Mês: fevereiro 2017


Dia 4 – ida ao hospital


O dia estava correndo razoavelmente bem, até que no final da tarde o Biscoito começou a chorar muito. Mas chorar de se esguelar mesmo!

Nós, país de primeiríssima viagem, ficamos preocupados. Não sabíamos se era fome, cólica, frio, calor, sede (não tinha passado pela minha cabeça, por incrível que pareça, que às vezes o bebê pode querer mamar porque está com sede!), então virei pra Mamãe e falei “troca de roupa que vamos pro hospital”.

Nossa sorte é que Mamãe manteve a calma nessa hora (ela já tinha ficado nervosa com o choro, mas se acalmou quando disse para ir ao hospital). Muita sorte pois ficamos uns 10 minutos tentando colocar o Biscoito no bebê conforto! Não conseguia de jeito nenhum acertar o encaixe do cinto.

Após conseguir ajeitar o Biscoito, o próximo detalhe que esqueci: qual hospital??? Já na rua, andando com o carro, verificamos se o plano de saúde cobria o Sabará. Sim. Lá fomos nós.

Na ida para o hospital já ficou claro que ele curte um carro, para variar. Só começou a chorar quando o carro ficou parado até decidirmos onde ir.

No hospital fomos atendidos rapidamente, pois além de ser recém-nascido havia pouco movimento. No pré-atendimento o primeiro susto: a temperatura dele era de 38.6 graus! Nessa hora eu vi a Mamãe congelando. A enfermeira disse que ele estava com muita roupa, por isso devia estar com essa temperatura. Pediu para tirar um pouco e em 10 minutos mediria de novo. Não deu outra: baixou!

A médica que nos atendeu disse que não havia nada de errado com ele. Então voltamos pra casa mais tranquilos, até porque ele tinha ganhado um pouco de peso: estava com 2,540Kg. Então a principal preocupação da Mamãe, que era não estar conseguindo dar leite para o Biscoito, passou.

Nos deu diversas recomendações, e a Mamãe até brincou que faltou apenas uma coisa: o telefone do consultório dela para marcarmos uma consulta. Mas ela atende apenas no hospital, e ao sair disse que se precisássemos estaria novamente no plantão no dia seguinte (e depois só dentro de 15 dias). Agradeci e disse esperar não precisar!


O bebê-conforto


Quando compramos o carrinho procuramos um que já viesse com o bebê-conforto. Achamos um modelo que parecia bom, que já vinha com carrinho que se transforma em moisés, bebê-conforto e sua base, da Safety 1st.

Li o manual, fiz um teste de instalação do bebê conforto no carro, e foi tudo bem. Então achei que estaria tranquilo. Mas na saída da maternidade nada é tranquilo, nada é favorável!

Fiquei uns 10 minutos tentando colocá-lo no carro, até que desisti e aceitei a recomendação da Mamãe, meio a contragosto como todo homem, de chamar alguém do próprio estacionamento para ver se consegue colocar. Havia um manobrista especialista no assunto. Mostrou como coloca, e aí veio a primeira surpresa: eu estava colocando a base e depois o assento. Só que quando é recém-nascido não se coloca a base! A base vai apenas quando o bebê ficar maior, já sentado. No bebê conforto ele vai deitado mesmo.

O manobrista deu uma indireta, nas verdade um jab no queixo, sobre caixinha, mas eu estava sem um tostão no bolso (na verdade eu raramente tenho dinheiro na carteira). E levei bronca da Mamãe por isso!

Ao chegar em casa retirei o bebê conforto pois ele estava com dois encaixes que são usados apenas quando colocado no carrinho, e que poderiam danificar o estofado do carro. Não prestei atenção em como ele estava bem encaixado e preso, e na hora de recolocá-lo para levar o Biscoito ao pediatra foi mais um sufoco!

Dica de ouro: instale e remova o bebê conforto várias vezes, antes do nascimento, para ter certeza que sabe fazer e não ficar desesperado com um bebê chorando enquanto tenta fazer o serviço.

Dia 3 – em casa


Hoje foi o primeiro banho que demos no Biscoito, somente nós, em casa. E parecia mais coisa de filme pastelão!

Tudo começou quando fomos trocar a fralda e ele estava muito, mas muito sujo. Aí resolvemos dar banho. Primeiro, como encher a banheira? Não tinha pensado nisso ainda. A solução mais óbvia seria pegar o chuveirinho do chuveiro, deixar numa temperatura boa, e pronto. Só que o chuveiro não tem chuveirinho. Usar o próprio chuveiro implicaria em perder metade da água. Então vamos pra pia. Depois de brigar um pouco com a temperatura, ficou bom.

Vamos levar o Biscoito pra banheira. Lembra quando a enfermeira fez o charutinho, para manter o bebê bem preso e firme enquanto lava a cabeça? Pois bem….nós não! Ele já chegou no banheiro, que fica a cerca de 3 metros do quarto, com os braços pra fora. Pra ser honesto, acho que saiu do quarto assim.

Vamos lavar a cabeça…cadê o algodão pra limpar os olhos e o rosto? Embaixo da pia! Joga as bolas na água logo e limpa ele!

Cadê o xampu? Ali na caixa! Pega logo! Tampa o ouvido…a mão não chega pra tampar os dois….segura os braços….tem uma perna saindo! Vamos enxaguar….olha a orelha!

Agora é o corpo. Cadê o sabonete? Na caixa, ao lado do xampu. Pega um pouco, passa nas pernas, barriga, enxágua, vira, costas….vamos secar.

Toalha! E a toalha? Onde tem toalha? Qual gaveta?? Corre que ele está chorando e não pode passar frio! Leva pro quarto! Fecha essa janela, caramba!

Pega fralda, põe fralda, pega a roupa. Que roupa? A que está na primeira gaveta! Não, essa é muito curta! E essa é muito pesada!

Depois de muito choro, uma meia hora, Mamãe acalmando eu e vovó que mais parecíamos duas baratas tontas, conseguimos deixar o Biscoito limpo, seco, cheiroso e vestido.

Ainda bem que recém-nascidos não guardam essas coisas na memória.

Dia 3 – dia de ir pra casa!


Durante a madrugada o Biscoito foi levado ao berçário para retirar sangue para fazer alguns exames. Nós o acompanhamos, claro. Não íamos deixá-lo sozinho lá de forma alguma.

A maioria dos bebês estava chorando, mas o Biscoito estava tranquilo e sossegado, dormindo.

Quando chegou a vez dele, a enfermeira o pegou, levou até a bancada, e na hora de fazer a coleta de sangue, que é feita através da veia da mão, o Biscoito continuou calmo e sereno, agarrando inclusive a mão da enfermeira, como que dizendo “calma, eu sei que pode doer em mim, mas eu aguento”!

Depois da coleta a enfermeira não aguentou e deu um beijo nele. Depois nos disse que não tinha mesmo aguentado a fofura do Biscoito!

Ele voltou ao quarto conosco, e voltou para a fototerapia.

A Mamãe já estava com alta do obstetra, mas ainda faltava a alta do Biscoito. De manhã veio o pediatra conversar conosco, dando todos os resultados do exame da madrugada. Tudo normal! A única coisa que ele pediu é que déssemos um banho de sol todo dia, por cerca de 10 minutos, por causa da icterícia.

Aqui vale um parênteses: o que há de errado nas pessoas que chegam para falar com a gente sem antes escovar os dentes ou mascar um chiclete que seja? E ainda quer falar de perto!

O pediatra comentou sobre o peso. Ele nasceu com 2,805Kg, e nesse dia estava com 2,500Kg. Ele disse que é normal essa perda de peso, que os bebês nascem com uma reserva, e que a perda de peso dele estava dentro do padrão (mas por pouco).

O Biscoito recebeu alta, com uma recomendação de tomar complemento (fórmula) caso ele não fizesse xixi por 3 mamadas seguidas. Mas foi só uma recomendação. E também marcar pediatra para no máximo 7 dias depois…o problema é que tínhamos o carnaval no meio do caminho, então levaria um pouco mais de tempo.

Sair da maternidade carregando seu filho é algo que não tem explicação! Não é só o fato de sair com a Mamãe e o Biscoito bem, mas o fato de que a partir daquele momento, quase sempre, ao sair nunca mais seremos apenas Mamãe e eu, mas Mamãe, Biscoito e eu! Seremos 3 pessoas, seremos uma família!

E o medo de dirigir carregando seu filho no banco de trás, no bebê conforto? Parece que cada carro que chega mais perto vai bater e imediatamente adoto uma postura de direção defensiva. Sempre que andava com a Mamãe, já grávida, eu ficava com este medo. Mas com o Biscoito ali, visível pelo retrovisor, segurando a mão da Mamãe, o medo é muito maior!

Chegamos em casa e começamos o processo de aprendizado de tentar cuidar de um recém-nascido.


Dia 2 – a primeira troca de fralda


O segundo dia de vida do Biscoito foi movimentado para nós.

Durante o dia, após a visita do pediatra, fomos informados que ele faria fototerapia, pois a icterícia estava mais evidente. Era uma precaução, mas é claro que dá uma certa preocupação. Ele ficaria o tempo todo no berço debaixo do aparelho tomando banho de luz, saindo apenas para trocar a fralda e mamar. Pelo menos ficaria conosco no quarto.

Durante a madrugada ele fez cocô, e descobrimos que ele avisa quando faz! O principal aviso que ele deu: ânsia! Pois é…quando ele está sujo fica com ânsia.

Resolvemos trocar nós mesmos a fralda por dois motivos: em algum momento isso teria que acontecer, e o outro motivo é que não gostamos da enfermeira do berçário que estava responsável naquele horário.

Claro que a primeira troca de fralda não seria tão simples. Eu bem que procurei por algum pote de Vick Vaporub para passar embaixo do nariz e evitar o cheiro ruim (estômago fraco é uma desgraça), mas não encontrei. Teria que enfrentar na cara e na coragem mesmo.

Abrimos a fralda e apareceu aquele monte de cocô….preto. Já tinham falado que era normal essa cor por algum tempo, mas ainda assim impressiona. A cor impressiona mais que o cheiro (que quase inexiste). Devemos ter gastado meio pacote de algodão pra limpar tudo…muito mais por inexperiência e exagero do que necessidade real.

Mas como o Biscoito é o Biscoito, ele resolveu nos ajudar. Ficou calmo, quieto, não balançou as pernas, não fez xixi em nós, e permitiu que colocássemos a fralda limpa tranquilamente. Para isso o test-drive numa boneca durante o chá de bebê de um casal de amigos foi bem útil.

Ao final de longas horas (que na verdade devem ter sido poucos minutos), fizemos a troca, nos cumprimentamos, agradecemos o Biscoito, e fomos todos deitar tranquilos e contentes. Pelo menos por algum tempo.

 

Dia 1


A noite foi movimentada. Primeiro banho da Mamãe, com ajuda de duas enfermeiras (e ainda assim quase caiu no chuveiro), um lanche às 01:30 da manhã (inclusive pra mim, pois minha última refeição foi o almoço do dia anterior, assim como da Mamãe), e visita de enfermeiras a cada 1h30, mais ou menos. Então dormir que é bom…

Assim que chegou mais gente na maternidade, fui fazer a certidão de nascimento do Biscoito. Achei que seria um processo rápido, mas claro que me enganei, e com isso perdi a primeira vacina dada nele.

Engraçado como algo assim mexe. Eu me senti um pai desleixado por não estar junto do Biscoito e da Mamãe nesse momento, mesmo sabendo depois que ele se comportou extremamente bem, sem sequer chorar. Ao contrário da Mamãe.

O processo para fazer a certidão em si é rápido na verdade, o problema é que havia fila. Há uma dupla conferência de documentação (da mãe e do pai), conferir se os dados do bebê estão corretos, e pronto. É voltar no dia seguinte para pegar a certidão.

Neste dia também vimos como se deve dar banho, fazendo o famoso charutinho para o bebê ficar calmo, e vendo todas as etapas. A enfermeira dando banho nele fazia tudo parecer fácil e rápido. Até porque ele só chorou na hora de lavar as pernas e a barriga.

E foi o começo das tentativas de dar de mamar no peito. Estava difícil conseguir fazer ele pegar o seio como deveria. Mamãe até ficou preocupada, achando que não conseguiria dar de mamar. Mas segundo as enfermeiras estava saindo tudo como deveria.

Dia 0 – o nascimento


Chegou o grande dia, e quem disse que estava tudo pronto? Sempre falta algo, se esquece de algo…eu quase esqueci os óculos.

A chegada à maternidade foi tranquila, mas o processo de internação, esse sim deu trabalho. Era para a Mamãe subir ao quarto antes de ir para o centro cirúrgico, mas atrasaram tudo e ela foi direto.

Enquanto ela estava na triagem eu fiquei recebendo os familiares que veriam o parto pela “janela”. Não parava de chegar gente, e eu nem sabia o que fazer de tão nervoso que estava. Parecia uma barata tonta.

Mas o coração disparou mesmo quando ligaram no quarto para que eu descesse com a primeira troca de roupa do Biscoito e um documento meu. Já iria me trocar para acompanhar a Mamãe no centro cirúrgico.

Fiquei esperando me chamarem para subir à sala de cirurgia. Esses foram os minutos mais longos de minha vida até hoje. Aguardar um telefone dizendo “pode subir”.

Na sala de cirurgia eu apenas tentava acalmar a Mamãe, mas acho que sem muito sucesso. Se eu não sabia o que fazer, imagine ela deitada na maca, anestesiada sem poder se mexer.

Mas só há uma emoção comparável àquela sentida quando o médico diz “o Biscoito está chegando” e você vê a cabeça cheia de cabelos dele saindo do ventre de sua amada: quando escuta pela primeira vez as batidas do coração dele no ultrassom.

Acompanhar os primeiros minutos de vida do seu filho de tão perto, mas ainda não poder segurá-lo é ao mesmo tempo mágico e angustiante! Só depois de pesado, medido, pezinhos sujos (e depois limpos), pulseiras conferidas e colocadas, enrolado e com capuz é que posso tê-lo em meus braços. Admirá-lo de perto. Sentir seu cheiro. E levá-lo para conhecer o rosto da Mamãe…e a Mamãe conhecer o rosto dele.

Se passam longuíssimas uma hora e meia até que Mamãe e Biscoito chegam no quarto. O primeiro momento da nova família sozinha e junta. O primeiro momento em que você olha para aquela pequena pessoa e promete para si mesmo: nunca faltará nada pra você! Nunca te deixarei desamparado! Sempre vou te amar!