Mês: março 2017


Dia 37 – O Primeiro Sorriso


Antes de dormir o Biscoito sempre tem um ritual, pelo menos quando faz isso no meu colo: bocejar (muito!), dar uma choradinha, virar a cabeça de lado e fechar os olhos. Nessa sequência. Eu sei que ele está quase dormindo porque dá uma risadinha de lado, com o canto da boca. Nós sabemos que essa risada é involuntária.

Só que neste 37o. dia de vida ele deu um sorriso porque quis! Ele sorriu para a Mamãe!

Ela me ligou por vídeo para tentar mostrar, para ver se ele sorria de novo, mas é claro que o Biscoito tem personalidade e só vai fazer as coisas que quer quando quer. Se eu fiquei emocionado quando vi a foto do sorriso, imagino como deve ter ficado a Mamãe ao ver ao vivo!

Ao mesmo tempo me bateu uma tristeza, por saber que muitos desses momentos eu vou perder por não estar com ele, perto dele. Talvez eu não esteja junto quando ele der o primeiro passo, ou falar a primeira palavra.

Mas neste mesmo dia ele me deu uma alegria imensa: me reconheceu! Ou pelo menos temos quase certeza disso. Estávamos trocando ele, e eu passei por trás da Mamãe, e mostrei só meu rosto falando com ele “cadê o bebê”, e ele olhou pra mim e fez cara de surpresa, como que dizendo “ohhhh….você”!!!

Não vejo a hora de chegar o dia de, ao voltar pra casa depois de um cansativo dia de trabalho, ele olhar pra mim e abrir o bocão com um sorriso lindo e esticar o braços para receber meu abraço!


Filho de peixe…


Peixinho é com certeza, já que nasceu em 20 de fevereiro!

Mas no caso do Biscoito é mais que filho de peixe, é realmente minha cópia em alguns aspectos, e nem digo físicos. Cada dia que passa há mais reações parecidas com as minhas.

Uma das primeiras que a Mamãe notou é como ficamos em posições iguais em vários momentos. Por diversas vezes ela olhou para o Biscoito, olhou para mim, e deu uma risada do tipo “não é possível“! Estávamos com as mãos cruzadas, uma por cima da outra (as mesmas mãos em cima e embaixo), e com as pernas cruzadas (também na mesmíssima posição).

Ao acordar ambos demoramos um pouco para despertar, ficando alguns minutos nos espreguiçando. E espreguiçando da mesma forma! Além, claro, do relativo mal humor. Teremos problemas ao acordá-lo para ir pra escola! Vou provar meu próprio veneno.

Uma mania que eu tenho, após o banho enquanto me enxugo, é chacoalhar a perna e os pés para tirar o excesso de água e só então passar a toalha. Não é que o Biscoito fez esse mesmo movimento outro dia, depois do banho (e ainda molhado)?

Há coisas que podem ser creditadas ao fato de olhar, observar e copiar. Mas todas essas ações o Biscoito não teria como ter visto para poder copiar. Além de ser muito pequeno para ser capaz de fazer tudo isso por vontade própria sob influência de outra pessoa. Como por exemplo fazer bico ao dormir. Eu nem sabia que eu fazia até a Mamãe me contar!

A genética é realmente algo fascinante. Só espero que ele tenha a sorte de ter ficado apenas com genes bons.

Dia 28 – primeira lágrima


Não, não é uma lágrima de tristeza nem de dor. Quer dizer, depende do ponto de vista.

No dia em que o Biscoito fez um mês de vida (mesmo não sendo 30 dias depois), ele também soltou a primeira lágrima. Claro que sob determinado ponto de vista isso não é bom! Ele ter soltado uma lágrima significa que estava chorando, gritando, esperneando porque estava a-com fome; b-com sede; c-com a fralda suja; d-com sono mas não querendo dormir; e-todas as alternativas anteriores.

Isso não é motivo de preocupação, já que é comum os recém-nascidos não soltarem lágrimas até alguns meses de vida. O motivo ainda não é muito conhecido, mas é possível que seja porque os dutos lacrimais ainda não estão totalmente abertos, então mesmo que as glândulas estejam produzindo as lágrimas, elas não tem como chegar até o olho.

A nossa “preocupação” é com a precocidade do Biscoito! Ele já quase consegue firmar os pés e se empurra no trocador! Além de ele sozinho conseguir virar de lado ao dormir.

Sobre o choro encontrei um estudo interessante, feito em conjunto pela Queensland University of Technology (Austrália) e o Riverton Early Parenting Centre, onde 20% dos pais de primeira viagem e 30% dos pais já com experiência têm dúvidas sobre quando pegar o bebê que está chorando. E revelou que 25% dos pais iniciantes e 10% dos “veteranos” acreditam que pegar imediatamente o bebê quando chora pode mimá-lo.

Há um problema que os pais enfrentam, por serem bombardeados por informações de todos os lados, muitos dizendo que tem que deixar o bebê chorar um pouco para não criar um filho manhoso, e o instinto dos pais dizendo para pegar a criança imediatamente. A pesquisadora é taxativa: assim que o bebê chorar, pegue-o! Principalmente nos primeiros 3 meses de vida. Isso é essencial para o bom desenvolvimento emocional e neurológico.

Cada vez mais fico convencido de que o mais importante é sempre o instinto. Temos que esquecer às vezes que somos seres racionais, e parar de pensar um pouco com o cérebro e agir sim com o coração.

Observação: tentei achar links para o estudo em si, mas achei apenas referências em muitos blogs e sites de jornais. A única referência confiável foi a notícia no site da própria Universidade de Queensland. Se achar o estudo, atualizo o texto.


Dia 28 – mesversário


Tecnicamente não se passaram 30 dias do nascimento, mas que culpa temos se resolveram fazer fevereiro mais curto? Hoje é dia 20, e no dia 20 do mês passado o Biscoito veio ao mundo.

Em apenas um mês descobrimos o que é o inferno, com o Biscoito não se alimentando e emagrecendo, o choro durante a noite, as dores dos gases e do cocô que não saem, as pilhas de roupas sujas que teimam em só aumentar independentemente da máquina de lavar não parar de funcionar….

Mas descobrimos o que é o paraíso com o sorriso dele antes de dormir (mesmo que saibamos ser involuntário – ou assim nos fazem pensar), com as caretas ao tentar fazer cocô, com ele nos olhando no olho, a alegria de pegar ele no colo e sentir ele se acalmar, até fazer xixi em nós é uma alegria! O arrotinho pós mamada é comemorado como um gol, assim como cada pum que ele solta, e se vier “acompanhado” então é motivo para soltar fogos!

Já se passou o primeiro mês de vida do Biscoito, e tanta coisa já passou….e tanta coisa ainda vai passar! Virá a primeira engatinhada, o primeiro passo, o primeiro sorriso real ao nos ver, o primeiro dente…..sempre haverá algo novo, algo “primeira vez”. E tudo passa muito rápido!

Não dá para congelar o tempo só um pouquinho?


Peito, copo ou mamadeira?


Enquanto estava grávida, Mamãe me perguntou por várias vezes o que eu acharia dela se ela não conseguisse amamentar, por qualquer que fosse o motivo. Poderia ser porque ela não gostasse (acontece da mulher não se sentir confortável ou mesmo criar ojeriza à amamentação), porque o Biscoito não iria querer mamar ou porque simplesmente poderia acontecer de não ter leite.

Sempre respondia que jamais acharia ela menos ou mais mãe por dar de mamar. Se por algum motivo, qualquer um, não fosse possível dar de mamar haveria alternativas, e jamais a julgaria por isso. Nem permitiria que alguém a julgasse.

O Biscoito saiu da maternidade mamando no peito. Mas não sabíamos quanto efetivamente ele mamava! O seio não é transparente para ver (aqui houve uma falha no projeto dos mamíferos, ou talvez não: quem sabe o bebê não conseguisse mamar se visse tudo que tem dentro do seio…). E ele não estava mamando o suficiente. Começou a emagrecer. E isso para um recém-nascido é perigo de morte.

Mamãe tentava a todo custo dar o peito, chegando a ficar com um dos seios tão machucado que bastava o Biscoito pegar para ela se contorcer e chorar de dor. Tenho certeza que ela não urrava de dor apenas para não assustar o Biscoito. Cada vez que ela ia dar esse peito eu segurava sua mão e colocava sua cabeça no meu ombro, para que ela pudesse apertar e gritar abafado.

Aí tivemos a consulta com o Dr. Atra, que mandou entrar com fórmula imediatamente. Foi quando eu disse à Mamãe para dar um descanso para aquele seio, para que ele se recuperasse e déssemos chance para o leite voltar.

É incrível a quantidade de pessoas que dizem “você está dando fórmula? Que horror”! Mas não entendem que para os pais isso é o último recurso. Para uma mãe então é quase o fim do mundo! Nem imagino o sofrimento que deve ser para uma mãe não conseguir alimentar o filho, mas vi o sofrimento que é tentar e não ser suficiente.

As pessoas dizem para continuar tentando dar o peito, que o leite uma hora vai sair. Só que não sabemos quanto tempo vai levar para o leite sair (se algum dia efetivamente sair!), e quando isso acontecer pode ser tarde demais para o bebê. Entre insistir em algo que não está dando certo e correr o risco de matar seu filho, e partir para a fórmula, não acho que exista escolha.

Partimos então para a fórmula, inicialmente no copinho, para evitar que o Biscoito se acostumasse à mamadeira e deixasse de mamar no seio. Mas no copinho além de demorar muito e desgastar o bebê (imagine você com muita sede e tomando água com conta-gotas), muito do leite era desperdiçado pois ia pra todo lugar, menos pra boca. Então decidimos partir para a mamadeira.

Já tínhamos comprado um conjunto de mamadeiras da Avent, para usar mais pra frente, e tentamos elas. Tinha visto que no bico delas havia um número 2, mas não me liguei muito no que isso significava. O Biscoito estava tomando, mas não estava indo muito bem. Era muito rápido e isso fazia com que ele tomasse muito, regurgitasse um tanto, e entrasse muito ar junto provocando desconfortos nele. Compramos uma mamadeira para recém-nascido. E no bico havia um número 1. Estávamos usando mamadeira errada. Ele se adaptou muito bem com a nova! E como ele precisa fazer um esforço maior para mamar, continua mamando no peito também, apesar de não ter muito leite.

Mas pouco leite materno é melhor que nenhum! Então ele mama no peito, e depois completamos com a fórmula na mamadeira.

Graças a isso ele está engordando, percebemos que está bem, está feliz.

Em todo lugar você lê que sempre se deve dar o leite materno, que essa deve ser a única fonte de alimentação do recém-nascido, que as mães devem insistir pois sempre vai ter leite, o corpo sempre vai produzir. Pois é….a vida real é diferente, e ninguém prepara a mãe e o pai para o que pode dar errado.


A busca do pediatra


Nós já passamos por 5 pediatras com o Biscoito: dois na maternidade, um no hospital, um particular e outro pelo convênio médico.

Na maternidade o mais importante foi o último pois ele nos deu as informações mais importantes. Ou assim deveria ser.

Ele disse que todos os exames no Biscoito foram bons, nos deu o tipo sanguíneo dele, e deu uma receita para administrar fórmula caso ele ficasse 3 mamadas sem fazer xixi. Deveríamos dar de mamar a cada 3 horas, e caso ele pedisse antes para evitar dar. As mamadas deveriam ser de 10 minutos em cada seio e depois fazer arrotar.

A pediatra no hospital disse para dar de mamar a cada 3 horas, mas caso ele pedisse poderia dar mais. Poderia fazer a tal da livre demanda. Mas também dar 10 minutos em cada seio, com um intervalo de uns 10 minutos entre cada mama para arrotar, e depois ficar por até uns 40 minutos com ele para arrotar novamente.

O pediatra particular nos atendeu num dia em que normalmente não atenderia, ficou conosco por cerca de uma hora, e nos explicou muita coisa. Como o Biscoito estava emagrecendo mandou entrar com 30ml de fórmula imediatamente, depois de dar de mamar. Perguntamos como dar e ele disse que poderia ser no copo, poderia ser na mamadeira, na colher, no conta-gotas, da forma que fosse mais fácil para nós e melhor para o Biscoito. Mas era essencial que ele tomasse para ganhar peso. Deveríamos obedecer o tempo de 3 em 3 horas entre as mamadas, podendo oferecer fora do horário, já que nem sempre a mamada é para saciar a fome (pode ser a sede). Disse para consultarmos o obstetra a respeito de um remédio específico para tentar ajudar a aumentar a produção de leite. Ele nos deu o nome do remédio, mas não deu a receita! Isso deveria ser o obstetra a fazer, já que o Dr. Atra cuida do Biscoito, o obstetra é que cuida da Mamãe.

Já o pediatra do convênio começou mal impedindo a Vovó de entrar conosco na sala, com a desculpa esfarrapada de que não havia lugar para ela sentar. Não nos transmitiu muita confiança, não questionou se tínhamos dúvidas…provavelmente ficou na defensiva após falarmos que tínhamos ido a outro pediatra por causa da perda de peso, mas que queríamos encontrar algum mais perto de casa (o que é verdade), para o caso de qualquer emergência. Também disse que deveríamos dar a fórmula, começando logo de cara com 60ml, e caso parasse de sobrar leite na mamadeira subir para 90ml, depois 120ml e assim sucessivamente. A única parte que efetivamente foi boa da consulta foi a pesagem: o Biscoito havia engordado de um dia para o outro!

A certeza de que o pediatra do Biscoito seria mesmo o Dr. Atra (o “particular“) veio na consulta de retorno dele, uma semana depois. O Biscoito havia recuperado o peso do nascimento, com sobras, chegando aos 2,850Kg. Até apostei que na consulta seguinte, um mês depois, ele estará com cerca de 4Kg! O principal foi em relação à fórmula: devíamos continuar dando, mas nada de ficar aumentando a quantidade, pois isso pode interferir lá na frente no desenvolvimento dele! É preciso pensar que não podemos deixar o Biscoito ficar obeso desde pequeno! É nosso dever controlar o quanto ele ingere para não crescer demais.


Dia 15 – acordando para limpar cocô


A noite correu tudo razoavelmente bem. O Biscoito mamou nos horários, fez um pouco de manha para dormir, mas se comportou.

O movimento começou na mamada das 6 da manhã. Mamãe acordou para dar o leite, eu para preparar a fórmula, e voltei a deitar para dormir mais um pouco antes de trabalhar. 

Não sei quanto tempo depois Mamãe me chama pedindo ajuda para limpar o Biscoito! Fez tanto cocô que vazou pela fralda (na verdade a fralda estava mal colocada – óbvio que fui quem a colocou! – por isso vazou).

Tínhamos duas opções: encher a banheira e dar banho completo ou dar um banho de gato na pia. Não é a melhor alternativa, mas é a mais rápida e menos traumática pro Biscoito. Lá fomos nós para a “operação pia”. 

Limpamos tudo, colocamos a fralda, trocam s de roupa e ele voltou a mamar…e eu a dormir.


Dia 9 – visita ao pediatra


Chegou o dia de levar o Biscoito para a primeira consulta ao pediatra. Mamãe estava bem preocupada, mas não tinha me falado nada. O motivo tinha sido uma foto tirada dois dias antes onde o Biscoito aparecia com olheiras, órbitas oculares bem marcadas, e magro.

O médico foi extremamente atencioso, como já tinha sido antes em contato telefônica prévio e também pelo Whatsapp. Tínhamos uma tonelada de dúvidas que ele sanou uma a uma. Ele demonstrou ser um médico não muito xiita. Houve apenas 3 coisas que ele enfatizou bastante: jamais andar com ele no carro sem que esteja no bebê conforto, nunca deixar ele dormir de lado sem ninguém estar supervisionando, e não deixar de dar fórmula se estiver mamando no peito e emagrecendo (claro que cada caso é um caso, e o pediatra é quem tem a última palavra!).

O bebê conforto é por uma questão de segurança mesmo. Qualquer batida com o veículo e o bebê pode sofrer graves ferimentos. Quanto a dormir de lado, a questão é simples: dormindo dessa forma ele pode acabar virando de barriga pra baixo e sufocando, assim como pode ter algo do lado do corpo com o qual ele também pode se sufocar.

Na parte do exame em si do Biscoito, o pediatra ficou impressionado com a força dele! O Dr. Atra colocou o Biscoito na maca, de barriga pra baixo, e pôs a mão nos pés dele….e não é que o menino minhocou? Com a força das pernas ele erguei o quadril, esticou as pernas, e foi pra frente!

Olhou tudo que tinha pra olhar, e parecia tudo bem. Até a hora de pesar. O Biscoito nasceu com 2,800Kg, saiu da maternidade com 2,500Kg, e ali naquela consulta ele estava com 2,300Kg! Por pouco não vejo a Mamãe desmaiando. Foi um baque gigantesco.

Imediatamente o Dr. Atra mandou entrar com fórmula para complementar as mamadas. Pelo menos 30ml após cada uma.

Mas ele fez questão de nos tranquilizar dizendo que o Biscoito estava bem, não estava desidratado, respondia a todos os estímulos e o principal: não parou de mamar!

Saímos da consulta com a certeza de ter encontrado um pediatra muito bom, apesar de ser um pouco longe de casa, e não atender pelo convênio. Mas a primeira consulta foi muito boa, e antes mesmo dela já nos tinha “atendido” por telefone e por Whatsapp.

O retorno ficou para a semana seguinte.