. Da Mamãe. Meu. Do Biscoito.

Nasceu uma família.

 


Puerpério


Este é um assuntos bem espinhoso. Em linhas gerais, o puerpério é o período após o parto em que o organismo da mulher vai voltando ao estado pré-gravidez. “Engraçado” que em vários lugares se lê ao estado normal. Oras, uma mulher engravidar não é algo normal?

Nesse período o corpo expele tudo que “sobrou” do parto, o útero retorna ao seu tamanho original, o local onde a placenta estava colada cicatriza e os hormônios vão voltando ao que eram. Após esse período de cerca de 30 a 40 dias (por isso a tal da quarentena em que atividades físicas são desaconselhadas) a mulher já estaria fisicamente pronta para engravidar novamente. Porém ainda pode não haver ovulação, devido ao aleitamento.

Mas além dessas alterações no corpo, há alterações psicológicas ainda maiores! Durante alguns meses a mulher viu seu corpo se alterar lentamente, com o ventre crescendo, a bacia se expandindo, os seios se preparando para produzir leite, os hormônios mudando, mas tudo de forma lenta e gradual. Já no puerpério tudo muda de uma vez só!

De uma hora pra outra a mulher tem seu corpo alterado. E junto a isso ainda tem um bebê que precisa de muitos cuidados. Por mais presente que seja o pai, infelizmente a maioria não consegue ficar alguns meses de licença para ficar mais tempo com a mulher e com o bebê, não tem como dar de mamar, e, sendo honesto, continua sendo homem! Homem no sentido de que muitas vezes não percebe a necessidade da mulher, não percebe que ela precisa de um carinho num momento, de paz em outro, de tranquilidade sempre.

As alterações são tão sérias e fortes que é nesse momento que surge a depressão pós-parto, que não é frescura.

É um momento que pode ser muito complicado para a mulher, no qual o maior auxílio que o companheiro pode dar é compreender, não julgar, e ajudar em tudo que puder. Não é momento de discussões. É uma hora em que toda a atenção tem que estar voltada para a mãe e para o bebê. Só que sem exageros! Nenhum deles está doente e não devem ser colocados numa redoma.

A Mamãe passou por isso, com momentos de muita tristeza, choros que apareciam do nada, e momentos de euforia também. Uma descrição desse momento que ela deu, que considerou a mais próxima da verdade, foi de morte. Mas não no sentido mais literal da palavra, de final da vida. Foi a morte de uma mulher para o nascimento de uma mãe.

Como pai e marido eu fiquei meio perdido, sem saber o que fazer. É complicado ver a mulher que se ama chorando, às vezes com motivo e às vezes sem, e não poder fazer nada efetivo para evitar. E para ajudar ainda mais no processo, Mamãe não estava produzindo leite suficiente para o Biscoito (espero que ninguém venha dizer que não existe isso de não ter leite suficiente, pois nós passamos por isso, e acontece sim!). Foi receitado inclusive um remédio para estimular a produção de leite, coincidentemente um antidepressivo. Difícil saber se o remédio ajudou a segurar a barra da Mamãe nos momentos mais críticos, mas provavelmente os médicos o receitam com dupla intenção.

Certamente a depressão pela qual a Mamãe passou não foi apenas por causa dos hormônios, mas pela situação toda! Privação de sono (acordar a cada 2 horas para dar de mamar não permite um bom descanso), nervosismo por não saber o que fazer quando o bebê chora, ficar em casa sem poder sair, receber muitas visitas (ainda pior no caso da Mamãe que adora receber pessoas em casa, e tendo que cuidar do Biscoito acaba se sobrecarregando mais ainda), preocupação em permitir que eu durma para poder ir trabalhar descansado no dia seguinte….uma série de coisas que somadas permitem dizer sem sombra de dúvidas que a Mamãe é uma mulher extremamente forte! Mas que como todo humano, tem seus momentos de fraqueza, e eu tenho que estar ali para segurá-la e reerguê-la quando necessário.

Esse período mais crítico já passou para nós. Mas os cuidados com a Mamãe, esse tem que continuar! Pela vida toda!


Dia 51 – Movimentos Calculados


A maioria dos movimentos do bebê são aleatórios. Ele não está passando a mão no rosto porque está coçando, mas apenas porque está movendo os braços pra lá e pra cá, e o rosto estava no meio do caminho. Aliás, é assim que acontecem os vários arranhões se as unhas não forem aparadas!

Com as pernas é a mesma coisa, fica balançando pra lá e pra cá. Exceto quando quer fazer cocô ou soltar uns puns! Aí ele fica esticando e encolhendo as pernas, como se estivesse pedalando. Inclusive esse movimento é bom ser estimulado quando houver muitos gases! Ajuda bastante a expulsá-los!!! Só não o faça sem nenhuma “proteção” (leia-se fralda) pois os gases podem sair um tanto quanto molhados (não, ainda não aconteceu com o Biscoito).

Mas neste 51o. dia a Mamãe notou que o Biscoito fez um movimento bem específico com as mãos: levou uma delas até o olho e fez movimento de coçar! Não foi ao acaso, mas algo bem específico.

Durante os banhos ele gosta de levar a mão até a boca também, mas nem sempre acerta e muitas vezes precisa de uma ajudinha.

Ele está se desenvolvendo bem, e considerando que com poucos dias já ficava de lado sozinho quando deitado, eu diria que não vai demorar muito para estar por aí correndo e saltitando!


Dia 47 – O Vizinho


O Biscoito não é de chorar muito, perto das histórias que ouvimos. Mas quando ele chora….ele chora!

Eu sempre tento não ficar perto de janelas, ou as deixo fechadas para evitar incomodar muito os vizinhos. Sei que isso pode ser muito chato! Principalmente se você quer dormir e não consegue.

Estava na porta de casa, me despedindo de amigos que tinham nos visitado, e a vizinha chegou. Cumprimentei, como reza a boa educação e ela perguntou quantos dias o bebê tinha, qual era o nome, e soltou a pérola:

– Ele tem um belo pulmão, né? Às vezes escutamos ele chorando aqui de casa.

Detalhe: ela mora no apartamento em frente! Não é “parede com parede”.

Só sorri, pedi desculpas naquelas de “foi mal, mas sabe que não tenho o que fazer, né”! Ela deu uma risada e respondeu “eu sei”. Pareceu sincera! Na verdade, se não foi sincera, também não temos muito o que fazer!

Dei boa noite, fechei a porta, e fui pegar o Biscoito no colo pra tentar acalmá-lo e parar de chorar.


Dia 45 – O dia P


No dia que o Biscoito faz 45 rotações da Terra voltamos ao Dr. Atra. Segunda consulta (tirando o retorno), e o momento da verdade: saber quanto está pesando!

Mamãe e eu fizemos um bolão: ela apostou em 4,150kg. Eu em 4,250kg. Mas ambos ficaríamos muito felizes se ele passasse dos 4kg.

A balança demorou um pouco para fixar no peso, e a emoção de ver quanto poderia ser impediu que eu visse o valor nela. O médico cravou 4,445kg!

A felicidade de ver que ele não só recuperou o peso que tinha perdido como ganhou bastante, inclusive em tamanho (passou de 45cm para 52cm), foi imensa! Saber que mesmo com as adversidades e com a falta de experiência estamos conseguindo fazer nosso bebê crescer com saúde não tem preço!

O Biscoito foi examinado de cima a baixo, e fora uma possibilidade de refluxo (algo normal) e das cólicas, ele está ótimo!

Agora tomará um remédio, ou quase um yakult infantil, já que tem lactobacilos vivos (que não são os casei Shirota) para tentar prevenir as cólicas.

E dentro de 15 virão as vacinas. As temidas vacinas dos 2 meses.


O choro


Antes do Biscoito nascer eu brincava com a Mamãe imitando o choro dele, mesmo sem saber como seria. Acertei em cheio! Lamentavelmente.

O choro é a única forma de comunicação que o bebê tem. Fome? Chora. Sede? Chora. Fralda suja? Chora. Vontade de fazer cocô? Chora. Vontade de dormir? Chora. Calor? Chora. Frio? Treme a mandíbula…provavelmente está preocupado demais em se aquecer para chorar.

O que mais se ouve é que com o tempo os pais aprendem o que é cada choro. Verdade. Nós já aprendemos a identificar o choro resmungo, o choro alto e o berreiro. Mas acredito que ainda existam muitas variações a descobrir.

Para a maioria dos choros, o seio resolve! Afinal, quem é que vai recusar uma boquinha? E mamando fica difícil chorar.

Nestes últimos dias o Biscoito anda chorando mais que o normal. Na verdade ele só para em 3 ocasiões: mamando, no colo e nos raros momentos em que está dormindo. Pois é, resolveu ficar acordado durante o dia. E ai do ouvido de quem estiver por perto e não o pegar no colo!

Eu disse durante o dia? Ha, antes fosse. Durante a noite também. Antes ele ficava acordado (ou meio desperto) até por volta da meia-noite. Só que agora ele resolveu que ser notívago é legal, e só vai dormir depois da 1 da manhã. Claro que nesse horário ou a Mamãe ou eu já estamos dormindo. O outro provavelmente está andando pelo apartamento tentando convencê-lo de que dormir é legal.

Como comentei aqui, durante o passeio ele abriu o berreiro. O choro foi alto, forte, sofrido, e eu estava com dor de cabeça. Imagina como fiquei, né? Imaginou errado! Por mais estranho que pareça o choro não me deixou pior! Ao contrário, até diminuiu o desconforto. Acredito que tenha sido justamente pela preocupação com o Biscoito, pois chorar pode ser normal mas não é legal. Nós ficamos preocupados quando ele está desconfortável com algo.

E ele ainda não consegue nos dizer com o que, infelizmente.


Dia 42 – O primeiro passeio de verdade


Ou quase isso! Mamãe tinha que ir ao médico, e obviamente eu a levaria. Então o Biscoito foi conosco.

Durante o dia ele estava inquieto, meio irritado, sem dormir muito. Bastava colocar no berço e alguns minutos depois começava a resmungar e chorar. O médico foi no final da tarde, e estávamos com receio de que ele se estressasse muito.

O caminho de ida foi muito tranquilo. Como quase sempre acontece com a maioria dos bebês, foi só o carro começar a se mover que ele dormiu. Acordou quando chegamos no médico. Mamãe teve que dar um pouco de peito para acalmá-lo, pois ele já estava começando a resmungar enquanto esperávamos o atendimento.

Na volta paramos numa padaria para comermos algo, mas principalmente para dar a mamadeira pra ele, pois já estava no horário, e não ia dar pra chegar em casa, e tirar ele do bebê conforto com o carro em movimento é uma possibilidade que não existe. Ele foi tranquilo o caminho todo. Na padaria tomou a mamadeira quase inteira! E aí fomos para casa.

Horário de pico, muitos carros na rua, movimento, trânsito. Faltando pouco mais de 1 quilômetro pra chegar em casa, pegamos trânsito pesado, do tipo ficar vários minutos parados. Aí ele abriu o berreiro! Não estava com fome pois tinha tomado a mamadeira há pouco tempo, não estava com frio porque no carro estava quente. Talvez estivesse incomodado por estar preso no bebê conforto, mas ele não é de resmungar quando fica meio apertado (no berço, no colo…). Chorou, chorou, chorou, se esguelou tanto que a voz deixou até de sair!

Para tentar acalmá-lo Mamãe tirou a coberta que ele estava e as meias. Como que por milagre ele parou de chorar! Ou começou a ficar entretido por estar com os pés pra fora, ou o que eu acho o mais provável, estava com calor! Até porque estava suando bastante, só não soubemos se era de tanto chorar ou por causa do calor.

Algumas considerações sobre esse passeio: estávamos mais bem preparados, levando tudo que precisamos e sem acidentes (na segunda visita ao pediatra também levamos mamadeira, que estava mal fechada e acabou vazando a água toda), mas não dá para ficar muito tempo no carro por enquanto! Ele se estressa e começa a chorar. Eu não tenho problemas com o choro, mas obviamente não gosto pois indica que ele está incomodado com alguma coisa, e tudo que não quero é deixar meu filho incomodado.